Durante o fim-de-semana que passou foi a BlizzCon, uma celebração anual da Blizzard que celebra os jogos e universos criados pela companhia e onde são anunciadas novidades para o futuro. Na BlizzCon 2018, o que devia ser um ambiente de festa e de alegria, tornou-se numa piscina de lágrimas dos fãs quando a Blizzard anunciou Diablo Immortal, o primeiro jogo da série para smartphones.

Já há algum tempo que os fãs da Blizzard esperam um novo jogo da série, afinal, Diablo 3 foi lançado originalmente em 2012 e, por mais actualizações e melhorias que a Blizzard faça, existe inevitavelmente desejo por algo novo. Com a BlizzCon de 2018 a aproximar-se, os fãs começaram a criar expectativas para um novo jogo da série e começaram a acreditar que Diablo 4 estava próximo.

Quando o primeiro trailer de Diablo Immortal foi partilhado com o mundo pela primeira vez, a reacção dos fãs presentes na BlizzCon foi de silêncio. Houve algumas palmas de simpatia no público depois do trailer, mas nos minutos seguintes, o silêncio tomou conta da sala, gerando um momento constrangedor para a Blizzard e que se tornou num assunto de debate durante o resto do fim-de-semana.

"O silêncio tomou conta da sala, gerando um momento constrangedor para a Blizzard"

Não acompanho Diablo desde início, mas na pele de alguém jogou praticamente todas as versões existentes de Diablo 3, incluindo a mais recente versão para a Nintendo Switch, fiquei entusiasmado com a revelação de Diablo Immortal. Desde que foi anunciada a versão de Diablo 3 para a Nintendo Switch que uma versão para smartphones não me parecia descabida e eis que na BlizzCon 2018 isso se materializou.

Tal como a Blizzard, fiquei genuinamente surpreendido com a reacção dos fãs. Compreendo perfeitamente que alguns não estejam interessados em Diablo Immortal, até porque a Blizzard sempre foi uma companhia mais associada ao PC, mas todo o negativismo a que tenho assistido nas secções de comentários da Internent parece-me desmesurado e em grande parte injustificado. Afinal, qual é o problema de existir um Diablo desenvolvido especificamente para as plataformas mobile?

Parece-que a reacção negativa a Diablo Immortal não é nada mais do que o fruto de um preconceito que existe contra estas plataformas. Existem muitos jogos fracos para os dispositivos iOS e Android, mas também existem jogos realmente bons e interessantes (vou aproveitar este espaço para recomendar Gorogoa!). Os jogos para mobile, assim como os jogos para consola e PC, requerem tempo de desenvolvimento e recursos. O que acontece na maioria das vezes, é que estes jogos são desenvolvidos "às três pancadas" e o resultado final não prima pela qualidade.

"A reacção negativa a Diablo Immortal não é nada mais do que o fruto de um preconceito que existe contra estas plataformas"

No entanto, não é isso que a Blizzard pretende fazer com Diablo Immortal. Preconceitos à parte, Wyatt Cheng, o lead game designer de Diablo Immortal, prometeu uma experiência completa de Diablo para mobile. Aliás, o simples facto de que a Blizzard está a desenvolver um novo jogo para mobile mostra o seu nível de compromisso. A companhia podia ter feito uma simples remasterização do primeiro ou segundo Diablo, o que seria bem mais fácil, mas escolheu criar um jogo desenvolvido de raiz para estas plataformas.

Neste momento, a Blizzard ainda não anunciou se o jogo será gratuito, pago ou se terá micro-transacções, mas como a NetEase está envolvida no desenvolvimento, já li acusações de que o jogo será Pay-To-Win e que não passa de um clone de outro jogo desta editora chinesa. É certo que ao longo dos anos foram lançados muitos clones de Diablo para mobile, mas nenhum deles tem o carimbo da Blizzard. Não estou a dizer que Diablo Immortal vai ser bom ou que não será pay-to-win, o que estou a dizer que por enquanto não há factos que justifiquem tanto negativismo.

A versão Nintendo Switch de Diablo 3 mostrou-me o quão divertido é poder jogar em qualquer lado, a principal razão pela qual estou entusiasmado com Diablo Immortal. Poder sacar do meu smartphone e jogar Diablo é uma proposta apelativa e na qual estou genuinamente interessado. É claro que também quero Diablo 4, mas ao contrário da maioria dos fãs da Blizzard, sei que Diablo Immortal não vem substituir outros projectos de grande escala de Diablo. E para aqueles que criaram expectativas para o anúncio de Diablo 4 na BlizzCon 2018, a Blizzard já tinha confirmado umas semanas antes que o jogo não seria anunciado.

Em Outubro, a Blizzard disse que tinha vários projectos de Diablo em desenvolvimento e que, apesar de saber aquilo que os fãs estavam à espera, esclareceu que precisava de mais tempo. Para a BlizzCon 2018 foram prometidas apenas notícias relacionadas com Diablo, mas a Blizzard deixou bem claro que aquilo que os fãs tanto aguardam, Diablo 4, não ia ser anunciado e que necessita de mais tempo. Talvez a Blizzard se tenha equivocado em dar tanto destaque a Diablo Immortal, induzindo os fãs na ideia de que este será o futuro da série, mas ainda assim, não justifica o rápido ódio que os fãs ganharam ao jogo.

O mobile é uma plataforma com centenas de milhões de utilizadores, mais do que qualquer outra plataforma, e cada vez mais companhias de videojogos estão a apostar lá. Alguns exemplos são a Epic Games, a PUBG Corporation, a Nintendo, a Bandai Namco, a Sega, a Warner Bros, a Marvel, e muitas outras. O mobile é actualmente a porta de entrada para milhões de jogadores. Existe o preconceito de que não é uma plataforma "hardcore" porque os controlos tácteis são, na maioria dos casos, piores do que os controlos tradicionais e porque, de facto, a Google Play e App Store estão apilhadas de jogos irrelevantes, cheios de microtransacções e/ou muito mal polidos.

"Não tenho vergonha em dizer que sou um jogador mobile"

Mas há que saber separar as águas. Só porque existem muitos jogos mobile que são maus exemplos, não significa que Diablo Immortal será terrível como alguns já apregoam. As reacções são tão exageradas que fobia a jogos mobile começa a parecer uma perturbação real. Como estava à explicar há uns parágrafos atrás, um dos problemas dos jogos mobile é que a maioria não são feitos nas condições ideais. Ter uma companhia como a Blizzard a apoiar a produção de um jogo como Diablo Immortal não me deixa desconfiado ou com receio, pelo contrário.

O mobile é uma plataforma válida para se jogar. Não tenho vergonha em dizer que sou um jogador mobile, assim como sou um jogador de consola e de PC. Sou todas estas coisas. Não tenho medo de coisas novas e não receio Diablo Immortal. Espero, com toda a honestidade, que seja um bom jogo. Se for mau, cá estarei para atirar pedras, mas pelo menos vou esperar até ter jogado, ou no mínimo, até que se saibam mais coisas!

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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