Dirt Rally 2.0 - Análise - Correr à frente

Dirt ao volante, Colin McRae na alma.

Em especiais de classificação ou circuitos de ralicross, Dirt Rally 2.0 é a referência nos ralis virtuais para os fãs do desporto automóvel.

Com Dirt Rally 2.0, a Codemasters regressa às experiências superlativas, novamente num misto de arcade e simulação a pender para o rigor e dificuldade de uma condução rápida mas sempre periclitante, à espera do nosso erro num quadro de risco e da sobreviragem que nos lança para fora da pista, do embate quase fatal a alta velocidade. Basta atentarmos num resumo do campeonato do mundo de ralis para percebermos que concentração, domínio do carro e acompanhamento perfeito das notas ditadas pelo navegador são três pilares para uma condução rápida e eficaz. Um pouco mais de energia à entrada de uma curva e rapidamente nos vemos em apuros. Não há margem para derrapar fora das apertadas linhas que formam os troços e os circuitos do ralicross. É neste quadro severo, mas ainda assim acessível, que Dirt Rally 2.0 - o filão hardcore da série Dirt que assentou no legado de Colin McRae Rally - projecta uma experiência obrigatória para os fãs das quatro rodas.

E com que solidez revigorante nos surge nesta edição 2.0, a mais avançada, competente e próxima do universo dos ralis, com todas as nuances clássicas e modernas, desde o velho mini até ao apaixonante ralicross, filão desportivo em ascensão onde nomes sonantes, máquinas de assinalável força (na categoria máxima os carros atingem os 600 cv) e percursos curvilíneos emprestam uma emoção sem par a quem assiste pregado numa bancada, quase de sol a sol para ver as máquinas em convulsão. Com a devida licença da FIA o conteúdo sai reforçado, especialmente no tocante aos adeptos portugueses, que assim vêem recuperado o circuito de Montalegre - este ano lamentavelmente fora do mundial. Os nomes dos pilotos que competem no mundial de ralicross estão lá, assim como os carros e todos os circuitos, e asseguradas diferentes condições meteorológicas e horários.

Depois de um muito bem sucedido Dirt Rally, na senda de Colin McRae Rally e sobretudo o bem conseguido e difícil Richard Burns Rally, também por isso dirigido a uma falange de adeptos mais restrita, a Codemasters desenvolveu assertivamente a experiência de condução, mas não ignorou outros aspectos fundamentais da condução. Para lá do mais óbvio e expectável desenvolvimento no capítulo gráfico, é na deformação dos troços, comportamento dos carros e reacção das rodas nos diferentes pisos, que mais singra esta versão 2.0. O somatório é a tal experiência inesquecível e sedutora para os fãs, que não só poderão dar uso ao melhor set up (caso o tenham), como também podem jogar através do pad com mais alguma comodidade.

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Os carros clássicos conseguem desenvolver tanta empatia como os carros modernos. De alguma forma a Codemasters inscreveu-os num desafio e teste às capacidades de quem começa a conduzir.

A limitação maior no capítulo dos troços é a existência de apenas seis ralis. Seis de terra batida/gravilha e um de asfalto. A Codemasters já prometeu DLC's com mais ralis. A inclusão de Monte Carlo, a juntar ao rali da Suécia e Alemanha, proporcionam mais variedade e reforço dos pisos de asfalto, mas é verdade que o que dá nome e fama ao jogo são os ralis de terra e por isso estes estão em maioria. Com destaque para os ralis da Argentina, Polónia, Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos, há um périplo mundial a encetar, ao mesmo tempo que percorremos troços de grande beleza, num quadro visual muito bem conseguido. Há uma nova fasquia atingida por esta versão 2.0.

"A inclusão de Monte Carlo, a juntar ao rali da Suécia e Alemanha, proporcionam mais variedade e reforço dos pisos de asfalto"

A extensão dos troços é variável. Há-os mais curtos, com 6 ou 7 quilómetros de distância, mas também os encontram mais longos, por vezes com o dobro da distância e por isso mais difíceis. No entanto, atravessam montanhas e abrem por planícies, irrompem por pequenas povoações, cortam florestas outonais, quase beijam o mar (na Nova Zelândia não andam longe da água salgada), abrem rochedos na Argentina, onde as pessoas se amontoam nos penedos rochosos à procura do melhor lugar para uma fotografia, proporcionam grandes retas em Espanha e criam especiais dificuldades na Polónia.

Existem seis ou sete especiais por rali, algumas percorridas em sentido contrário, mas é a afectação aleatória das condições metereológicas (tempo seco ou chuva), de dia ou à noite, que proporcionam dificuldades adicionais. É mais fácil arriscar um andamento rápido à luz do dia, acautelando o ritmo à noite. Assim como é inegável a beleza de certas especiais, como entrar na terceira especial do rali da Nova Zelândia, sob um céu cinzento e chuvoso ao final do dia, começando numa zona de maior vegetação, para dar lugar, numa fase mais avançada do troço, a um espantoso por do sol frontal, capaz de nos cegar e dificultar o ritmo. Dirt Rally 2.0 é exemplar na produção desses efeitos visuais, ao ponto de funcionarem como dificuldades, pesando o realismo. Particularmente exigente a condução nocturna, com as notas ditadas pelo navegador a funcionarem como a única luz num percurso.

