A história de Clementine chega ao fim de uma forma "tradicional" e previsível, mas que não deixa de ter o seu quê de emocional.

Aviso: Esta análise contém alguns spoilers de The Walking Dead: The Final Season. Se ainda não jogaste o jogo e se não queres saber nada sobre a história, aconselho-te a leres esta análise mais tarde.

É complicado jogar The Walking Dead: The Final Season sem pôr de parte toda a controvérsia gerada pelo encerramento da Telltale, uma notícia que chocou a comunidade gaming o ano passado.

Esta mais recente temporada (mais propriamente os dois primeiros episódios) são tudo o que resta do estúdio que, durante anos, parecia imparável, e que só conseguiu ver a luz do dia graças à entrada em jogo da Skybound, o estúdio do criador de The Walking Dead, Robert Kirkman. Em muitas formas, é como estar perante a queda de um gigante e, por si só, isso torna esta experiência um pouco mais emocional, o culminar de cerca de 7 anos de trabalho.

Felizmente, todo o clima problemático que rodeou este jogo não parece ter tido consequências muito severas no produto final - para quem gostou das outras três temporadas, fiquem desde já a saber que a mais recente segue a mesma lógica e estrutura das anteriores - trata-se, portanto, de um drama interactivo em que todas as tuas escolhas irão moldar a história do jogo e as relações que manténs com as mais diversas personagens presentes neste mundo, misturado com algumas secções de gameplay mais "tradicional" e uma série de quick-time-events.

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Todo o clima problemático que rodeou este jogo não parece ter tido consequências muito severas no produto final.

A diferença mais perceptível nesta temporada prende-se com o facto da protagonista, Clementine, ser agora mais adulta e, como se o ciclo se tivesse completado. É agora a vez dela de ensinar a AJ, uma criança que está a seu cargo, a sobreviver neste mundo repleto de zombies / walkers / errantes mas humanos igualmente maquiavélicos.

Curiosamente, nem a nova temporada da Telltale / Skybound consegue fugir à estrutura narrativa que tem impregnado a série The Walking Dead desde o início, tanto em TV como nos videojogos (admito que não estou tão por dentro das comics): os protagonistas procuram um lugar seguro onde se possam refugiar, encontram-no e acomodam-se, até que algum vilão venha perturbar a paz e iniciar uma guerra, reiniciando o padrão.

A última temporada de The Walking Dead não é excepção: Clem e AJ refugiam-se numa escola com outros humanos e tudo parece bem até descobrirem que o líder da escola troca alguns dos seus habitantes por segurança de um grupo rival, que mora num barco nas redondezas. Este grupo rival, numa fase posterior da história, invade a escola e rapta algumas personagens, obrigando Clem a engendrar um plano para os resgatar.

É tudo já bastante familiar para quem acompanha a série.

É tudo já bastante familiar para quem acompanha a série e, se estavas à espera de alguma revelação ou novidade bombástica sobre este universo, é com muita pena que te digo que não vai acontecer - para todos os efeitos, esta é a história de Clem e o único objectivo desta temporada é dar um fecho à sua jornada.

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A parte mais interessante de toda esta temporada é o facto dela remontar de forma consistente a momentos icónicos da temporada original da Telltale, enfatizando de forma constante a troca dos papéis de "professor" e "aprendiz". O próprio Lee faz um pequeno cameo numa das cenas do jogo, num comboio, dentro de um sonho de Clementine, o que não deixa de ser um pouco agridoce. Para além de tudo isso, a vilã principal desta temporada é uma personagem que vimos pela última vez na 1ª temporada - não sei se, mediante as tuas escolhas, esta situação pode mudar mas, de qualquer das formas, foi surpreendente ver mais uma cara familiar nestes últimos episódios.

Visualmente, o jogo não difere também daquilo que foi apresentado nas temporadas anteriores, mantendo a aparência reminiscente de uma banda desenhada e, para além das secções mais voltadas para a narrativa onde apenas és incumbido de escolher opções de diálogo, existem umas outras em que controlas Clem, com uma perspectiva over-the-shoulder, e que te permitem interagir com certas zonas do mundo, personagens e objectos. Nestes pontos específicos, o meu computador registou sérios problemas no que diz respeito ao desempenho do jogo, especialmente em momentos que envolvessem um grande número de zombies ou que te obrigassem a fazer mira e disparar, o que me apanhou de surpresa.

O meu computador registou sérios problemas no desempenho do jogo, especialmente em momentos que envolvessem um grande número de zombies.

Aliás, no episódio três, existe um momento específico em que tens de te aproximar de um barco usando zombies como escudos; este foi um dos pontos mais frustrantes do jogo que, literalmente, corria com os mais longos solavancos que vi nos últimos tempos, fazendo com que morresse vezes e vezes seguidas. Estes problemas estão presentes nos mais variados momentos do jogo mas aqui foi particularmente problemático, roçando o injogável (devo frisar que num computador portátil mais que capaz de correr um jogo como este e com todas as drivers devidamente instaladas).

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As animações das personagens e a sincronização do diálogo com os movimentos da boca não me pareceram tão más como no passado apesar de, por vezes, serem perceptíveis; de qualquer modo, este é um problema muito inferior quando comparado com os soluços que impregnavam as secções de mais acção e, por diversas vezes, morri não por culpa minha mas porque o jogo travava e eu ficava sem a mais pequena ideia do que estava a acontecer no ecrã.

Assim sendo, The Walking Dead: The Final Season é tudo aquilo que conheces e que já deves estar à espera. A história geral, em princípio, não irá mudar muito de pessoa para pessoa, independentemente das escolhas que faças. O verdadeiro trunfo desta temporada é Clementine, a rapariga que vimos crescer ao longo de todos estes anos e que está a amadurecer cada vez mais mais: ela é simultaneamente mãe, líder e professora e o jogo permite-te construir uma Clem mais adulta, incluindo estabelecer a sua sexualidade - no meu caso específico, fi-la apaixona-se por Violet, mostrando uma faceta que nunca pensei que fosse inserida no jogo.

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O verdadeiro trunfo desta temporada é Clementine, a rapariga que vimos crescer ao longo de todos estes anos.

De qualquer das formas, The Final Season faz aquilo que promete: dar um fecho à história de Clem e, para todos os efeitos, fá-lo. A meu ver, parece-me mais um "final temporário" já que as coisas em The Walking Dead nunca ficam (e imagino que nunca ficarão) pacíficas. Para além disso, estamos perante não só um adeus a Clementine mas, por extensão, à própria Telltale Games - e, apesar de estar longe da perfeição, é uma despedida consistente.

Prós: Contras:
  • É interessante jogar com uma Clem mais madura e segura de si
  • As frequentes referências à primeira temporada do jogo
  • O cameo de Lee
  • A história segue a mesma estrutura de sempre de The Walking Dead
  • Nos momentos com mais acção, a versão PC tem sérios problemas de desempenho

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Sobre o Autor

Jorge Salgado

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Redactor

Fã de cultura pop, séries jogos animes. É o nosso noobie.

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