O que está diferente em Far Cry: New Dawn?

Levar prosperidade a Hope County, renascida das cinzas.

Foram aproximadamente três horas consecutivas a jogar Far Cry New Dawn, o próximo grande jogo da Ubisoft, com lançamento previsto para o próximo dia 15 de fevereiro, a menos de um mês, portanto. A convite da Ubisoft Espanha viajamos até aos seus escritórios em Madrid, para um primeiro contacto com o jogo que volta a decorrer em mundo aberto. Tendo em conta que a área disponível é de grande dimensão, e o tempo passado a jogar correu sem sobressaltos, ou "bugs" assinaláveis, é bem provável que nos tenha sido facultada uma versão muito próxima da final, o que é óptimo.

As impressões recolhidas a partir deste mundo pós apocalíptico de Far Cry são bastante positivas e encorajadoras. Funcionando como sequela de de Far Cry 5, retoma muitas das suas funcionalidades, mas ao mesmo tempo introduz novidades e sobretudo uma narrativa diferente, com novos protagonistas e um mundo a recuperar das cinzas, dotado de uma arte revigorante, após os acontecimentos provocados pela deflagração da bomba nuclear em Hope County, na belíssima região Montana.

Vale a pena lembrar que a Ubisoft anunciou o jogo no evento Game Awards, edição 2018, que teve lugar no passado dia 7 de Dezembro. Produzido pela Ubisoft Montreal, trata-se de uma produção quase em tempo recorde, considerando a publicação de Far Cry 5 em Março do ano passado. Mas se New Dawn é a "continuação" dos eventos de Far Cry 5, num cenário pós apocalíptico, dominado pelos sobreviventes do cataclismo nuclear e numa Hope County bastante diferente, mais colorida até, faz sentido que os fãs possam receber a nova aventura num breve espaço temporal.

Pela primeira vez, a Ubisoft cria uma sequela, um jogo que se pode definir como uma verdadeira continuação do anterior. O regresso a Hope County acontece 17 anos após os eventos finais de Far Cry 5. Apesar das diferenças mais óbvias, o novo cenário não provoca o efeito da novidade, e no entanto está diferente, há como que um renascimento e esperança, assim como as personagens dispostas a incrementar o sentido de comunidade, gerando prosperidade. Mas nem tudo corre bem. Joseph Seed, o vilão religioso do episódio anterior, foi substituído pelas Twin sisters, duas raparigas - Mickey e Lou - líderes de um grupo identificado como "Highwaymen, e que não se mostra muito interessado em participar nessa reconstrução, antes pelo contrário.

"O regresso a Hope County acontece 17 anos após os eventos finais de Far Cry 5"

É perante um cenário de quase guerra civil e violência aberta em Hope County, que somos chamados a intervir, participando numa série de missões principais e secundárias que não só nos levarão a melhorar a cidade, como ainda a melhorar o acampamento do qual fazemos parte: Prosperity.

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17 anos depois das explosões nucleares, o mundo regenera.

Prosperidade em Hope County

A deflagração das bombas nucleares no final de Far Cry 5 conduziu a uma espécie de inverno prolongado. Os céus escureceram, a vegetação secou e tudo o que era fértil e fresco entrou em decomposição, ao longo de anos. Mas isso não durou sempre e após um tempo primaveril, a vegetação regressou, as flores voltaram a colorir as paisagens e a água dos rios passou a espelhar a tonalidade azul dos céus, despontando um renovado colorido. Há pontos de equiparação, ao nível do mapa, com a área de Far Cry 5. É provável que muitos locais estejam diferentes, mas sejam identificados. Uma igreja, por exemplo, a nordeste de Prosperity, onde existe um tesouro e para a qual somos encaminhados opcionalmente, está quase soterrada. Lembrar-se-ão de como era dantes e como está agora. Partes da terra tocam o telhado, como se esta tivesse afundado, mas a sua estrutura ainda lá está, grande parte intacta. E como esta igreja, existem mais edifícios que vão imediatamente reconhecer, embora desfeitos e abandonados.

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As twin sisters são as vilãs em New Dawn, embora haja conexões com o anterior vilão.

É evidente o aproveitamento da grande área de Far Cry 5. O jogo decorre no mesmo sítio, apenas com intervalo de 17 anos de diferença, e por isso em New Dawn voltarão a ter uma extensão de jogo enorme à vossa disposição. Na demonstração podíamos aceder somente a uma pequena parte, mas ainda assim de grandes dimensões e que de carro nos sujeitava a uma extensa viagem.

Prosperity é o nosso acampamento. É lá que organizamos os recursos que trazemos das missões e efectuamos upgrade a um sem número de coisas. Na nossa base, que teremos de defender, ainda organizamos as missões principais, secundárias e posteriormente as expedições. Existe um conjunto de áreas sujeitas a desenvolvimento: melhores armas possibilitam um combate mais eficaz com inimigos mais poderosos (de nível II e III), melhores veículos permitem uma deslocação mais célere e coberta de perigos.

"É evidente o aproveitamento da grande área de Far Cry 5"

Contar com o apoio de especialistas e outras personagens no apoio ao combate é fundamental, um sistema implementado em Far Cry 5 e novamente recuperado. Podemos até melhorar o acampamento, a sua estrutura defensiva. No meio disto há um recurso essencial para o desenvolvimento de quase tudo, o "ethanol". Este combustível é a base dos upgrades não só do acampamento mas de tudo o que podemos melhorar. Os barris de "ethanol" são procurados por toda a parte e até a facção liderada pelas "Twins" corre no seu encalço, o que torna inevitável o confronto.