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O ralicross é uma categoria separada, pela especificidade das provas (todos ao mesmo tempo num circuito). Com mais de 600 cavalos, os carros impressionam pela aceleração.

No final, o sucesso numa classificativa depende da rapidez, segurança e eficácia da nossa condução. É um ponto difícil de atingir, especialmente nas classificativas mais longas, nas quais é mais fácil perdermos a concentração, arriscando demasiado quando nos aparece uma curva rápida. As margens para errar são curtas e a distância do erro fatal (os embates e desgaste do carro pagam-se caro no tempo de reparação) é por vezes de tal forma imperceptível que ao mínimo descuido saímos de estrada. Sem possibilidade de voltar atrás, sobrepondo às penalizações pela recolocação do carro em pista, vencer um rali pode ser o cabo dos trabalhos. Claro que as ajudas estão lá para facilitar, podendo baixar o nível de dificuldade caso o primeiro impacto de uma péssima classificação vos deixe atónitos. Os novatos vão ter que as usar para não desistir, enquanto que os mais experientes vão querer desfrutar de uma experiência hardcore, tentando ao máximo conseguir uma condução imaculada e rápida, fontes do prazer.

"É na deformação dos troços, comportamento dos carros e reacção das rodas nos diferentes pisos, que mais singra esta versão 2.0"

Os carros constituem uma componente importante de Dirt Rally 2.0. Modelos devidamente licenciados das marcas que abasteceram sucessivas gerações de campeonatos do mundo de ralis, permitem uma percepção imediata. Desde os míticos carros da década de setenta (Opel Ascona, Ford Escort, Mini), passando pelas bestas do famoso (e depressa banido) grupo B, até aos carros da década de 90 (Subaru Impreza, Ford Escort) e mais recentemente os R5, há uma impressionante lista de 50 carros, devidamente detalhados. O barulho do motor é específico e sobretudo a física e sensação de condução é o que mais se destaca. De notar que há particularidades de condução em cada veículo, o que torna não apenas um prazer mas uma sensação de descoberta começar um rali com um carro diferente.

Os danos e a destruição causada estão bem representados. Carroçaria quebrada, perda de peças e sujidade depressa cobrem o carro em caso de capotamento ou embate mais forte. Os rebentamentos de pneus provocam um bom efeito visual (saltam faíscas das jantes) e o carro fica mais difícil de controlar (podem partir para um troço com um pneu sobresselente, mas isso acarreta um custo em termos de peso). Na área de assistência existem várias opções à disposição. Escolha de pneus, danos e set up. Ao começo dispõem da opção shakedown para uma adaptação ao percurso, servindo como teste da afinação.

À semelhança do jogo anterior, o campeonato do mundo de ralicross, sob a chancela da FIA, está presente. Equivale a permitir contacto com uma gama de veículos muito diversificados, em sete circuitos, dos quais se encontra Montalegre, o circuito nortenho. Os carros mais rápidos, autênticas bombas com aproximadamente 600 cv, são os mais espectaculares, possibilitando um bom domínio tanto em terra como no asfalto. A componente interessante destes circuitos é que conjugam terra com asfalto, sendo a afinação determinante para se conseguir um bom resultado. De resto, a peculiaridade destas provas assenta nas mangas de qualificação até à final, com múltiplos carros em pista. A realização da volta joker (passagem por um segmento alternativo) é obrigatória. Há que registar que a cada volta a degradação da pista se acentua, especialmente na terra, nas zonas onde é maior a travagem e aceleração, através da abertura de sulcos.

Em termos de opções, a novidade maior é a introdução do desenvolvimento da nossa equipa. Podemos contratar membros, engenheiros e todo um "staff". A aquisição de carros é indispensável se queremos competir numa categoria superior. E aqui vamos começar pelos ralis, pelos carros históricos e talvez os mais acessíveis, embora não menos merecedores de pouca experiência de condução. À campanha acrescem os desafios diários, semanais e mensais. O modo free play permite saltar para uma pista ou troço à escolha e conduzir um carro dos disponíveis só pelo tempo e prazer. Em alternativa podem personalizar o vosso campeonato, prova ou rali.

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Os ambientes são diversos e particularmente detalhados, assim como é inesquecível a passagem pela Nova Zelândia.

Aqui chegados não sobra muito mais senão confirmar Dirt Rally 2.0 como um dos expoentes máximos do desporto motorizado de quatro rodas, na vertente rali e ralicross, e provavelmente o melhor, ou o mais assertivo jogo de ralis da actualidade. O jogo da Codemasters, embora não sendo um produto perfeito, reproduz muito bem a experiência de condução destes poderosos veículos que tanta emoção espalham por esse mundo, aliás ao longo de gerações. É quase como um compêndio histórico. Nele vislumbramos o primeiro Colin McRae rally, a dureza de um Richard Burns Rally e a acessibilidade de um Sega Rally 2 - ninguém fica realmente impedido de jogar. Mas é como se o melhor desses títulos se reunisse numa única fórmula, moderna e evoluída. Por vezes é bom bebermos um pouco dessa nostalgia, recordando esses inolvidáveis momentos de experiências que marcaram uma geração dos ralis virtuais, mas a velha Codemasters aí está para nos brindar com uma notável experiência em 2019, que é também passado mas sobretudo presente, uma chamada a todos os fãs. Dirt Rally é uma referência no mundo dos ralis virtuais, e a versão 2.0 demarca-a.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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