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Tiny Tina´s Wonderlands - Um Borderlands em tudo menos no nome

Uma ideia genial, que acaba demasiado presa a uma fórmula gasta.

Tiny Tina´s Wonderlands é um jogo que, por um lado mostra desejo de fazer algo diferente, mas por outro lado está preso a uma fórmula gasta, que já esgotou as surpresas, diversão e satisfação de outrora. Apesar de à primeira vista parecer diferente dos restantes Borderlands, quanto mais horas investia, maior era a sensação de que já tinha vivido isto nos jogos anteriores da Gearbox. As primeiras horas foram divertidas, só que depois caí numa espiral de repetitividade cansativa, com missões pouco imaginativas, demasiado baseadas no habitual "vai ali e mata tudo, vai para o outro lado e mata tudo também." Todos os jogos de tiros acabam por sofrer deste mal, mais cedo ou mais tarde, mas num jogo que facilmente ultrapassa as 30 horas, era preciso um pouco mais de variedade, sobretudo porque estamos perante uma fórmula que já tem mais de 10 anos e que deu origem a múltiplos jogos e conteúdos adicionais. O efeito novidade já está gasto e a sensação de repetitividade tem tendência para instalar-se mais cedo.

O conceito deste spinoff vem dos tradionais RPGs de mesa, como o clássico Dungeons & Dragons. O jogador assume o papel do Fatemaker, um herói lendário cuja sina é derrotar o Dragonlord, mas antes terá, claro, que viver várias aventuras e ficar mais forte para o grande final. Enquanto isso, a narração é feita por Tiny Tina´s - uma personagem conhecida e adorada de Borderlands - que é quem controla o desenrolar dos acontecimentos, juntamente com os seus companheiros. A ideia tem imensa piada e, acima de tudo, está bem executada. Tiny Tina´s Wonderlands funciona como uma sátira aos RPGs de mesa e daí surgem piadas e momentos engraçados. É de longe a melhor parte do jogo e o factor diferencial comparativamente aos anteriores Borderlands.

O mundo dividido por um tabuleiro

O mundo de Tiny Tina´s Wonderlands está espalhado por um tabuleiro, mas não tens que lançar os dados para movimentar a tua personagem. Controlas directa e livremente a direcção para onde vai, se bem que existem zonas bloqueadas inicialmente, pelo que a tua única opção é mesmo seguir em frente, por onde a quest principal te manda. Mais tarde, quando chegares à cidade principal, encontráras quests opcionais, que te levarão a novas áreas ou para zonas anteriores. Enquanto navegas pelo tabuleiro, se passares por ervas altas, podes dar de caras com um encontro aleatório com inimigos. A partir desse momento, a perspectiva muda, passa para a primeira pessoa e transforma-se num jogo de acção tal como os Borderlands que tu conheces.

Esta troca de perspectiva também acontece quando entras nas diferentes áreas ou em pequenas dungeons. Aqui o jogo transforma-se basicamente num Borderlands em tudo menos no nome. A tua personagem começa com uma classe, que tem as respectivas habilidades, e mais tarde pode escolher outras, mas a jogabilidade comporta-se como um Borderlands. Há sempre imenso loot para apanhar, ainda que a maioria seja lixo, coisas para deitar fora porque não é assim tão comum encontrar coisas melhores do que as que tens. Além disso, a gestão de inventário é uma confusão. Um jogo em que podes apanhar tantos itens merecia algo mais intuitivo. Aconteceu-me apagar itens que tinha equipados, sem me aperceber do que estava a fazer.

Ao longo de dezenas de horas, percorres o tabuleiro, ganhas acesso a novas áreas, conheces personagens bizarras e interessantes, e vais ficando mais poderoso. O humor está no ponto, e apesar de nem toda a gente sentir afinidade por este tipo de humor parvo, a escrita dos diálogos está absolutamente brilhante. Apesar de haver uma grande quantidade de armas para experimentar e de progredires a arvore de habilidades da tua personagem, comecei a sentir cansaço antes de chegar a metade do jogo. A jogabilidade está afinada, mas a sensação predominante foi que estava sempre a fazer o mesmo. Havia uma grande necessidade de ter mais variedade, até porque o conceito o permitia. Em vez disso, a fórmula está muito tangente a Borderlands.

O modo cooperativo continua a ser uma atracção

A possibilidade de jogar em modo cooperativo tornou-se num dos pilares centrais da franquia Borderlands. Em Tiny Tina´s Wonderlands, continua presente. A qualquer momento podes juntar-te a mais jogadores e completar qualquer quest principal ou secundária na companhia de mais jogadores. Qualquer jogo é sempre mais divertido com companhia e isso verifica-se aqui. Dito isto, também podes terminar o jogo inteiro a jogar sozinho. A dificuldade é moderada, por isso dificilmente sentirás a necessidade de chamar alguém para te ajudar (a não ser claro que precises de ajuda para ter mais diversão!).

A jogabilidade está afinada, mas a sensação predominante foi que estava sempre a fazer o mesmo

Visualmente, tanto o motor do jogo como o estilo visual precisavam de uma revisão. É mais uma das facetas em que se nota que a equipa ficou demasiado próxima dos jogos anteriores. Não há realmente nada a destacar e não houve nenhum momento ou cenário que me tenha arregalado os olhos. Em desempenho, os jogadores podem escolher um modo de 4K e 60 FPS, ou 1080p e 120 FPS. Joguei as primeiras horas a 120 FPS, mas a falta de resolução é bastante notória se estiveres a jogar numa tela 4K - diria até que a 1080p, devido ao estilo visual, torna-se visualmente mais confuso. Na PS5 os loadings são rápidos e ainda tens suporte para funcionalidades como gatilhos adaptativos.

Apesar da maquilhagem diferente, a cara de Tiny Tina´s Wonderlands continua a ser a mesma de Borderlands. Se já conheces a fórmula da Gearbox, não esperes encontrar nada de novo aqui. É o mesmo estilo de looter shooter que levou o estúdio a alcançar a fama actual. A ideia de edificar o mundo num tabuleiro está genial, mas ultimamente não faz grande diferença se o resto do jogo é tão parecido com os anteriores. Para um "spinoff", e para um estúdio que costuma ter ideias tão loucas, Tiny Tina´s Wonderlands peca por ser demasiado comedido.

Prós: Contras:
  • Diálogos brilhantes e piadas parvas
  • Mundo do jogo em forma de tabuleiro
  • Uma chuva constante de loot
  • Modo cooperativo para quatro jogadores
  • Cada arma pode ser radicalmente diferente das outras
  • A fórmula já está gasta e precisava de algo mais
  • O motor precisava de ser renovado, não parece um jogo next-gen
  • Falta de variedade, cansativo antes de chegar o final
  • Há zonas confusas de navegar

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Sobre o Autor

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Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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