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A dor de um fã de Pokémon perante tudo o que se está a passar

Como é que a série chegou a este estado lamentável?

Por melhores que sejam as memórias da minha infância e das horas passadas no recreio com a GameBoy na mão, ser fã de Pokémon tem sido francamente doloroso nos últimos anos. E como um caso agudo de apendicite, a dor rebentou esta semana.

A situação de Scarlet e Violet é o culminar de tudo aquilo que está mal em Pokémon. O sintoma máximo de uma doença degenerativa que já tem dado sinais nos últimos anos, e que como não foi devidamente tratada, se tornou num caso crítico.

Neste momento, certamente já todos viram o estado do jogo. Há múltiplas compilações de erros e problemas de desempenho que oscilam entre o hilariante, a tristeza, e o inadmissível para um alegado produto terminado.

De um lado temos a GameFreak, Pokémon Company e Nintendo. Nenhuma destas três companhias, todas com fatia igualitária na marca Pokémon, foi capaz de puxar o travão e reconhecer que lançar um jogo neste estado não é digno nem respeituoso para os fãs.

A acompanhar, há uma porção excessiva de fãs com atitute protetora dos jogos, que ainda não entenderam que a crítica é saudável. Criticar e apontar as falhas em nada impede que desfrutes do jogo. Gostar de coisas imperfeitas não é crime.

Ninguém me avisou que ia haver um crossover entre Attack on Titan e Pokémon (crédito da imagem: ScenicAura73)

E não esquecer os meios especializados, que em parte, também ajudaram a pintar o quadro surrealista em que estamos. Basta visitar o Metacritic e ver algumas notas e reviews de Pokémon Scarlet e Violet para perceber que alguma coisa não está bem.

Os críticos de videojogos têm o nobre e importante papel de informar do estado de um produto antes do lançamento. No caso de Pokémon Scarlet e Violet, vi mais glamour, nostalgia e desculpas do que críticas concisas. Será da subjectividade? Não consigo concordar. Há coisas que, de facto, são subjectivas nas reviews, mas o estado lastimável de Scarlet e Violet não é subjetivo. Basta ter olhos na cara para reconhecer que há jogos em acesso antecipado que fazem melhor figura.

A cereja no topo deste bolo estragado foi o anúncio que Scarlet e Violet venderam mais de 10 milhões de unidades em 3 dias, um recorde para a série (e para a Nintendo). Francamente, ficava contente se essas receitas fossem utilizadas para melhorar futuras entregas, mas convém não esquecer que Sword & Shield também bateram recordes de vendas, e como recompensa, os fãs receberam o jogo mais problemático de sempre.

Que irónico. É o espelho perfeito do que está a acontecer com a série Pokémon. O jogo mais "bugado" é também aquele que tem o maior sucesso. Não admira, os fãs (e também os críticos) têm recompensado o mau trabalho da GameFreak nos últimos anos. E aqui chegamos. Não sei qual será o futuro da saga, é provável que, independemente do estado dos jogos, continue a vender como pães quentes. É o que tem acontecido.

É Pokémon e basta, como se costuma dizer. Uma série que claramente é demasiado adorada e protegida para falhar. Eu cá continuarei, a gritar num vazio, à espera que a GameFreak, Nintendo ou Pokémon Company se pronunciem relativamente ao estado do jogo. Hoje faz uma semana desde o lançamento. Ainda não houve nem uma palavrinha - apenas para anunciar o recorde de vendas - nem uma atualização para melhorar o estado do jogo (o que por si só, diz muito da capacidade da GameFreak para desenvolver e sustentar estes jogos).

Mas pelo menos, estou de consciência tranquila que estou a cumprir a minha responsabilidade enquanto crítico e verdadeiro fã.

Sobre o Autor

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Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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