Elden Ring - O jogo mais acessível da From Software?

Confere as nossas impressões da beta.

Desde o primeiro Demon's Souls para a PlayStation 3 que a saga da From Software ganhou uma reputação terrorífica entre os jogadores e não admira que isso tenha acontecido, basta olhar para o lema "Prepara-te para Morrer" para ficar consciente que é um jogo duro de roer. No entanto, apesar de existir um grau de dificuldade um tanto elevado associado a certas zonas e confrontos com os temíveis bosses, sempre me pareceu que um parte da considerável da dificuldade da série vem do design punitivo. Bonfires distantes, inimigos escondidos atrás de portas, baús que ganham vida e te atacam, dragões que atacam do céu e cospem fogo... há muitas formas de morrer que só consegues evitar depois de morreres naquele sítio pelo menos uma vez. Este tipo de situações, ainda que façam parte da experiência Souls, são sempre frustrantes.

Curiosamente, desde o primeiro jogo da série até ao mais recente, o estúdio japonês tem vindo a afinar a sua fórmula, tornando os jogos mais justos e acessíveis, mas sem nunca descurar o desafio. Acho que é importante sublinhar que acessibilidade e dificuldade não são opostos. Um jogo pode ser difícil e acessível ao mesmo tempo, são dois aspectos que não se anulam, pelo contrário, até se complementam muito bem. Um jogo é acessível quando o jogador consegue compreender as mecânicas facilmente e sabe, com relativa facilidade, o que tem de fazer. Nada disto impede que, mais adiante, o jogador encontre um desafio muito difícil. Até agora, os jogos Souls ou derivados (tipo Bloodborne e Sekiro), eram um tanto obtusos de propósito, mas não acho que isso fosse um ponto positivo, ainda que alguns jogadores o considerassem como tal.

Há muitos jogadores que têm ou já tiveram interesse num jogo Souls, mas que devido à reputação da série, deixam para lá. Não defendo que a From Software deva criar um modo fácil, mas tornar os jogos mais acessíveis é um caminho a seguir. Elden Ring é, desse modo, um passo em frente. O jogo esteve recentemente em beta fechada nas várias plataformas e tivemos a oportunidade de experimentá-lo durante algumas horas. Primeiro de tudo, há que referir que este é um Dark Souls em tudo menos no nome. Há alguns elementos novos, mas a sensação que tens desde o primeiro momento que pegas no comando é que é muito parecido com os jogos anteriores do estúdio. No primeiro combate que tens com um inimigo, a sensação de que é um Dark Souls fica mais forte. A movimentação da personagem, os ataques, o rebolar, bloquear com o escudo, usar poções a meio do combate para recuperar a vida... é um caso de dejá-vú.

É um mundo aberto, mas o jogo diz-te para onde ir

Bem, mais ou menos. Quando chegas a um Site of Grace (o equivalente de Elden Ring às bonfires), vais reparar que existe uma espécie de feixe de luz a apontar numa direcção. Sabes assim que é para ali que tens de ir a seguir para progredir na história. O jogo não tem um GPS certeiro como outros jogos em mundo aberto, mas não vais ficar completamente perdido. Sabes que se fores naquela direcção, eventualmente encontrarás outro Site of Grace onde poderás guardar o teu progresso. Enquanto nos jogos Souls a viagem rápida entre bonfires só surgia muito adiante, em Elden Ring surge logo no início, sendo muito mais fácil viajar para Sites of Grace que já visitaste e explorar desde cedo o mapa ao teu ritmo. São pequenas mudanças na experiência, mas que tornam o jogo muito mais fácil de digerir. Lá está, a tal acessibilidade de que falava.

Ainda que o jogo indique para onde tens de ir, o bichinho da exploração dentro de mim fez-me ignorar essa indicação. Tinha de ir em frente, mas decidi seguir para a esquerda, em direcção a uma descida que eventualmente chegava a uma praia com grandes penhascos. Na descida, encontrei um brutamontes que, podia ter ignorado ao esconder-me nos arbustos, mas decidi encarar de frente. Depois de umas mortes de habituação, consegui derrotá-lo. Geralmente, todos os inimigos costumam ter um ponto fraco e este não era excepção. O ponto fraco estava nos olhos, que podias atingir depois de escapares a um poderoso golpe que fazia estremecer o chão. Já na praia, perto da água havia estranhas criaturas que pareciam ser feitas de um emaranhado de tentáculos, umas gosmas rastejantes e, claro, os tradicionais esqueletos ambulantes (muito fáceis de derrotar). A explorar o mundo também vais encontrar uma grande variedade de animais, dos quais podes obter recursos para crafting.

