NiOh 2 poderá ser o melhor jogo da Team Ninja

Acção entre samurais fica ainda mais intensa.

NiOh foi uma inesperada e surpreendente proposta da Koei Tecmo, apresentada após quase dez anos no limbo. O jogo chegou às lojas em 2017 e deslumbrou, especialmente pela forma como mostrou o estúdio de Ninja Gaiden a combinar o seu ADN com a popular fórmula de Dark Souls. Isso foi o mais intrigante em NiOh, a forma como criou um híbrido entre um gameplay que te faz pensar nessa aclamada e difícil série de acção com ninjas, misturado com mecânicas Action RPG e estrutura popularizada pela From Software.

Este híbrido associado ao período Samurai no Japão tornou-o num produto que, para jogadores como eu, conseguiu tornar-se irresistível. Agora, 3 anos depois, está na hora de uma sequela que, graças à oportunidade de o experimentar num evento organizado pela PlayStation em Madrid, transparece como um jogo altamente similar mas repleto de novidades para o dinamizar.

De acordo com Yosuke Hayashi, líder da Team Ninja e um dos principais responsáveis por esta série que tivemos a oportunidade de entrevistar, nem sequer foi preciso pensar duas vezes, o desejo de desenvolver NiOh 2 já estava presente na mente da equipa desde o momento em que o primeiro foi lançado. Segundo nos revelou, muitas das funcionalidades e mecânicas gameplay que queriam implementar no primeiro, mas não conseguiram, estão agora presentes na sequela e foram a base deste desafio.

O senhor Hayashi disse-nos que "quando lançámos o primeiro jogo, já existiam coisas que queríamos melhorar ou introduzir. Assim que lançámos o primeiro, começámos a trabalhar no segundo e como é uma nova propriedade intelectual, uma nova série na PS4, queríamos apresentar o segundo na mesma consola."

A ambição de melhorar o gameplay

Este foi um dos principais objectivos que levaram a Team Ninja a apostar de imediato numa sequela. A equipa tem no seu ADN o desenvolvimento de jogos de acção de grande dificuldade e sentiu o desejo de ir mais além.

"Em NiOh 1 passamos por muita tentativa e erro pois é uma nova propriedade intelectual e recebemos imenso feedback e queríamos melhorar alguns aspectos. Posso dar três exemplos. O primeiro é a falta de variedade dos inimigos, tornava-se repetitivo pois tínhamos muitos inimigos que surgiam frequentemente. Em segundo, se o jogares em cooperativo online, podia tornar-se muito fácil ao jogar com jogadores de maior nível e, em terceiro, muitos pediram a criação de personagens e esses foram os três pontos que queríamos melhorar."

A Team Ninja percebeu que existiam diversas coisas que podiam melhorar e corrigir para uma sequela, que para ser lançada na PS4 teria de começar a ser desenvolvida praticamente de imediato. Segundo nos disse o senhor Hayashi, perceberam de imediato o que podiam melhorar na sequela e que não foi possível realizar no original, sem esquecer o imprescindível e valioso feedback da comunidade, que resultou em novidades como a criação de uma personagem própria, tornada de imediato num dos principais destaques da sequela.

A criação de uma personagem própria é uma das novidades em Nioh 2.

Além disso, a equipa passou bastante tempo a refinar a dificuldade e o sistema de combate para sentires maior gratificação e maior desejo de continuar a jogar. Outro importante elemento foi evoluir o impacto do conceito Yokai no gameplay directo.

"Em NiOh 1, o principal conceito era Samurai vs Samurai, é muito focado nos duelos de espada e nessa tensão. Tinhas os Yo-Kai e alguns bosses poderosos, mas NiOh 2 leva isso para um novo nível. Além disso, tens as habilidades Yo-Kai ganhas ao derrotar inimigos e aprendes novas habilidades que usas para derrotar mais inimigos e repetir o processo. Pensamos que isto expandiria o gameplay."

O factor Yokai eleva o gameplay do teu Samurai

Nesta sequela, a Team Ninja decidiu transporta-te para um dos períodos mais populares da história Japonesa, antes do primeiro jogo e numa altura em que Oda Nobunaga estava a lutar com o país inteiro para unir o Japão debaixo da sua bandeira.

"Em NiOh 1, escolhemos a segunda parte da era Sengoku, mas optamos pela primeira metade em NiOh 2 pois é o momento mais popular na história Japonesa e é mais caótico e dinâmico."

