Mega Man 9

O azul volta a estar na moda.

Seja algo tão simples como uma música que recordamos na integra apesar de terem passado anos desde que a ouvimos ou uma obscura referência, vários pormenores podem, à partida, influenciar a nossa aceitação das coisas. Mesmo que isto aconteça de forma subconsciente ou até irracionalmente.

Zack & Wiki: Quest for Barbaros Treasure aproveita, por entre muitas mortes e uma experiência reminiscente das aventuras gráficas de outros tempos, para prestar homenagem à Capcom e seus jogos. Afinal, trata-se de um título dessa mesma empresa cuja indelével presença na indústria pode ser exaltada sem vergonhas. Nostalgia é a palavra de ordem, e por muita indiferença (ou curiosidade) que esse conteúdo extra possa gerar, não passa disso mesmo, acessório.

Anunciado para o Wii Ware (e já confirmado para PSN e XBLA), Mega Man 9 possui um visual muito característico, levantado directamente das raízes da saga. Talvez para apelar directamente aos fãs dos primórdios da série, a chamada nostalgia.

Isto apesar de a sétima (e oitava) iterações da série original já terem feito esforços nos que diz respeito a aumentar a complexidade das sprites utilizadas, algo que tem sido regra com o avançar dos anos nos muitos – mesmo muitos - jogos que ostentam o nome Mega Man (isto, claro, caso não optem por simplesmente reutilizar as sprites de jogos anteriores).

As sub-séries e universos paralelos proliferam, mas Mega Man, só assim, sem quaisquer adendas ao nome, já não agraciava as consolas desde meados da década passada. Sprites dignas de um sistema de 8-bits, além de um regresso às origens, não passa de algo acessório, um primeiro passo para uma outra ilação.

Aquilo que sempre caracterizou a série original do azulado destruidor de robôs foi a sua objectividade. Cada nível ultrapassado – e respectivo “mestre” robô derrotado – equivale a uma nova arma adicionada ao arsenal. A diversão inerente a experimentar as diferentes armas acoplada a percorrer níveis variados e apropriadamente exigentes, impera.

No fundo, é possível interpretar esta decisão como um reconhecer que Mega Man não será "melhorado" por elementos que se revelam acessórios. Que gráficos altamente realistas ou grandes alterações no núcleo do jogo em si são infrutíferas e melhor guardadas para outros esforços. Trata-se, por assim dizer, de refinar uma experiência.

Optar por assumir uma identidade que é já reconhecida pelo seu passado e focar esforços no essencial. Claro que isto não implica que se deva aumentar a complexidade dos restantes elementos do jogo, aquilo que realmente importa é que estes não contenham falhas.

Mesmo assim, o jogo aproveita para conter uma "inovação" no mínimo peculiar, este será o primeiro jogo a conter um(a) mestre robô feminina, a primeira entre dezenas de oponentes que Mega Man já teve de enfrentar.

Pelo menos, é isto que eu pretendo depreender da opção da Capcom. Ainda falta muito para saber se a intenção sairá gorada ou se o jogo realmente estará ao nível dos seus mais ilustres predecessores, e até lá podem discordar ou concordar comigo. Talvez mencionar uma outra reconhecida série cujos responsáveis deviam ter este ponto de vista em mente?

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