Ghost of Tsushima: Director's Cut - review - Uma nova poesia samurai

Iki gosto me deu!

Pouco mais de um ano após ter brindado o mundo com a sua épica fantasia samurai, a Sucker Punch está de volta com uma expansão para Ghost of Tsushima acompanhada por melhorias que podem ser adquiridas na nova versão, denominada de Director's Cut. Uma vez que já falei e muito sobre o meu fascínio pela aventura original de Jin Sakai, um jogo que mereceu o nosso selo de Obrigatório, esta análise será focada nas novidades, a expansão e o uso da PlayStation 5. Estas são as principais novidades para esta nova versão, mas diria que a expansão que te leva para Iki e está presente nas duas gerações de consolas é o que verdadeiramente enriquece este lançamento.

Em 2020, referi-me a Ghost of Tsushima como "um verdadeiro sonho para os amantes do Japão Feudal e Samurais. Um jogo há muito desejado que triunfa através da sua metodologia e design," tornando-se de imediato num dos meus jogos favoritos dessa geração. O minimalismo poético desta experiência é uma carta de amor ao Japão Feudal e isso é irrecusável para os que, tal como eu, sonhavam com um épico samurai em mundo aberto.

No que pode ser considerado como um triunfo do método e não da inovação, a Sucker Punch inspirou-se em arte, filmes e até noutros videojogos para apostar numa experiência envolta em grande liberdade e numa imersão glorificada pelo HUD minimalista. O prazer de jogar a jornada de Jin Sakai foi tanto que guardei este clássico samurai num lugar especial para perdurar na minha memória e recordar como um exemplo de equilíbrio entre liberdade, design, atividades e longevidade.

O prazer que senti ao jogar Ghost of Tsushima foi tanto que quando a Sucker Punch anunciou a expansão fiquei desde logo empolgado e ansioso por descobrir uma nova ilha, regressando ao manto do último samurai da ilha de Tsushima e rumar a uma nova, Iki. No entanto, estava longe de imaginar que a Sucker Punch manteria a mesma energia e qualidade para conciliar nesta expansão a sua ambição narrativa samurai numa experiência de tom altamente livre e minimalista com a vontade de expandir a lenda de Jin.

"Jogar Ghost of Tsushima a 60fps e 4K com Áudio 3D e feedback háptico é uma bela forma de glorificar este belo poema aos samurais".

A Expansão Iki

Esta expansão, que te leva para a nova ilha de Iki, é o grande destaque desta nova versão (pode ser comprada em separado) e se pretendes comemorar o aniversário de Ghost of Tsushuma em grande, nada melhor do que mais uma empolgante aventura com Jin Sakai. Após se tornar no fantasma de Tsushima, Jin descobre que existe um grupo de mongóis liderados por uma estranha mulher, a Águia, que envenena a mente dos seus adversários e está a controlar Iki através dos seus misteriosos esforços. Antes que o seu poder cresça e decida expandir para Tsushima, Sakai decide viajar até esse local odioso, onde o seu pai pereceu enquanto liderava uma invasão para repor qualquer semblante de ordem.

Tal como no jogo principal, a Sucker Punch poderá surpreender-te pela forma como equilibra um forte foco na narrativa (com aquelas lindíssimas cutscenes em arte e as cinemáticas de história) com a exploração e uso de um mundo aberto governado pela vontade de transmitir liberdade de movimentos. Assim que chegas a Iki, podes ir para qualquer lugar e não és forçado a seguir as missões de história. A mesma liberdade e abordagem ao design que glorificou a experiência original é a fonte onde a expansão foi beber. Com isto sabes que podes traçar a tua própria experiência e enveredar por uma aventura que facilmente te dá vontade de jogar só mais um pouco, ir apenas até mais um ponto de interrogação e descobrir mais um segredo. Completar apenas mais uma missão opcional ou atividade e quando dás por ela já passaram horas.

A expansão Iki dura cerca de 6 horas se te focares apenas na narrativa, mas completar todas as missões, contos lendários e atividades significa passar mais do dobro disso nesta nova ilha. Existem novidades como tocar flauta para animais e controlar o comando com os movimentos para manter o cursor na linha desejada, tens postos para limpar e agora alguns inimigos mudam de arma a meio do combate para te forçar a mudar de postura e dinamizar os conflitos. Existem ainda novos inimigos e os xamãs, que tornam os outros mais poderosos e precisam ser rapidamente eliminados. Poderás até sentir que Iki é mais exigente nos combates e mesmo com o novo nível de melhoramento das armaduras, sentirás um grande desafio aos teus reflexos. Alternar a postura, explorar o contra ataque e usar uma armadura com buffs que dão privilégio ao teu estilo de combate é essencial.