Como referido, o folclore Japonês relacionado com o teu personagem foi expandido além do uso dos espíritos Guardiões que podes equipar, agora podes transformar-te num Yokai por breves momentos e executar golpes ou contra-ataques devastadores (mais uma forma altamente interessante de fomentar o conceito de risco vs recompensa tão nuclear em NiOh), mas também podes equipar 3 habilidades "roubadas" aos Yokai que derrotas.

"Agora podes transformar-te num Yokai por breves momentos e executar golpes ou contra-ataques devastadores"

Estas novidades que experimentei neste breve contacto com NiOh 2 trazem profundidade e ainda mais dinamismo para o gameplay. Algo muito bom de sentir quando tens um jogo que não parece tão diferente do anterior. Os inimigos estão mais poderosos, mas também terás um novo leque de habilidades ao teu dispor, elevando o gameplay da série para um patamar acima do actual. Além disso, este pequeno local que tivemos a oportunidade de explorar deu-nos uma grande sensação de verticalidade, algo que parece ter sido importante na mentalidade que guiou o design de níveis em NiOh 2.

A segunda beta já tinha demonstrado que NiOh 2 brincaria com o conceito de verticalidade para expandir os cenários. Com a excepção de alguns ocasionais segmentos, os mapas de NiOh 1 estão planificados praticamente na horizontal. A sequela apresentará torres ou locais onde terás de abrir atalhos nestas espécies de labirintos verticais que descobres através de incursões sustentadas pela constante gestão de risco e recompensa.

Combate a combate exploras o design do nível e traças o mapa mental da melhor rota, pensando se vale a pena arriscar enfrentar um inimigo muito forte apenas para desbloquear mais um atalho, quando provavelmente existe outro melhor e com menor risco. Isto acaba por ter um papel altamente importante para o diferenciar do anterior e resulta em momentos gameplay de exploração ainda mais enervantes. Um caminho poderá apresentar menos desafios do que outro e ambos chegam ao mesmo lado, mas somente a testar é que o descobrirás.

O potencial para se tornar num dos melhores da Team Ninja

O design e ciclo gameplay permanece inalterado neste híbrido entre Ninja Gaiden e Dark Souls. O ADN dessa mítica série da Team Ninja está presente na equipa de desenvolvimento e Hayashi diz que é perfeitamente normal que isso saia evidenciado na sensação que a experiência te dá. No entanto, as novidades através das quais a série é refinada prometem tornar a experiência mais gratificante e igualmente exigente.

O senhor Hayashi diz que NiOh 2 não pode ser difícil porque sim, tem de ser por mérito e capaz de te dar gratificação. É por isso que estão constantemente a pedir feedback da comunidade e o usam para expressar a sua paixão por jogos de acção de combate com armas brancas. Esta demo não permitiu explorar o factor grind, mas demonstrou que explorar é recompensado e nem sempre é melhor correr para o próximo atalho.

NiOh 2 apresenta agora cofres com armas e armadura que apenas podem ser abertos após derrotar inimigos específicos e mais poderosos. Os dois cofres que descobrir neste nível deram-me itens muito úteis. Além disso, explorar permitiu-me encontrar o fantasma de um samurai que me ajudou na luta contra o infernal bosse final. Um samurai que ataca rapidamente com a sua lança.

"NiOh 2 não pode ser difícil porque sim, tem de ser por mérito e capaz de te dar gratificação"

NiOh 2 aposta na mesma base, como referido, em que cada combate é um duelo que te pode deixar a gritar de raiva, com constante equilíbrio entre risco e recompensa. A barra de stamina é tão importante quanto a de vida e as 3 posturas continuam a ter as suas recompensas e contra-partidas. Eu que o diga após enfrentar o boss desta demo, uma dura luta que desafiou freneticamente a minha capacidade para me desviar, atacar no momento certo e gerir a barra de stamina.

No entanto, o que mais adorei neste boss foi como desafiou a minha capacidade de gerir os timings. Sem qualquer piedade, ele alternava de velocidade e movimentos, tornando difícil prever e ler o que ia fazer, desgastando a barra de stamina em acrobacias para fugir, deixando-me à sua mercê. Está de volta a aposta em bosses que te vão levar ao desespero e sentir verdadeiramente desafiado, sempre a pensar que podes fazer melhor na próxima tentativa.

Perante isto, o melhor que posso dizer para concluir é que após as betas, este pequeno nível reforçou a sensação que, tal como o primeiro, NiOh 2 tem potencial para ser um dos jogos que mais jogaremos em 2020 e pelo qual nos podemos apaixonar..

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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