Uncharted 4 é neste momento o jogo mais aguardado para a PlayStation 4 e não é caso para menos. Este é o último jogo do aventureiro Nathan Drake e a grande despedida da série por parte da Naughty Dog, que com Uncharted, e depois com The Last of Us, se tornou num dos estúdios mais respeitados da PlayStation. O estúdio também é conhecido por conseguir extrair todo, ou quase todo, o potencial do hardware das consolas da Sony, e como tal, espera-se que Uncharted 4 seja um colosso gráfico que mostre as capacidades da PlayStation 4. Mas acima de tudo, os fãs esperam um excelente jogo de aventura tão bom ou melhor que os primeiros jogos da série para a PlayStation 3. Portanto, são muitas as expectativas para Uncharted 4 e a Naughty Dog carrega um peso enorme nas costas. Pouco estúdios seriam capazes de cumprir tudo isto, mas a Naughty Dog é um deles.

Nathan Drake em Uncharted 4 é a perfeita analogia para descrever o jogo. É a mesma pessoa que conhecemos em jogos anteriores, mas está mais maduro, experiente, e ainda gostamos dele, apesar de não ser perfeito. O mesmo pode ser dito acerca de Uncharted 4. A fórmula nunca esteve tão aperfeiçoada e demonstra a larga experiência da Naughty Dog em fazer jogos destes, mas ainda há falhas e, no fundo, acaba por ser um jogo semelhante aos da PlayStation 3, sem novidades substanciais para oferecer. Como diz o ditado, um cão velho não aprende novos truques. Ainda assim, estaria a mentir se dissesse que Uncharted 4 não impressiona. Apesar das semelhanças com os jogos anteriores, o último jogo de Nathan Drake surpreende e consegue deixar-nos genuinamente entusiasmados em vários momentos. Qualquer fã de Uncharted vai adorar esta aventura final.

Como qualquer Uncharted, tudo começa com um tesouro. Em Uncharted 4 é o tesouro de Henry Avery, um famoso pirata do século XVII que operou na zona do Oceano Índico. Este será o tesouro que Nathan Drake e companhia tentarão encontrar nesta aventura, contudo, não é tão simples quanto parece. Neste jogo também ficamos a conhecer Sam, o irmão de Nathan, que reaparece depois de muitos anos desaparecido. Sam está em sarilhos e a única forma de sair desses sarilhos é encontrar o tesouro de Henry Avery. Tendo ouvido falar dos feitos impressionantes de Nathan Drake nas suas aventuras anteriores, Sam recorreu ao seu irmão para o ajudar. É com esta premissa que a história se desenrola ao longo de 22 capítulos. Quando a Naughty Dog disse que este seria o maior Uncharted de todos, não estava a brincar.

A história de Uncharted 4

A história começa bem devagar e faz uso de algumas viagens ao passado que nos dão um melhor contexto da narrativa de Uncharted 4. A real aventura só começa verdadeiramente quando Nathan encontra o seu irmão, mas na realidade a história possui um arco muito maior que remota à infância dos dois irmãos. Uncharted 3 já nos tinha mostrado uma versão mais jovem de Nathan Drake, mas em Uncharted 4 terão a oportunidade de conhecer as verdadeiras origens da personagem. Fica bem patente que a Naughty Dog demorou o tempo que quis a desenvolver tanto o jogo como a sua história e que não optou por nenhum atalho nem fez compromissos. Quando chegamos ao fim, sentimos que vivemos uma grande aventura, e é precisamente isso que se espera de um jogo com Uncharted no título. Sendo este o último Uncharted desenvolvido pela Naughty Dog, esperem encontrar várias referências aos jogos anteriores, que imediatamente provocarão uma sensação de saudosismo.

"Não existe um jogo na PlayStation 4 que consiga apresentar visuais tão belos"

Este é também o Uncharted com os níveis mais bonitos até hoje. Aliás, não existe um jogo na PlayStation 4 que consiga apresentar visuais tão belos. Inicialmente confesso que estava a ficar desiludido. Os Uncharted anteriores sempre foram marcos gráficos na PlayStation 3 e esperava o mesmo de Uncharted 4. Os primeiros níveis são bons, mas não causaram aquele impacto esperado, contudo, quando passamos para a segunda metade da aventura, que envolve cenários mais exóticos, o jogo simplesmente arrasa. Os efeitos da chuva, a vegetação, o comportamento da água, as animações das personagens e a forma como interagem com os objectos, e a quantidade absurda de detalhes contidos em cada parte dos níveis tornam-no num jogo deslumbrante. É a combinação perfeita entre as partes técnicas e estéticas dos videojogos. De realçar que o rácio de fotogramas parece estar fixo nos 30 fps. Ao longo da nossa experiência não reparamos em quaisquer quebras de fluidez.

Por mais bonito que seja, um jogo nunca pode viver apenas de gráficos. A jogabilidade continua a ser o elemento mais importante e a Naughty Dog implementou várias novidades que tornam Uncharted 4 numa melhor experiência. A maioria dessas novidades são os níveis de maior escala. Um pouco antes do lançamento, foi revelado um nível em Madagáscar que mostrava precisamente isto: uma área maior e com mais liberdade de movimentação que os jogos anteriores. Nem todos os níveis de Uncharted 4 são assim. Continuam a existir os níveis lineares em que o caminho a seguir está devidamente traçado e onde temos que fazer coisas específicas para progredirmos, mas existem de facto níveis em que o jogador tem mais liberdade. Estes níveis não são grandes o suficiente para lhe chamarmos de mundo-aberto, mas permitem que explorem para encontrarem os tesouros (os colecionáveis) e antigos documentos que complementam a história da caça ao tesouro.

