EA Sports vai lançar FIFA 17 ao ataque

Frostbite, narrativa e jogabilidade redesenhada: as nossas impressões.

À partida é só mais um número. FIFA 17 é tão certo como a chuva grossa de Abril no hemisfério norte do planeta ou o sol abrasivo de Junho. E no entanto, no acrescento de uma só unidade ao seu jogo de futebol com mais de duas décadas a premiar rivalidades, a EA Sports ultima uma das maiores transformações. Talvez o maior salto dado em anos, agora que a poeira da nova geração assentou e a turbulência provocada pela transição deu lugar à estabilidade para assentar novas ideias e fundações.

É com firme certeza que Nick Channon, produtor da série e Aaron Mchardy, designer de FIFA há mais de oito anos, falam pela primeira vez este ano sobre FIFA 17 - com um brilho especial -, sobre algumas coisas preparadas há mais de dois anos nos estúdios canadianos. E são grandes as mudanças. O cenário escolhido para a apresentação do jogo na Península Ibérica foi o colossal Santiago Bernabéu, casa do Real Madrid, recentemente consagrado como vencedor da Liga dos Campeões Europeus e um dos maiores clubes do mundo.

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Um palco especial para a apresentação de FIFA 17.

A EA Sports montou um palco na zona do camarote presidencial. Obtém-se dali uma visão privilegiada sobre o terreno de jogo. Nick Channon descreveu aquele como "um cenário incrível para a apresentação de FIFA 17". Não é para menos, embora tenha ficado para o final da apresentação um dos anúncios mais importantes: a exclusividade da La Liga (a primeira divisão espanhola) em FIFA. A EA Sports rematou a revelação desta aquisição, através das palavras do responsável de marketing para a Península Ibérica, uma determinação do estúdio em aproximar-se dos mais importantes campeonatos europeus, e no caso espanhol, com o Barcelona, o Real Madrid e o Atlético de Madrid à cabeça, o acordo ganha ainda mais peso.

Lembramos que nesta apresentação de FIFA 17, apenas uma porção do jogo é mostrada, assim como é facultada aos meios uma demonstração ainda limitada embora bem elucidativa das mudanças operadas no futebol por parte da EA Sports. Com Mourinho a dar voz ao "trailer", sugere-se a aproximação da produtora aos participantes activos no actual circuito mundial de futebol, não só dentro mas para lá das quatro linhas. O slogan diz-nos que o futebol mudou, mas será que em campo, nos relvados e mesmo fora deles, é de uma ruptura que estamos a falar?

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O anúncio da exclusividade da La Liga contou com a presença de Fernando Morientes, antiga estrela do Real Madrid, Mónaco e Marselha.

Com efeito, são grandes as mudanças, mas descansem se receiam por revoluções. Não é disso que se trata. FIFA não perdeu a sua marca nem o seu núcleo a que nos acostumamos por tanto tempo, embora nesta edição, sejam visíveis sinais de melhoria em termos de inteligência artificial, sobretudo no aproveitamento que os avançados farão dos espaços livres no sentido de obterem novos passes e desmarcações, visando oportunidades de golo. Esta é apenas uma das melhorias dentro da jogabilidade. Há outras e a elas voltaremos, porque para já o destaque vai para o novo motor gráfico.

Frostbite, o motor gráfico que a EA Sports pretende unificar nas suas séries

Há algum tempo que corriam rumores que apontavam para um novo motor gráfico em FIFA. Era um ponto incontornável depois de algumas dificuldades evidentes na fase de transição para a actual geração de consolas. Finalmente chegou o anúncio, com destaque para o potente Frostbite, uma poderosa máquina e tecnologia propriedade da EA, que equipa jogos como Battlefield, Mirror's Edge e o próximo Mass Effect.

Com este novo motor gráfico a EA Sports pretende proporcionar autêntica acção real. A afirmação é acompanhada através de uma imagem "in game" que nos mostra os efeitos do fumo num estádio à noite durante uma partida de futebol. Os efeitos de luz adquirem uma composição deveras realista. A produtora está focada em transmitir sensações mais próximas da realidade e o detalhe nos diversos ambientes é uma das preocupações nesta edição. A EA Sports colaborou com a DICE no sentido de garantir cenários magníficos.

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A jogabilidade recebeu muitas melhorias, uma redefinição.

A demonstração a que tivemos acesso decompunha-se em duas partes. Na tradicional era possível disputarmos uma partida rápida entre clubes. Pediram-nos que jogássemos à noite, por ser essa a condição melhor ajustada em termos de programação. Embora não fossem perceptíveis ainda grandes transformações, com alguma falta de sincronismo em certas acções, em termos de luminosidade pareceu-nos melhor, decorrendo as partidas com boa fluidez.

