Lançado em 2006, Okami chegou originalmente à PS2 nos seus últimos anos. É um action RPG expansivo que combina The Legend of Zelda com a história Japonesa e na altura da sua chegada, também foi um dos mais ambiciosos jogos da Capcom. É uma aventura linda e um jogo relançado pela Capcom em várias gerações - agora chega à Nintendo Switch, com novas funcionalidades como controlo por toque e movimentos, juntamente com visuais HD como nas conversões para a actual geração.

A estética visual é intemporal - é um daqueles jogos que se aguenta mesmo quando visto numa TV 4K. Okami tem um charme intemporal, criado por genuínos artesãos. Na altura, o Clover Studio da Capcom era um grupo formado para criar novas PIs e explorar novos géneros. Shinji Mikami, Hideki Kamiya e Atsushi Inaba faziam parte do seu talento, conseguindo criar vários clássicos em pouco tempo. Apesar de já não existir, o espírito da Clover está vivo na Platinum Games - mas Okami é um exemplo soberbo dos primeiros trabalhos desta equipa.

Okami foi aclamado pela crítica, mas não fez furor nas tabelas de vendas, mesmo sendo considerado um clássico da era. Ainda é um jogo fantástico, mas o que se destaca mais é o estilo visual. A Clover levou as técnicas cel-shading a um novo nível e ao invés de recriar o aspecto de uma anime ou manga moderna, como era comum na altura, focou-se em recriar as pinturas sumi-e Japonesas.

Linhas pretas de tinta envolvem a geometria em todo o mundo, é aplicado um efeito de textura de papel na cena que dá ao jogo uma sensação de textura como se fosse desenhado à tua frente. Objectos como árvores e relva são apresentados na forma de belas pinturas achatadas colocadas em cada cena. Combinado com o ligeiro brilho aplicado ao mundo, é espantosamente bonito e na consola original não existia nenhum jogo igual - mesmo agora. Na forma original, Okami corria numa resolução de 512x448, que apesar de servir para uma CTR, já revela a idade numa TV actual.

Uma visita guiada a todos os ports de Okami.

É aqui que entram as conversões. Okami já foi lançado na Wii, PlayStation 3, PlayStation 4, Xbox One, PC e agora na Nintendo Switch. Esta versão não é um port comum. Existem três aspectos da conversão a abordar. Primeiro, temos a Wii, a Capcom decidiu converter o jogo para a popular consola da Nintendo com controlos por movimento, mas encontrou dificuldades. Nesta altura, já não existia a Clover Studio e a Ready at Dawn converteu o jogo com a ajuda da Tose - um dos mais requisitados estúdios no Japão, conhecido por ajudar a desenvolver muitos jogos. Sem alguma da arte original e forçada a mexer no código original, a versão Wii de Okami deixa a desejar em termos de alguns florescimentos visuais vistos na PS2. Pelo menos adicionou controlos por movimento para o pincel celestial.

Anos mais tarde, a HexaDrive converteu-o para a PS3 - um estúdio muito talentoso conhecido pela sua arte na conversão de jogos. Existe algum mistério em torno deste port. Quando foi lançado, a HexaDrive detalhou algumas das melhorias e técnicas usadas na versão HD, sugerindo uma resolução nativa de 4K. No entanto, também sugere que temos 1080p com 4x MSAA. Durante anos, foi discutido se o jogo corria com uma resolução interna superior e se Okami usa SSAA. Acreditamos que corre a 1080p com MSAA, mas não existem dúvidas que a qualidade de imagem da versão PS3 é simplesmente excepcional - talvez a melhor da consola. Okami foi melhorado com assets em resolução superior, gerados pela HexaDrive. São soberbos.

Isto leva-nos até ao terceiro e último esforço de conversões na Xbox One, PC, PlayStation 4 e agora Switch. É sem dúvida a melhor versão do jogo. Baseado no port PS3 da HexaDrive, esta nova versão foi criada pela Buzz e Vingt et un Systems. Todos os benefícios da versão PS3 estão aqui presentes - texturas melhorias, qualidade de imagem excepcional e, talvez a melhor funcionalidade de todas, a opção de avançar nos diálogos. Existe muito texto em Okami e pode cansar às vezes, esta é uma funcionalidade muito bem-vinda. Apesar de estar na Wii, esta funcionalidade não está na PS3, sendo bom ver o seu regresso.