"A expansão aprofunda de forma significativa a história de Jin e leva-te para uma nova ilha muito bela em paisagens que vais querer capturar.".

Cortar bambus está de volta, os haikus também, existem dois contos lendários para ganhar um novo conjunto de armadura para o cavalo e Jin (focado na esquiva ou contra-ataque perfeitos para máximo risco e máxima recompensa) e saqueadores que moram em covis lindamente posicionados em encostas na praia de Iki. Acima de tudo existe uma sensação de maravilhamento para quem gostou de Ghost of Tsushima e a sensação que este épico samurai ainda é algo muito singular. A expansão de Iki não revoluciona o gameplay, mas glorifica a essência do original e implementa algumas novidades que dá gosto conhecer.

O efeito PlayStation 5

Ghost of Tsushima é um jogo lindíssimo e para quem fantasia com um jogo de samurais em mundo aberto inspirado por algumas das mais aclamadas ideias de referências como Zelda: Breath of the Wild (exploração livre e sem amarras, glorificada por um conceito de HUD minimalista para incentivar constante exploração visual dos cenários e não de barras), este é um jogo imprescindível. A versão PS5, que tanto tem dado que falar, permite jogar a 60 fotogramas por segundo, algo que faz imensa diferença e fluidez.

No entanto, são as funcionalidades PS5 que estiveram no centro da controvérsia e devo dizer que apesar de subtis, melhoram a experiência e já não me vejo a jogar sem elas. O modo 4K60fps é uma delas, para uma imagem mais nítida e performance ultra suave (a nitidez extra fez imensa diferença após presenciar esse modo), juntamente com o Áudio 3D e feedback háptico.

"As melhorias na versão PS5 poderão soar subtis, mas depois de as experienciar não quero jogar sem elas".

Melhorias como a capacidade para colocar uma mira no alvo estão ao dispor de todos, mas somente quem comprar esta versão ou as melhorias PS5 é que poderá desfrutar de funcionalidades como áudio 3D e uso do DualSense, elementos que acredito conquistarem mais adeptos do que a sincronização labial na qual a Sucker Punch trabalhou para acertar os diálogos japoneses. O áudio 3D em Ghost of Tsushima tornou ainda mais imersiva a experiência, especialmente porque o HUD minimalista (na esmagadora maioria da exploração não existe HUD sequer) te convida a escutar o que te rodeia e mesmo em combate o posicionamento espacial do áudio glorifica o envolvimento neste mundo. O feedback háptico do DualSense ajudou a sentir ainda mais o que acontecia com Jin, desde detalhes como diferenciar o trote ou corrida do cavalo, sentir os ataques de acordo com o lado e até intensificar as cutscenes.

Épico samurai a 60fps e 4K é um encanto ainda maior

Ghost of Tsushima: Director's Cut torna-se na versão definitiva do jogo da Sucker Punch, especialmente se o jogares na PlayStation 5. Na mais recente consola da Sony, o comando DualSense, o Áudio 3D, as melhorias visuais e especialmente os 60fps transformam a experiência. No entanto, seja na PS4 ou na PS5, a expansão Iki expande o universo de Jin Sakai ao aprofundar a personagem através dos fantasmas do seu passado, relembra o quão belo é este mundo de samurais em constante conflito interno e como o HUD minimalista é um triunfo que não podemos subvalorizar. Adorei voltar a Ghost of Tsushima para a expansão Iki e facilmente me lembro o porquê de olhar para ele como um dos meus jogos favoritos da anterior geração de consolas. É simplesmente divertido ver as horas a passar enquanto pensamos "só mais um bocado" e nos deixamos deslumbrar pela poesia visual aqui exposta.

Prós: Contras:
  • Jogar Ghost of Tsushima a 4K60fps na PS5 torna-o ainda mais impressionante
  • A narrativa da expansão Iki é envolvente
  • Bom uso do DualSense para aumentar a imersão
  • Novas mecânicas gameplay e atividades
  • Inimigos que trocam de armas e desafiam os teus reflexos
  • A experiência permitida pelo HUD minimalista continua a impressionar
  • Boss fights interessantes e muitos segredos em Iki
  • Ocasionais problemas com as animações

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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