The Last of Us - Antevisão

Naughty Dog continua a surpreender.

Afinal o estúdio que faz apenas um jogo de cada vez quebrou a rotina e esteve a trabalhar em dois projetos ao mesmo tempo, o já lançado Uncharted 3: Drake's Deception e o The Last of Us, anunciado em fins de 2011. Mas será que a Naughty Dog ao enveredar por duas produções de grande escala deixará cair a qualidade dos seus produtos? A resposta parece ser um redondo não.

Existe já um estigma em cima dos jogos da Naughty Dog e a qualidade parece ser um dado adquirido, e a série Uncharted é uma prova disso, com dois jogos com nota de 9 em 10 e um com a nota máxima na Eurogamer Portugal. O peso do estúdio é tal que a pressão sobre a equipa é enorme, confirmado já pelo estúdio, mas que é algo que obriga ainda mais a irem em busca da excelência.

The Last of Us está a ser produzido por uma equipa paralela, diferente da de Uncharted. A liderança do projeto está entregue a Neil Druckmann, que fala sobre o jogo com um enorme entusiasmo e alegria. Alegria parece ser algo que reina no seio do estúdio, sendo considerado como um dos melhores da indústria para se trabalhar. Mas deixemos de falar do estúdio e falemos daquilo que já foi revelado sobre The Last of Us.

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Ellie e Joel têm muito que suportar

A premissa é bastante simples, pelos menos numa análise mais direta. Temos uma menina de 16 anos (antes tinha sido referido 14 anos), chamada de Ellie, cujos movimentos e voz toma emprestado à atriz Ashley Johnson. Ellie vive num mundo pós-apocalíptico, destruído por uma epidemia de um fungo chamado de Cordyceps, que ataca o hospedeiro, crescendo de dentro para fora do corpo. Ellie já nasceu neste mundo, e nunca conheceu como era antes. A única forma de viver o passado é pelos destroços deixados desde o início da epidemia. São constantes os comentários a posters de cinema, à arquitectura de prédios ou simples sinais e jornais. Aliás, a Naughty Dog comenta que deveremos investir o nosso tempo em descobrir os ambientes pois são ricos em pormenores.

Ellie vive numa cidade refugio, mas sem sabermos porquê, um homem chamado de Joel resgata Ellie e tem que a proteger devido a uma promessa dada a um homem moribundo, que até ao momento não foi revelado de quem se trata. Joel é a personagem que controlamos, e encarregue de quase todos os trabalhos mais sujos.

Mas até aqui quase todos os nossos leitores deverão saber a sua história. O que foi mais destacado na apresentação na E3 foi a componente gameplay, algo que ainda não tinha sido mostrado em pormenor, pelo menos as suas mecânicas. A Naughty Dog acredita que tem um jogo extremamente dinâmico, e que diferente de Uncharted, em The Last of Us, não temos acesso a recursos quase ilimitados, pelo menos em armamento. Aliás, The Last of Us não parece um jogo de ação, mas sim mais de sobrevivência, de aguentarmos mais um dia vivos.

O estúdio entrega esta mecânica na forma de um sistema de pára e arranca. Existe um enorme contraste da calmaria da caminhada, da descoberta e pesquisa e as alturas onde somos confrontados por inimigos (sejam eles humanos ou os infetados) que buscam e recolhem todo o tipo de recurso e que vivem à margem, em grupos de salteadores. Sobre os infetados, revelados no primeiro trailer, mais nenhuma informação foi dada.

A demo começa logo após Ellie e Joel terem sido abalroados por um camião quando percorriam a cidade em destroços com a sua carrinha. Veem-se presos dentro de um café, e bloqueiam as entradas das portas. É muito difícil perceber, sem estarmos com o comando na mão, o que é gameplay e cinemática. A ausência de um HUD, a ausência de sinais de direção, e os fantásticos diálogos perfeitamente naturais e contextualizados contribuem ainda mais para essa confusão.

Um dos objetivos de mostrar a mesma demo que foi apresentada na conferência da Sony é a de revelarem o sistema de escolhas do jogo. As escolhas não são algo óbvias, de "queres isto ou aquilo". As escolhas são naturais, de ir por esta porta ou aquela, de prosseguir por aqui ou por ali. Os resultados intermédios foram muito diferentes, bem como o final.

"The Last of Us não parece um jogo de ação, mas sim mais de sobrevivência, de aguentarmos mais um dia vivos."

Se na demo da E3 o final acabou numa morte à queima roupa de caçadeira, na apresentação à porta fechada acabou com uma perseguição por corredores e quartos, onde Joel dá um tiro ao último inimigo, mas este não morre. Então lançamos um cocktail molotov, previamente produzido no inventário do jogo, mas mesmo assim não acertamos. Por fim o inimigo vem em direção a Joel, que dispara de forma certeira, fazendo com que o inimigo cambaleie até ele, não antes de passar pelo fogo e começar uma perna da calça a arder.

Esta cena é digna de uma cinemática, mas o facto é que não é. Joel poderia não ter atirado o cocktail molotov. Joel poderia não ter apanhado o inimigo naquele local. Poderia por exemplo ter acertado logo no início. Mas por outro lado, temos que colocar em cima do estúdio uma dúvida, a de que eles mostraram as cenas exactamente como queriam, sabendo o resultado de cada ação. Apesar de estarem sempre a jogar, será que o jogador, de forma imprevisível e com ações mais estranhas do que seguir uma forma cinemática, irá presenciar sempre estas cenas dignas de filmes? Somente jogando iremos poder comprovar tudo isto. Mas certo é que a mesma demo foi mostrada de uma forma completamente diferente.

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Sobre o Autor

Jorge Soares

Jorge Soares

EG.pt Master of Puppets

Sempre ocupado e cheio de trabalho, é ele quem comanda e gere a Eurogamer Portugal. Queixa-se que raramente arranja tempo para jogar, mas quando está mesmo interessado num jogo, lá consegue arranjar uns minutos. Tem mau perder e arranja sempre alguma desculpa para a sua derrota, mas no fundo, é o que todos fazemos.

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