O "ethanol" como bem precioso

As missões da história ocupam um papel central e começam por nos levar longe no mapa, ao encontro de outras personagens. A fase inicial funciona quase como um tutorial, na qual os confrontos travados com os inimigos são equilibrados e a progressão algo linear, através de uma série de eventos que podem terminar com o resgate de alguém importante. Essas pessoas acabam por se juntar a nós, lutando ao nosso lado e entrando em Prosperity e contribuindo para a melhoria do acampamento, com o seu saber, a sua experiência e eventuais habilidades.

Já as missões secundárias, entre as quais contam-se a caça ao tesouro e recuperação de fortes (onde encontram bastante "ethanol"), são fundamentais, pois permitem obter imensas coisas, fundamentais ao desenvolvimento do acampamento. No caso do assalto aos fortes, torna-se ainda mais premente. A captura leva ao saque de todo o recheio, especialmente a quantidade de barris de "ethanol" que encontram. Os fortes podem ser tomados a título definitivo ou momentâneo: na primeira hipótese os recursos obtidos são menores, enquanto que na segunda opção há um reforço de objectos ganhos. Cabe ao jogador decidir. Desenvolver em conjunto as diferentes áreas que constituem Prosperity é essencial, se o objectivo está em querer um equilíbrio no confronto que cada vez mais se agudiza com a facção rival. Por outro lado, a história parece levar-nos por pontos interessantes, abrindo perspectivas sobre a pequena comunidade, mas em três horas não pudemos ir muito longe.

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O estilo artístico sobressai em New Dawn, especialmente pelas cores dos grafittis.

A estrutura das missões está bem conseguida, levando-nos por uma espécie de desordem e caos nos quais usamos os meios à nossa disposição; armas, veículos, fogo e ... astúcia. Continua a ser fácil chegar aos pontos, basta que primam o ícone que de imediato é mostrada uma linha, mas se optarem por avançar sem esse apoio, encontram surpresas, boas e más. Os inimigos rondam as áreas, escancarados nos telhados ou ensimesmados no átrio de uma casa, com uma arma nas mãos e apontada ao mínimo galho quebrado. Não perdem uma oportunidade para premir o gatilho, deflagrando uma batalha de imediato. Mas vale a pena gastar tempo à procura dos tesouros, tentando encontrar especialistas ou simplesmente a assaltar fortes. A quantidade de recursos que ganham é abissal e com eles podem melhorar o vosso equipamento e armas, através de um sistema de crafting organizado, e seguir por diante, no encalço do próximo capítulo da história, mais seguros e protegidos contra as ameaças.

Expedições e modo cooperativo

Desenvolver Prosperity é um quesito obrigatório, até porque ao fazê-lo ganham acesso a missões denominadas "Expedition". Trata-se de missões que acontecem noutro território e numa área diferente, longe do território principal. Para tal terão que melhorar o segmento onde está pousado o helicóptero dentro de Prosperity, tripulado por um piloto particularmente bem humorado. Assim que adquirem os recursos suficientes, ele efectua o transporte até esse alvo, uma área igualmente aberta, dando instruções para o momento da retirada ou evasão, depois de cumprido o objectivo.

"A estrutura das missões está bem conseguida, levando-nos por uma espécie de desordem e caos nos quais usamos os meios à nossa disposição"

Estas intervenções não são de espionagem ou infiltração. Mas terão que ser bem comedidos na abordagem aos inimigos e obstáculos em movimento se não quiserem alarmar o batalhão de reforços. No entanto, há um tempo limite a cumprir, pelo que terão de avançar rápido mas com cautela. Numa dessas missões avancei por uma corda que me levou até um porta-aviões. O objectivo consistia em recuperar uns dados numa sala interior e depois fugir até à praia, onde teria de aguardar pelo resgate. Não são missões muito diferentes dos capítulos reservados à história, mas ocorrem em zonas distintas, pelo que teremos muitos territórios para descobrir, dentro do mesmo tempo.

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Muitos locais de Far Cry 5 serão revisitados, mas encontrarão muitas diferenças.

Existem ainda as missões levadas a cabo através do método cooperativo, com outro jogador com quem podemos partilhar recursos. Numa delas coube-nos defender o nosso acampamento de uma investida protagonizada pela facção rival. Vagas de inimigos tentavam entrar a todo o custo. Quem defende a fortaleza adquire uma superioridade táctica, mas perante o número crescendo de inimigos, tornou-se impossível manter inviolado o reduto. Alguns inimigos acabaram por romper, tentando colocar bombas. Mas a iniciativa acabou neutralizada num rufo do relógio.

Em suma, as impressões deste primeiro contacto com Far Cry: New Dawn são francamente positivas. Percebe-se que a Ubisoft Montreal está à vontade com o novo motor gráfico e sobretudo parece encorajada a criar novas missões, fabricar uma nova história e a desenvolver uma boa parte da estrutura herdada de Far Cry 5. É verdade que o jogo tem grandes pontos de ligação e muitas das suas mecânicas e funcionalidades voltam a ser recuperadas, mas é perceptível o interesse em continuar a fabricar um mundo vivo - apesar de pós-apocalíptico - detalhado e recheado de missões a cumprir.

O Eurogamer viajou até Madrid, aos escritórios da Ubisoft, onde experimentou uma demonstração de Far Cry New Dawn, tendo a editora custeado a viagem.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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