Poderá o novo modo história (Journey) atrair novos jogadores?

A inclusão de uma narrativa em jogos de desporto não é inédita. Entre outras produções nesse sentido está por exemplo NBA 2K16, que contou com a direcção do cineasta Spike Lee. É contudo novidade em FIFA e configura-se como uma decorrência directa da introdução do novo motor Frostbite. Journey é o primeiro grande modo desde o Ultimate Team e toda a equipa está confiante em produzir um resultado capaz de vingar as melhores expectativas.

Em The Journey o jogador veste a pele de Alex Hunter, um futebolista com apenas 17 anos que tenta romper como jogador de futebol e ganhar o seu primeiro contrato. O seu avô foi jogador, o pai foi jogador e ele irá seguir os mesmos passos. O que acontece no outro lado do relvado, para lá das quatro linhas, dependerá do nosso esforço em campo e das nossas decisões. A EA Sports acredita que proporcionará uma experiência imersiva com este périplo - atribulado - de um futebolista. O jogador assina contrato com o gigante Manchester United, entra no balneário e priva imediatamente com alguns jogadores emblemáticos do clube. Antes do primeiro contrato, vemos a casa modesta de Alex, no que parece ser mais um jogador a sonhar como tantos outros.

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Anthony Martial e os rostos vivos que a EA Sports pretende implementar.

A jogabilidade é central e tudo o que se faz no relvado conta. Na demonstração a que tivemos acesso, Alex ainda está a dar os primeiros passos no clube. Depois de algumas questões e decisões ao bom estilo da Bioware (o estúdio deu uma mão em termos narrativos), o treinador pede a Alex que cumpra 3 objectivos: que obtenha uma determinada pontuação na sua presença em campo, vença o jogo e marque um golo. Os objectivos estão ordenados por sequência crescente. Relegados para o campo por alguns minutos, conseguimos cumprir todos os objectivos. Podemos controlar apenas Alex e deixar a inteligência artificial gerir a circulação da bola por entre os outros jogadores. Um pequeno indicador luminoso aponta na direcção do nosso posicionamento correcto embora seja conveniente procurar espaços abertos e obter desmarcações. É possível, alternativamente, controlar toda a equipa, mas tem mais piada comandar só um atleta. No final, o resultado é a nosso favor por inteiro e começamos por responder às questões dos jornalistas, após o apito final. Neste quadro podemos adoptar uma postura sóbria, de equipa e humilde ou então como estrela em projecção, uma postura mais protagonista e arrogante. As escolhas ditarão a nossa evolução e muito haverá que jogar antes de conhecermos os primeiros sucessos e amarguras. A demonstração acabou após aquele breve contacto com a imprensa, mas a EA Sports fala em escolhas que poderão afectar o "manager" e os fãs. Veremos isso noutra oportunidade.

Há uma grande componente de role play, pois ao obter pontos pelos objectivos assegurados é possível gastá-los em especiais qualidades durante os treinos, como a força e colocação do remate, a resistência, a capacidade técnica para a realização de fintas, etc. Assim, se forem bem sucedidos a rematar as qualidades do futebolista serão ainda melhores.

Ao lançar a personagem para o balneário, propondo constantemente novos desafios e objectivos, a produtora pretende transmitir mais autenticidade, especialmente no relacionamento com o treinador. A EA Sports recorreu a embaixadores (jogadores de elite) que não se coibiram de dar o seu exemplo, contribuindo para uma evolução mais plausível, e até mesmo a escritores de biografias de jogadores de futebol. O cacifo do jogador, no balneário, mostra as opções sociais, pois cada jogador poderá contar a história à sua maneira. A apresentação desta componente importante de FIFA 17 terminou com um vídeo no qual observamos Alex Hunter a passar um mau bocado. Não está a jogar bem e há um jogador na calha para o substituir.

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Partidas à noite e os novos efeitos de luz.

Concluindo, as premissas do modo The Journey parecem interessantes. Ao coligar o futebol virtual tradicional com uma componente "role play" na qual acompanhamos de perto e tomamos posição activa nas decisões de um aspirante a futebolista principal da Premierleague, o modo poderá criar interesse naquele segmento voltado para as narrativas e menos hardcore, um segmento bastante preenchido. Fora do campo o papel do jogador é decisivo e tomando parte desse processo é seguramente um aliciante para muita gente.