Okami corre a 1080p nativa na PS4, Xbox One e Switch na dock, corre a 4K nativa na Xbox One X e PlayStation 4 Pro, enquanto em modo portátil na Switch desce para 720p nativa. Em todas, temos a MSAA da versão PS3.

SwitchPlayStation 2PlayStation 3Wii
O design básico é consistente ao longo das gerações, mas existem diferenças. Desde o rácio de aspecto a mudanças nas texturas e iluminação, cada versão é única. É o ligeiro efeito de brilho que dá à versão PS2 o aspecto estilo sonho que está ausente das restantes.
SwitchPlayStation 2PlayStation 3PlayStation 4 Pro
As cenas mais escuras ficaram melhores. As versões PS3 e Switch ficam bem ao lado da imagem 4K da Pro e Xbox One X.
SwitchPlayStation 2PlayStation 3PlayStation 4 Pro
A iluminação parece variar mais entre o original e os ports. O efeito está bom em todas as versões, mas nenhuma delas captura plenamente o original.
SwitchPlayStation 2PlayStation 3Wii
Esta cena destaca as diferenças no rácio e cor. A versão PS3 parece apertar um pouco a imagem. A versão Wii não tem o filtro de papel e todos os remasters apresentam um céu azul brilhante, comparado com o mais apagado do original PS2.

Além da qualidade visual, a Switch adicionar novas opções de controlo. Em modo mobile, podes usar o ecrã táctil para manipular o pincel celestial e acredito que é a melhor implementação da funcionalidade até à data. Nas outras versões, nem sempre tinhas uma boa sensação ao controlar o pincel, mas tens um nível de precisão na Switch que é fantástico e até podes tocar no ecrã para iniciar o modo pincel quando quiseres. É uma bela novidade no modo portátil. Na dock, podes optar por usar os analógicos ou um dos Joy-Cons para movimentar o pincel, tal como na Wii. Infelizmente, como não é baseado no sensor infravermelhos, a precisão é menor. É divertido, mas frequentemente terás dificuldades em desenhar uma linha perfeita.

Em termos de performance, todas as versões correm a 30fps bloqueados, como o original. Modders já tentaram colocá-lo a 60fps no PC, mas encontraram várias dificuldades, sugerindo que 30fps é essencial para o jogo. Todos os ports conseguiram pelo menos um rácio de fotogramas fixo e a Switch segue o exemplo, sofrendo apenas com uma ocasional queda que passa despercebida. Seja na dock ou mobile, a experiência é sólida.

Todos os ports de Okami são recomendados, talvez com a excepção da versão Wii, que não apresenta alguns efeitos visuais do original. A versão PS3 poderá ser a mais impressionante em termos técnicos, entrega 1080p nativa com 4x MSAA e um filtro anisotrópico de 16x - um grande feito. Apenas o screen-tearing deixa a desejar, tal como a incapacidade de avançar os diálogos, mas fica muito perto das versões PS4 e Xbox One. Nas consolas 4K tens a melhor experiência geral, a qualidade de imagem é boa.

A versão Switch oferece um pacote único. Na dock, é basicamente a mesma versão da PS4 e Xbox One, mas é o modo mobile que a distingue. Alguns jogos Switch reduzem os gráficos ou baixam a performance no modo mobile, mas Okami HD apenas baixa a resolução para 720p - é um port quase perfeito, que é altamente recomendado.

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Sobre o Autor

John Linneman

John Linneman

Staff Writer, Digital Foundry

An American living in Germany, John has been gaming and collecting games since the late 80s. His keen eye for and obsession with high frame-rates have earned him the nickname "The Human FRAPS" in some circles. He’s also responsible for the creation of DF Retro.

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