A Ubisoft quer reconciliar-se com os fãs em Assassin's Creed Syndicate - Antevisão

À beira da revolução industrial.

Poucos dias depois da polémica que se instalou nas comunidades e nos fóruns sobre os "bugs" e problemas que afectaram Assassin's Creed Unity, em Novembro do ano passado, a Ubisoft não se fez rogada e prontamente anunciou Assassin's Creed Syndicate, o novo episódio da série, assente em Londres, na época vitoriana. Pese embora as críticas e as manifestações de descontentamento de muitos jogadores, a Ubisoft acabou por corrigir muitos dos problemas que afectaram o jogo, lançando sucessivos "patches" que os tornaram mínimos. Não obstante, Unity é um bom jogo, com muito para explorar e descobrir numa das melhores representações de Paris em formato videojogo.

Mas como sucede com outras séries que enveredaram por lançamentos mundiais, a produção de Assassin's Creed vem sendo cada vez mais ambiciosa, ao ponto da Ubisoft conectar diversos estúdios. Só que com prazos de produção apertados e "deadlines" marcadas no calendário, o tempo que daria a oportunidade para as diferentes equipas de produção coordenarem melhor as suas tarefas e polirem o jogo, simplesmente não existe. A Ubisoft é uma grande editora, com diversos estúdios espalhados pelo mundo, mas ainda não consegue alternar a produção como faz a Activision com a série Call of Duty, dando dois ou mais anos de produção para um novo jogo, o tempo necessário para o desenvolver.

É verdade que vivemos num tempo de alguma normalidade no que toca à descarga de correcções no primeiro dia. Ainda o jogo está a ser "imprimido" e já os produtores preparam um volume de correcções. Longe vão os tempos de um jogo lançado não podia mais ser emendado. Mas a Ubisoft não vacilou perante uma fortíssima contestação ao seu jogo. Aliás, nas semanas seguintes ao lançamento Assassin's CReed Unity conseguiu uma boa prestação no mercado. Até 31 de Dezembro de 2014, Unity (PS4, One e PC) e AC: Rogue (PS3 e 360) tinham vendido 10 milhões de unidades, um número que deixou a editora muito satisfeita. Far Cry 4, um jogo bem aceite pela crítica, vendeu quase no mesmo período 7 milhões de unidades. Apesar do tumulto gerado por algumas comunidades, Unity somou e seguiu.

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Londres divide-se por distritos. Os principais pontos e emblemas da cidade estão fielmente representados.

O novo trailer de AC: Syndicate foi recebido com algumas críticas, mas foi valorizado também por quem viu na representação da Londres vitoriana, no começo da revolução industrial, um espaço perfeito para novas lutas e abordagens furtivas. Em Unity apreciei a inclusão da revolução francesa dentro do tema que tem pontuado o desenvolvimento do herói, como assassino e na luta contra os templários. Em Syndicate haverá novas ligações, até mesmo com personagens históricas como Charles Dickens. É uma época de lutas, com o povo operário insatisfeito e a dar sinais de contestação ao poder capitalista. Neste quadro de forças, em 1868 Londres está à beira da revolução industrial.

À semelhança do que vimos em Paris no jogo AC Unity, também em Syndicate o foco da exploração é unicamente a cidade Londrina. Isto não exclui uma e outra saída da cidade, como aconteceu por exemplo com Versalhes, mas por enquanto e numa primeira apresentação à porta fechada durante a E3 ficamos a saber que o mapa de Londres é significativamente maior que Paris mas que toda a acção decorre dentro da cidade, muito bem representada, com pormenores relevantes e monumentos icónicos trabalhados ao mais pequeno detalhe.

A cidade de Londres está dividida por distritos e muitas missões implicam a tomada de posse do nosso herói, à custa da força claro está. Para tal, Jacob Fry, assim se chama ele, terá que escalar edifícios, servindo-se do gancho e corda para trepar mais rapidamente, num movimento algo similar ao de Batman. Na demonstração que começamos por visualizar, contou-nos a produtora Nathalie Jasmin que o sistema de combate é ainda mais brutal do que jogámos em Unity. As estocadas finais são violentas e com um grau de crueldade ainda maior. As carruagens movimentadas a cavalo são um símbolo dessa época e como tantas estão em movimento pela cidade, será fácil e necessário subir a bordo de uma e tomar a direcção do destino em alternativa às correrias pelos telhados.

