A série Just Cause é conhecida pelas muitas possibilidades de espalhar a destruição e o caos num mapa gigantesco e, se os jogos em mundo aberto já têm fama de dar mais liberdade do que os outros aos seus jogadores, Just Cause 4 dá-te ainda mais possibilidades para fazeres aquilo que te apetece. É isto o que distingue Just Cause da pluralidade de outros jogos em mundo aberto. As mecânicas da jogabilidade, a navegação pelo mundo e a progressão estão todas direccionadas para que possas divertir-te ao máximo, com o mínimo possível de barreiras virtuais.

Depois de ter jogado mais de duas horas de Just Cause 4 num evento em Londres que decorreu na semana passada, posso dizer com firmeza que a Avalanche Studios decidiu injectar esteróides na fórmula da série e criou um jogo que consegue oferecer momentos muito divertidos. A principal razão para isto é o novo gancho de Rico Rodriguez. Se jogaste algum dos Just Cause anteriores, deves saber que o gancho permite abusar do sistema de física do jogo e criar situações hilariantes, como prender o gancho a dois veículos a deslocarem-se em direcções opostas para que estes sejam puxados para trás com uma grande força.

Just Cause 4 pega neste sistema dos anteriores e leva-o muito mais longe, dando ao jogador uma liberdade sem precedentes para brincar com a física do jogo e encontrar novas formas de causar destruição. De início, apenas terás acesso à configuração básica do gancho, mas assim que progredires, vais começar a desbloquear diferentes formas de usar o gancho e modificadores para cada uma delas. Basicamente, o que a Avalanche Studios fez foi introduzir personalização para o gancho de Rico Rodriguez, permitindo que dês um toque pessoal às configurações.

Uma das possibilidades é prender pequenos propulsores a quaisquer objectos ou pessoas. Onde a criatividade começa a surgir é no modo de activação. Podes definir que os propulsores sejam activados de forma automática ou manual. Se optares pelo modo manual, até tens duas escolhas. Podes activar os propulsores carregando simplesmente uma vez no d-pad ou controlar rigidamente a aceleração, carregando no d-pad sempre que desejes que os propulsores se activem (pensa nesta última hipótese como um pedal de aceleração). As situações realmente engraçadas surgem quando combinamos isto com as outras utilidades do gancho e com os diferentes objectos do cenário.

Foi num cais convertido num parque de diversões que surgiu a melhor oportunidade de explorar as novas possibilidades de Just Cause 4. Num carrossel tradicional, colocamos estrategicamente vários propulsores de activação manual nos cavalos. O próximo passo foi prender as pessoas que encontramos a passar ao carrossel armadilhado. Já deves estar a imaginar o que aconteceu a seguir. Activamos os propulsores e o carrossel começou a girar a uma velocidade muito maior do que o normal, criando um rodopio mortal para todas as pessoas que prendemos anteriormente. É uma imagem macabra, ver um carrossel a girar com cadáveres agarrados, mas é uma pequena amostra da liberdade que Just Cause 4 te dá.

"Uma liberdade sem precedentes para brincar com a física do jogo"

O exemplo seguinte foi uma ideia dos próprios produtores. Chamou-se um tanque (podes pedir a pilotos que te entreguem todos os tipos de armas e veículos), colocou-se balões de ar nas extremidades (outra das possibilidades do gancho), propulsores na parte de trás e voilá... eis que estamos a pilotar um tanque voador. É muito divertido explorar todas as possibilidades que o sistema de personalização do gancho permite. Há vários parâmetros que podemos definir, como a altitude dos balões de ar, a força elástica quando prendemos dois objectos e até se queremos que os propulsores expludam depois de ficarem gastos.

Para além da personalização do gancho que permite explorar os limites do sistema de física do jogo, a Avalanche Studios também introduziu em Just Cause 4 condições meteorológicas extremas. O mapa está dividido em quatro biomas e em cada um encontrarás um efeito meteorológico diferente, como tempestades de neve, de areia e inclusive um tornado, que foi o único com a qual tive a oportunidade de interagir. O efeito do tornado no mapa faz-se realmente sentir. Destrói tudo por onde passa, num vórtice que suga carros, objectos, vegetação e pessoas. Com as possibilidades do gancho, o tornado é um dos locais mais engraçados para se brincar com o sistema de física do jogo.

A tempestade de areia, que apenas vi num vídeo de gameplay apresentado pelos produtores, não me pareceu tão entusiasmante. O único efeito da tempestade de areia é reduzir drasticamente a tua visibilidade, mas não tem o efeito destruidor do tornado. Estes efeitos meteorológicos extremos estão relacionados com a história. Just Cause 4 leva-te à ilha de Solis. Nesta ilha existe um centro de investigação meteorológico e existem suspeitas de que está a causar estes efeitos meteorológicos extremos. Só existe um problema, este centro de investigação está muito bem guardado e será terrivelmente difícil descobrir o que está lá até progredires no jogo.

Robert Meyer, senior game designer na Avalanche Studios, disse na apresentação do jogo em Londres que Just Cause 4 é como The Legend of Zelda: Breath of the Wild, no sentido que o centro de investigação meteorológico é o castelo de Ganon e que podes ir lá logo no início do jogo, no entanto, será muito difícil e não estarás preparado. Do que pude jogar, a ilha de Solis é simplesmente enorme. O mapa, em tamanho, é praticamente idêntico ao de Just Cause 3, mas foi-me dito que a massa de terra é maior. O mapa de Just Cause 3 já era exageradamente grande, portanto, não estamos minimamente zangados por Just Cause 4 não ter um mapa maior. Parece-nos perfeitamente razoável.

"Just Cause 4 é como The Legend of Zelda: Breath of the Wild"

Brincar no mapa, explodir com coisas e encontrar novas formas de brincar com o sistema de física são os pontos altos de Just Cause 4. Nas duas horas que passei a jogar, também experimentei algumas missões da história. As cinemáticas, os actores de voz e os diálogos parecem retirados de um filme da série B. É claro que ninguém vai jogar Just Cause 4 principalmente pela história, e não é como se as histórias dos anteriores fossem dignas de um Óscar, portanto não fiques com expectativas elevadas. O que precisa definitivamente de ser melhorado é a condução dos veículos terrestres (carros, motos, etc). Nesta versão todos os veículos parecem um tijolo com rodas, demorando a reagir e com a direcção dura.

Fora as novidades referidas, Just Cause 4 segue na mesma direcção estabelecida pelo anterior. É um jogo focado na diversão e no ridículo, não estando preocupado minimamente com realismo e uma história consistente. O facto de que podes a qualquer momento prender o gancho a qualquer sítio, abrir o para-quedas e depois voar centenas de metros com o fato-asa mostra muito bem o espírito da série. Com a personalização do gancho e a introdução de elementos como um tornado sem fim que se move sem controlo pelo mapa, Just Cause 4 dá mais uma passo em direcção ao ridículo. As mecânicas são muito divertidas e o mapa tem uma variedade incrível de cenários, mas fiquei com dúvida se há conteúdos interessantes para que a diversão tenha uma duração a longo prazo. Só saberemos a 4 de Dezembro, quando Just Cause 4 chegar às lojas para PC, PS4 e Xbox One.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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