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The Jak and Daxter Trilogy - Análise

Clamoroso pedido de atenção.

A exploração perde importância, substituída em grande parte por recompensas de combate. As Precursor Orbs continuam a existir, mas a sua importância está centrada no desbloqueamento de alguns segredos, que permitem jogar de formas diferentes. Se o primeiro é, acima de tudo, um jogo de plataformas, já este é mais um jogo de ação. E por isso é também mais cinemático, recorrendo mais vezes a animações e diálogos entre várias personagens. Até porque Jak II é altamente rico em personagens e estabelece nas suas ligações um dos pontos mais fortes do jogo.

O enredo, no qual Jak e Daxter tentam travar a operação do Barão Praxis, traz desde logo uma série de possibilidades, pois o clima vivido na cidade é propicio ao aparecimento de forças de intervenção. E é isso mesmo que acontece, enquanto Jak corre a cidade de um lado para o outro cumprido recados para as mais diversas entidades. Cada uma destas passagens é introduzida através de interações com outras personagens, o que mais uma vez salienta a importância do diálogo nesta aventura. O próprio enredo é muito mais complexo que o do primeiro jogo, seja pelos acontecimentos principais ou por todas as personagens que apresenta.

Marca um ponto de transição na série para um aspeto que é de facto mais adulto, mas na mesma enquadrado com o anterior jogo. A cidade aberta à exploração, com diversas zonas interligadas, os diversos tipos de eventos, como corridas ou disparos, ou até mesmo a narrativa, com diversas personagens ativas, são elementos que se tornam um padrão da série, mais tarde seguido por Jak 3, o último da trilogia. Ainda que nesta segunda inserção já se notem melhorias significativas no motor gráfico, estas são essencialmente visíveis nas animações das personagens durante os diálogos.

Jak 3 vem decididamente continuar aquilo que foi começado no segundo jogo da série. Mais uma vez, estamos perante um jogo de ação acima de tudo. Os tiroteios voltam em grande escala e os antigos veículos são substituídos por buggies, com os quais vão percorrer a wasteland em fervorosas corridas e batalhas. E o funcionamento dos mesmos é realmente interessante - são divertidos de controlar e cada um conta com uma série de habilidades para cada tarefa que é proposta ao jogador. Aliás, funcionaram tão bem que foram posteriormente utilizados em Jak X.

Em todos os aspetos é um jogo condizente com o segundo da série, quer seja na construção do mundo aberto ou na forma como as missões são introduzidas. O enredo volta a ser o maior ponto de interesse, por entre personagens e situações que raramente deixam de ser interessantes ou apelativas. Novas habilidades e indícios das vivências de Jak são introduzidos com o decorrer da aventura, enquanto vagueiam uma vez mais em busca de missões num cenário completamente novo.

"O trabalho feito pela equipa de remasterização é notável."

O terceiro jogo acaba por, naturalmente, ser o que melhor aproveita a evolução gráfica da Playstation 2 e, consequentemente, também aquele que retira mais partido desta transição. Isto é particularmente observável na riqueza da construção dos cenários, agora relativamente mais pormenorizados. Mas repito, de uma forma geral, qualquer um destes jogos tira enorme partido deste "lifting". O aspeto conseguido faz inveja a muitos jogos da atual geração. E é de salientar o cariz intemporal destes jogos, qualquer um deles com um estilo único e incomparável.

São jogos apelativos e familiares e, tanto é que, uma vez feito o contacto com qualquer um dos jogos, será impossível não ficar com vontade de jogar e continuar a jogar. O maior senão que aqui encontrei diz respeito às câmaras de jogo. Por defeito, estas vêm invertidas, sendo que é possível modificar. Mas mesmo que o façam, a câmara no modo zoom nunca se comporta decentemente, à exceção do último jogo. E mesmo em jogo, ocasionais problemas com a câmara poderão surgir em zonas apertadas, pois estas têm um funcionamento por vezes desenquadrado para os padrões atuais.

Seja como for, o trabalho feito pela equipa de remasterização é notável. É claro que algumas coisas poderiam ter sido alteradas, nomeadamente um reajuste no funcionamento da câmara. Mas bem, se o objetivo era captar toda a essência da série Jak sem alterar aquilo que haviam sido os originais jogos, então tiro o meu chapéu, pois como fã de Jak não poderia ficar mais agradado. Uma série que acertou em tantos pormenores desde o seu começo, mas acima de tudo um marco na representação de uma dupla que soube crescer com os vários jogos.

The Jak and Daxter Trilogy representa a demanda de um herói ao longo das diversas fases da sua existência. Uma caminhada que começa in media res, mas que rapidamente nos dá relances sobre a vida de Jak desde o seu verdadeiro início. Todos os jogos são únicos e oferecem uma experiência diferente. Uma evolução que é notada não só na personalidade e caracterização de Jak, mas também nos ambientes onde se insere e nos poderes que este adquire. Tudo resulta em concordância e, no fim, a trilogia funciona como um verdadeiro todo.

No final do dia, esta é mais uma coleção a não perder, não só para os que deixaram passar as aventuras de uma das duplas de maior sucesso dos videojogos, mas também para aqueles que querem redescobrir a série e perceber porque gostaram tanto desde universo em primeiro lugar. Mais ainda, vem levantar uma questão que os fãs nunca deixaram enterrar: onde paira esta dupla? Se este não for o pedido de atenção capital, então não sei o que será.

9 / 10

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Sobre o Autor

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Ricardo Madeira

Colaborador

É redator e dá voz à Eurogamer Portugal. É um dos mais antigos membros da equipa, e ao mesmo tempo um dos mais novos. Confusos? É simples.

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