EA Sports continua a investir na jogabilidade

Valendo-se de atletas (embaixadores) como James Rodriguez, Eden Hazard, Anthony Martial e Marco Réus, para a EA Sports a jogabilidade de FIFA 17 é rainha. O estúdio preparou uma série de melhorias e "upgrades" que globalmente aprimoram a experiência. A jogabilidade é marcadamente FIFA, requer treino, paciência e algum esforço até ser aproveitada plenamente, pelo que a próxima edição não é para menos, tal é o número de novidades em movimentos e toques de bola incorporados. Para alguns, a complexidade de FIFA é por vezes algo difícil de lidar, mas quando se obtém o melhor proveito, não há como fugir às suas qualidades.

Num primeiro quadro temos os novos penaltis, cantos e livres. Estas acções foram alvo de novos movimentos. Por exemplo, na marcação das grandes penalidades podemos determinar a velocidade com que o jogador corre para a bola. Pode ser rápido e potente no remate ou fazer a paradinha e avançar aos ziguezagues. No capítulo dos lançamentos, os jogadores podem tentar correr ao longo da linha, ganhando mais espaço. E nos cantos é possível definir com mais precisão o sítio onde a bola irá cair.

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James Rodriguez é um dos embaixadores de FIFA 17

A cobertura da bola, a protecção desta perante a pressão do adversário em situações de confronto físico e técnica foi alvo de novos movimentos. Um deles é a utilização do "stick" para o jogador receber uma bola comprida podendo dominá-la ao primeiro toque, através da recepção com o peito do pé, protegendo-a de seguida perante a aproximação do adversário. No fundo é maior o nível de controlo da bola. Eden Hazard é, na perspectiva da EA Sports, o jogador embaixador que melhor representa estes movimentos. A isso acresce um novo sistema de drible, mas atenção, os jogadores controlados pelo computador estão programados para ler inteligentemente os espaços livres e perceber onde está a bola e para onde esta poderá ir. A protecção da bola no ar é agora possível e as colisões com os guarda-redes foram melhoradas.

O sistema de inteligência activa (Marco Reus) é uma das bandeiras para FIFA 17. Há uma constante análise espacial e um melhor entendimento do que se passa em campo. Os avançados procuram abrir para espaços livres, o que significa um rompimento relativamente a FIFA 16, um jogo muito mais equilibrado em termos defensivos. O jogo no meio campo é importante, com a criação de espaço para os colegas. Isto proporciona mais oportunidades para obter golos, através de corridas dinâmicas, na diagonal. Há maior entendimento sobre o contexto da bola e para onde esta pode ser enviada. Foram adicionadas "fake runs" ou corridas em falso na tentativa de enganar o adversário e até aquela famosa finta de Cristiano Ronaldo foi junta. A EA Sports quer fazer desta uma nova plataforma em termos de inteligência artificial para os futuros jogos da série.

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Alex Hunter estreia-se no Manchester United, mas poderá assinar por qualquer um dos clubes da Premierleague.

No ataque, Anthony Martial (o jovem avançado do Manchester e uma das maiores contratações do último defeso) é a referência em novas técnicas de ataque. Destaque para o passe a romper quase toda a largura de campo, passando muitas vezes pelo segundo jogador para chegar a tempo do extremo mais distante e apto para cruzar com perigo. Entre habilidades técnicas, tackles e sprint em drible, perspectivam-se significativas mudanças. A jogabilidade alicerçada nestes quatro pilares é central em FIFA e continuará a merecer ajustamentos até à versão final, uma vez que na demonstração ainda verificamos algumas falhas, especialmente nas colisões. Contudo, as mudanças imprimidas vão tornar a jogabilidade mais fluida e ligeiramente diferente do ano passado. A produtora promete ainda mais animações faciais (a expressão dos jogadores está melhor).

FIFA 17 representa uma grande aposta e um considerável investimento por parte da EA. O afinco notório no modo The Journey, a inclusão de um novo motor gráfico capaz de mais e melhor produção visuais, assim como um investimento claro na jogabilidade, farão desta edição uma das mais importantes em vinte anos. Com a exclusividade da liga espanhola a EA Sports adquire uma posição privilegiada junto de mais uma importante competição, podendo daí colher dividendos para o futuro. Ficou ainda muito por saber, especialmente sobre novos modos de jogo, ligação com os eSports e o sempre tentador Ultimate Team. A seu tempo serão divulgadas as novidades e nós cá estaremos para as experimentar e divulgar.

O Eurogamer viajou até Madrid a convite da Electronic Arts tendo esta custeado as despesas da viagem.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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