No Man's Sky - Antevisão

Um dos jogos mais ambiciosos de sempre.

Custa a acreditar que um estúdio tão pequeno como a Hello Games possa ter criado algo tão grandioso e ambicioso como No Man's Sky, um jogo de dimensões tão grandes que mesmo que cada planeta fosse descoberto a cada segundo, seriam precisos 5 mil milhões de anos para descobrir todos os planetas presentes no universo do jogo. Parece mentira ou algo extremamente exagerado, mas não é. Foi o próprio fundador da Hello Games, Sean Murray, que o afirmou durante uma apresentação na Gamescom 2014, mandando uma mensagem a todos aqueles que acusaram o jogo de não ser infinito. Na realidade não é infinito, mas é tão grande que podem passar a vossa vida a explorá-lo e não chegarão ao fim.

Como pode existir um jogo de tal tamanho? Obviamente que toda a informação não está contida no disco do jogo, nem na "nuvem" ou qualquer outro sítio. No Man's Sky funciona e foi tornado possível devido a um algoritmo bastante complexo que basicamente calcula todo o universo com base num número (curiosidade, o número é o contacto telefónico de um dos produtores). O mundo à nossa volta está sempre a ser gerado, deste modo, toda esta informação desvanece assim que deixam aquela zona. Mas como o número do algoritmo é fixo, aquele local será igual ou muito semelhante da próxima vez que voltarem lá.

Pode-se dizer que, de facto, No Man's Sky tem um universo constituído por planetas com dimensões reais à espera de serem descobertos. Nestes planetas vamos encontrar vida, que semelhante aos planetas e resto do universo, também são gerados com base num algoritmo. Tudo o que os produtores fazem é criar moldes e peças para as criaturas, depois o próprio jogo faz as suas combinações e esquemas de cores. Uma só criatura tem centenas de variações, só para terem uma ideia da escala do jogo. Uma forma fácil de pensar nisto é fazer uma analogia com o acto de criar uma personagem para um MMO, que também tem muitas variações.

Embora antes de No Man's Sky tenha havido Joe Danger, que foi o primeiro jogo da Hello Games, quando os fundadores do estúdio decidiram deixar os seus empregos em grandes produtores (Sean Murray trabalhava na Criterion), o jogo que tinham em mente criar era No Man's Sky, que nasceu com o nome Project Skyscraper (Projeto Arranha-Céus). Este nome surgiu porque um dos produtores decidiu no último minuto que não iria deixar o seu emprego para fundar a Hello Games, o que levou Sean a escrever um email para o influenciar, usando arranha-céus e pequenas casas criativas para fazer uma comparação.

Os arranha-céus eram os grandes jogos, enquanto as casas criativas com arquitetura diferente do habitual eram os jogos que a Hello Games queria fazer. Em resposta, o produtor indeciso perguntou a Sean se algum dia a Hello Games poderia criar o seu próprio arranha-céus, com a sua arquitetura diferente. Foi assim que nasceu No Man's Sky, que só ganhou este nome em meados de dezembro, pouco antes da apresentação nos VGX. Até lá chamava-se Project Skyscraper.

Joe Danger foi um meio para alcançar um fim. Esse fim é No Man's Sky, que Sean Murray confessa ser o jogo que sempre quis fazer, inserido no género da ficção cientifica e com a possibilidade de estar nos limites do universo a descobrir novos planetas, a pisar chão que nunca ninguém antes pisou. A ideia em si abre logo a imaginação, mas não é só a ideia que deixa espanto, a execução de No Man's Sky não podia ser melhor.

Durante a apresentação a que assisti, foram visitados vários planetas, e uma dos pontos destacados foi que não existe nada pré-meditado em No Man's Sky, não há nenhuma cena ou momento que os produtores tenham criado para aquela situação. Tudo é criado pelo algoritmo e os jogadores terão a oportunidade de criar os seus momentos mágicos. Não há missões e não há objetivos. Cada um terá liberdade total para escolher o que quer fazer.

"É um claro exemplo que o único limite para os videojogos é a nossa imaginação."

A única limitação que poderá haver na exploração do universo serão os recursos. Para explorar o universo vão precisar de uma nave capaz e rápida, o que implica gastar o dinheiro in-game a melhorá-la. Em cima disto, a nave vai precisar de combustível para as viagens longas. Portanto, a exploração estará restrita aos vossos recursos. Foi dito que todos os jogadores vão começar a aventura no extremo do universo, e a Hello Games está a prever que um dos objetivos mais populares será chegar ao centro, o que deverá ser uma tarefa longa e exigente.

No Man's Sky parece fantástico e entusiasmante, mas Sean Murray não teve problemas em dizer que poderá haver momentos em que o jogo poderá tornar-se aborrecido porque determinados planetas poderão ser desinteressantes, uma consequência da não-linearidade. É uma consequência que certamente qualquer um estará disposto a aceitar e dificilmente pode ser apontada como uma falha, quando temos um jogo pioneiro como este pela frente.

O panorama atual dos videojogos tem promessas incríveis para o futuro e No Man's Sky é uma delas, tendo o mérito de ser um dos jogos que está a levar a indústria para a frente, e é um claro exemplo que o único limite para os videojogos é a imaginação e criatividade.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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