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Eiyuden Chronicle: Hundred Heroes - doce nostalgia

Um JRPG vindo da segunda metade dos anos 90.

Uma viagem no tempo até à dourada segunda metade dos anos 90. O sistema de combates, os sprites 2D e as principais mecânicas criam um apelo, embelezado pelo efeito nostálgico, mas terás de lidar com alguns elementos menos positivos.

Eiyuden Chronicle: Hundred Heroes é mais um forte exemplo da atual era da indústria dos videojogos, na qual uma equipa sem poder financeiro pode realizar o seu sonho com a ajuda dos jogadores. Imaginado como um sucessor espiritual para Suikoden (mais uma série que a Konami colocou a dormir), Eiyuden Chronicle foi imaginado pelos principais criativos na origem dessa série menos conhecida da produtora japonesa. A equipa liderada pelo falecido Yoshitaka Murayama não esconde a humildade do projeto, mas pode caminhar de cabeça erguida pois criou algo com muito de interessante.

Desde os primeiros instantes que percebes que Eiyuden Chronicle: Hundred Heroes é um projeto “indie”, um jogo humilde que não consegue esconder as suas fragilidades a nível técnico. Pelo outro lado, também não esconde que se trata de uma jornada especialmente focada no fator nostálgico, é um JRPG de combates por turnos que podia exibir o nome Suikoden sem qualquer problema, capaz de transmitir a sensação de “cápsula do tempo”, de estar a jogar um título daquela era dourada dos JRPGs, na qual tivemos enorme variedade e diversidade, com imensas empresas a correr riscos e a testar coisas diferentes no género.

Tens um mapa mundo em 3D que relembra o que era feito na altura, (sprites 2D a caminho por cenários e mapa 3D), combates por turnos, e uma narrativa provavelmente demasiado complicada para o seu próprio bem. Além disto, tens os condimentos próprios de Suikoden: recrutamento de personagens como parte fundamental da progressão e missões extra ou segredos, a possibilidade de efetuar ataques combinados entre personagens, fases bélicas onde controlas batalhões de soldados, e claro, tarefas para melhorar a base para fortalecer o teu exército.

Ao procurar criar um novo Suikoden à imagem dos dois primeiros, a Rabbit and Bear consegue em 2024 criar um JRPG muito específico, com suficientes ingredientes próprios para se diferenciar dos demais. Juntamente com o seu charme, é o seu principal triunfo. Será provavelmente isto que te fará superar todas as falhas no design e ritmo.

Grande parte de Eiyuden Chronicle: Hundred Heroes foca-se em recrutar novos membros para o exército, o que significa vaguear pelos locais e mapa mundo à procura de NPCs que se destaquem para conversar com eles. Alguns aderem de imediato, outros lançam-te desafios como matar um determinado número de inimigos e outros exigem um certo nível, por exemplo. É puro Suikoden e é diferente, é parte do seu apelo, mas está feito de uma forma que frequentemente prejudica o ritmo de progressão.

O melhor de Eiyuden Chronicle: Hundred Heroes é quando estás a combater ou numa masmorra a descobrir os seus segredos e puzzles. É quando estás a descobrir mais uma parte essencial da sua trama política, tal como no original. É aí que reside o encanto deste JRPG, mas terás de tolerar alguns problemas e inconsistências.

No que diz respeito ao sistema de combate, Eiyuden Chronicle: Hundred Heroes está muito bem conseguido. Os combates por turnos são super divertidos, especialmente com a profundidade da gestão das personagens (o sistema que te permite definir parâmetros específicos para o seu comportamento), os Hero Combos emulam parte do melhor de Suikoden com golpes especiais em parceria, e ainda o sistema de habilidades que te força a acumular pontos antes de as usar. É um sistema simples e fácil de aprender, mas que devido a estes elementos consegue profundidade. Além disso, podes colocar as batalhas em automático para facilitar o grind, o que combinado com o detalhe nas ordens atribuídas ajuda imenso a gostar do que aqui é feito.

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O design de personagens, bosses e cenários também é um belo exemplo de uma experiência inconsistente, na qual existe muito que está atrativo, mas outro tanto que não está ao mesmo nível. Seja nas masmorras, personagens, qualidade gráfica, seja nas batalhas ou fora delas, Eiyuden Chronicle: Hundred Heroes é um jogo capaz de te conquistar, para no momento seguinte desiludir. Jogado na Switch ou num dispositivo como a Deck será mais atrativo.

Existem diversas coisas que te vão fazer gostar de Eiyuden Chronicle: Hundred Heroes, muitas delas ao ponto de te fazer superar a vontade de desistir quando os elementos menos positivos se fazem sentir com maior intensidade, mas existem diversos momentos que te vão desafiar a paciência. O ritmo da narrativa é especialmente lento em diversas fases, existem muitos momentos sem real valor e quando estiveres perto do final, com o relógio a marcar 40 horas de jogo, provavelmente ficarás a pensar que algumas partes deviam ter sido cortadas para criar melhor ritmo. Além disso, a narrativa tem bases sólidas, conflito político, guerra e amizade dividida pelo dever, mas frequentemente falha em conquistar-te.

Eiyuden Chronicle: Hundred Heroes é um JRPG repleto de charme, que vibra com especial vigor graças à nostalgia e esse será o principal factor a definir o quanto gostarás desta experiência. Tudo aqui te remonta para os primeiros dois jogos Suikoden por isso, se os jogaste, vais sentir que viajaste no tempo e tens uma espécie de Suikoden 3 na PS1, mas se não os jogaste, terás aqui o mais próximo possível disso. A Rabbit and Bear merece elogios pelo que fez e nem sequer é a humildade do projeto que o perturba, mas sim outros elementos como design da campanha, o ritmo de progressão, narrativa e personagens.

Prós: Contras:
  • Sistema de combate
  • Profundidade das mecânicas de ordens aos aliados
  • Recrutar aliados e formar um exército
  • Masmorras clássicas com puzzles
  • Qualidade visual inconsistente
  • Ritmo de progressão
  • No geral, a narrativa não conquista

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