O mundo pareceu-me gigantesco, o que é impressionante sabendo que era apenas uma beta, com muitas limitações. E não se trata daqueles mundos cheios de objectivos repetitivos, é um mundo genuinamente interessante de explorar. Mais adiante na beta, desbloqueias um cavalo, que podes invocar a qualquer momento. O cavalo serve para deslocações mais rápidas pelo mundo e também podes combater em cima dele. Há, inclusive, umas correntes de ar para as quais podes saltar em cima do cavalo para dar super saltos. Por falar em saltos, podes saltar livremente em Elden Ring com a tua personagem, ou seja, existe um botão dedicado para saltar. Os saltos estavam presentes nos jogos Souls, mas eram bastante limitados e complicados de usar (requeriam um sprint). Num jogo em mundo aberto, a habilidade de saltar é praticamente obrigatória para exploração.

Podes invocar NPCs para te ajudarem

Nos jogos Souls sempre foi possível invocar a ajuda de outros jogadores. Em Elden Ring isso continua a ser possível, mas agora existe uma nova opção de ajuda: podes invocar NPCs para te ajudarem. Esta mecânica não é propriamente novidade, mas era extremamente rara nos jogos Souls. Eram pouquíssimos os bosses onde podias chamar um NPC para te ajudar. O melhor de tudo é que o custo de invocação é a tua barra de FP (a barra para fazer magias), não te forçando a consumir itens difíceis de encontrar ou de fabricar. Em Elden Ring podes pedir a ajuda a NPCs não apenas em bosses, como em alguns sítios desafiantes do mundo aberto. É meramente uma opção, que podes ignorar se queres um desafio maior. Pessoalmente, apenas fiz uma invocação para ver como funciona porque gosto de fazer tudo sozinho (já nos jogos Souls nunca invocava ajuda), mas é perfeitamente razoável pedir ajuda a NPCs em momentos complicados (é preferível isso do que um comando partido).

Outra pequena diferença, relativamente aos jogos Souls, é que quando derrotas um grupo de inimigos os teus fracos que te recuperam a vida e barra de magia são parcialmente preenchidos. Aniquilar um grupo de inimigos é agora mais recompensador, um incentivo para continuares a avançar sem voltar para um Site of Grace para recuperar os recursos. Como já deves imaginar, é nos Sites of Grace que evoluís a tua personagem. Quando derrotas um adversário, apanhas Runes (o equivalente às almas), que depois podes alocar em diferentes categorias como Vigor, Endurance, Mente, Força, Inteligência, e por em diante. Se morreres, as runas ficam no sítio onde faleceste, mas podes voltar lá para recolher o que perdeste. É exactamente a mesma mecânica dos jogos Souls.

Uma evolução de Dark Souls

Eu disse que Elden Ring é um Dark Souls em tudo menos no nome, mas não esperes um jogo idêntico aos anteriores. Como reparaste se leste até aqui, há muitas novidades que transformam a experiência, para melhor. A From Software fez os ajustes certos para que a fórmula funcione em mundo aberto e para tornar o jogo menos assustador a novatos. A história é mais directa e perceptível, assim como as instrucções para compreenderes a jogabilidade e as mecânicas do jogo. Gosto desta faceta da From Software, de não ficar presa ao passado, de não ter medo de fazer alterações a uma fórmula de sucesso e adorada pela sua comunidade. O mundo aberto dá uma nova graça a um tipo de jogo que todos conhecemos. Adoro ter a liberdade de escolher o caminho, de poder atacar de frente ou ser sorrateiro e esconder-me nos arbustos. Adoro a possibilidade de explorar os recantos do mapa em busca de segredos. Depois desta beta, Elden Ring é um dos jogos que mais aguardado em 2022.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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