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Combates em veículos em movimento serão muito frequentes nesta edição de AC.

Os inimigos abeiram-se e saltam para o topo do veículo, perturbando o herói, sentado com as rédeas dos cavalos nas mãos. Neste momento podemos confrontá-los, lançando um contra ataque rápido. O mesmo contra ataque sucede momentos depois no topo de uma carruagem em marcha. Pouco antes desse confronto passamos pela famosa estação de Vitória, totalmente representada e cheia de pessoas. Existem comboios a chegar e a partir, uma parte importante da revolução industrial. O Big Ben é outro dos monumentos históricos mostrados durante esta apresentação, com captura de jogabilidade. Toda a área envolvente, como o parlamento está no jogo e será explorada.

Se a visualização desta demonstração à porta fechada nos deu uma ideia muito mais precisa e avançada do impacto da industrialização, a demonstração que pudemos jogar pouco depois e mesmo ali ao lado, mostrou-nos as particularidades do combate, a aproximação aos inimigos, o uso do gancho e cabo para escalar mais depressa até ao topo dos edifícios e como utilizar dardos embebidos numa substância alucinogénica podem levar as pessoas a confrontarem-se.

Tudo começa num bar tipicamente londrino, numa roda de "bandidos" e umas canecas de vinho à mistura. Pouco depois estamos envolvidos na missão, seguindo os adversários usando a definição que nos permite controlar os movimentos do adversário através da parede. A deslocação pelos telhados não é muito diferente, mas o gancho e o cabo afectam significativamente a forma como deslocamos a personagem, com mais velocidade. Entre edifícios e depois de fixo o cabo no outro lado, deslizamos como quem faz rapele.

A partir daqui abrimos caminho às possibilidades para neutralizar os inimigos. Podemos seguir o caminho mais fácil mas complicado; ir para junto deles e despoletar um combate melee. Ou, em alternativa, podemos começar por eliminar um a um usando as técnicas furtivas de aproximação. Quando dois ou três inimigos se encontram próximos, a melhor opção é mesmo utilizar os dardos alucinogénicos. Eles entram em luta e acabam por cair redondos. Mais à frente encontramos um conjunto de barris suspensos num guindaste. Com uma pequena faca cortamos a corda à distância, libertando os barris sobre o corpo de um pobre adversário.

A forma como executamos as missões depende do nosso critério. Explorar o ambiente e perceber o que podemos usar do cenário a nosso favor parece produzir mais recompensas. E com os itens certos, mais hipóteses temos para anular as ameaças existentes. Aberto o caminho até à próxima área assinalada no mapa, entramos numa nova carruagem perseguindo outro veículo em movimento controlado por uma mulher. Nesta parte ainda eram visíveis alguns bugs. O contacto da carruagem com as pessoas na estrada ainda carece de ajuste e nalguns pontos as saídas estavam bloqueadas, aqui talvez para efeitos demonstrativos.

A porção jogável disponível nesta E3 acabou com uma luta de rua pela conquista do distrito, feita com recurso aos punhos e ataques corporais. Finda a batalha somos recompensados e informados pela conclusão de mais uma missão. Veremos até que ponto estes novos elementos afectam a condução das missões. Por enquanto, as principais alterações repousam no sistema de combate melhorado, na inclusão dos veículos como meio de movimentação e no gancho e cabo como via para escalar mais depressa e atravessar os edifícios com eficácia e estilo. À semelhança do que fizeram com Paris em Unity, também esta Londres vitoriana se revela repleta de locais icónicos e pontos onde a história aconteceu. A banda sonora assenta bem nas diversas fases por que passamos. Resta saber como esta construção e ideias vão funcionar conjuntamente quando o jogo sair lá para Novembro. A Ubisoft está empenhada em repor uma imagem diferente da que deixou com o jogo do ano passado, escolhendo um novo território para marcar a reconquista da confiança dos fãs.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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