Do gameplay do gancho ao stealth

Os níveis de maior escala são complementados com uma ênfase no stealth. Em jogos anteriores já haviam secções em que podíamos (ou eramos obrigados) a ser sorrateiros, mas na maioria das vezes Uncharted 4 dá-nos a escolher: progredir em silêncio sem chamar a atenção dos inimigos e derrotando-os um a um, ou entrar a disparar e lidar com uma chuva de balas. Esta escolha vem trazer uma maior liberdade à forma como jogamos, mas ainda existem limitações, nomeadamente a impossibilidade de passar para a área seguinte sem eliminar todos os inimigos, sejam sorrateiros ou não. Também temos a questão da IA. Por vezes, Nathan Drake está acompanhado, mas a personagem controlada pela IA não é uma grande ajuda para derrotar os inimigos. Apesar destas limitações, a opção de ser sorrateiro na maioria dos confrontos resultou num design menos linear das áreas. Nathan Drake pode esconder-se na vegetação alta e empoleirar-se em várias bermas para flanquear os adversários.

Embora Uncharted 4 seja um jogo de tiros na terceira pessoa com um sistema de cobertura, na maioria das vezes não é viável ficar parado num sítio protegido a disparar contra os inimigos. A maioria das coberturas em Uncharted 4 podem ser destruídas pelas balas dos inimigos, pelo que continuar em movimento é crucial. A movimentação é fluída. Nathan Drake pode rebolar, saltar rapidamente por cima da cobertura, e tem agora um gancho que lhe permite atravessar partes dos níveis rapidamente. Esta fluidez pode ser quebrada em espaços com muitos obstáculos. Numa tentativa de fugirmos do fogo dos inimigo, Nathan Drake teima a amarrar-se e a ficar pendurado a sítios indesejados, o que é irritante. Também reparei que as armas no modo história tem um coice maior do que no multijogador online (mas devo referir que desliguei as opções de assistência de mira desde o início), o que complica acertar nos inimigos que estejam um pouco mais afastados. Para compensar, existe uma grande variedade de armas apropriadas para todas as situações: várias pistolas, caçadeiras, espingardas, e até lança-roquetes (que só aparecem raramente).

O gancho de Nathan Drake não serve apenas para lidar com os inimigos. Na verdade, o gancho é usado na maioria das vezes pela Naughty Dog para acrescentar verticalidade aos níveis e para criar momentos em que Nathan Drake salta e amarra-se à última a hora a um ramo num precipício, baloiçando e chegando em segurança ao outro lado. Na prática parece uma simples adição, mas funciona bem. Nos Uncharted anteriores Nathan estava limitado a dar saltos e a segurar-se com as suas mãos às bermas. Agora consegue percorrer mais distâncias, o que também acaba por dar uma escala maior às áreas. Apesar de pequenas novidades como esta, Uncharted continua a usar os seus velhos truques. Quando saltamos para uma plataforma velha, já sabemos de certeza que esta vai partir e que Nathan Drake quase que cai lá baixo. Estes momentos aconteciam exageradamente nos Uncharted anteriores e continuam a acontecer em demasia aqui. Eventualmente tornam-se irritantes e deixam de ter piada. O mesmo vale para atravessar pontes com o Jeep que em dados momentos podemos conduzir. Todas as pontes quase que desabam quando o Jeep passa. Claro que num jogo que consiste em explorar locais muito antigos e selvagens, existem perigos. O problema é que as situações perigosas de Uncharted pouco ou nada mudam.

"O modo história dura cerca de 14 horas, o que é mais do que esperado para um jogo deste género."

Quanto dura Uncharted 4

Uncharted 4 não é meramente um jogo de tiros. As sequências em que temos de usar armas aparecem ocasionalmente, mas há um bom equilíbrio entre as secções de exploração / plataformas e resolução de puzzles. As secções de exploração e de plataformas não apresentam qualquer dificuldade, até porque Nathan Drake consegue trepar uma falésia com uma facilidade irrealista, mas dados os cenários magníficos que o jogo apresenta, simplesmente dá gozo subir uma plataforma elevada para desfrutar da vista. Os puzzles também vão aparecendo ocasionalmente e tal como nos jogos anteriores, o livro de apontamentos de Nathan Drake é crucial para a sua resolução. Os puzzles não são muito complicados, mas são apresentados de uma forma elegante e não conseguimos deixar de ficar fascinados quando o cenário se começa a movimentar em sincronia para revelar uma porta secreta, onde se esconde a próxima pista para encontrar o tesouro.

O modo história dura cerca de 14 horas, o que é mais do que esperado para um jogo deste género. Apesar desta longevidade maior do que habitual, nunca sentimos que a história estava a engonhar. Depois de completarem a história pela primeira vez, podem repetí-la em dificuldades mais elevadas e encontrar os tesouros em falta. Ao encontrarem tesouros ganham pontos para desbloquear vários bónus, como fatos para as personagens, armas, filtros de imagem e até efeitos como gravidade zero. Há ainda um modo fotográfico caso queiram gravar os momentos das vossas partes favoritas. Mais ainda, existe o multijogador online, uma adição em Uncharted 2 e que desde então tem aparecido em todas os jogos da série.

O online de Uncharted 4

O multijogador não é o prato principal de Uncharted 4, mas é uma boa adição para passar o tempo depois de terminarem a história. No total existem quatro modos - Team Deathmatch, Plunder (do estilo capturar a bandeira), Command (capturar zonas) e Ranked Team Deathmatch - acompanhados de oito mapas inspirados nos vários níveis do modo história. Relativamente ao modo multijogador dos jogos anteriores, a grande novidade é a introdução dos Mysticals (poderes sobrenaturais) e dos Sidekicks (personagens controladas pela IA com funções específicas como reviver companheiros, defender locais ou simplesmente matar inimigos). Tanto os Mysticals como os Sidekicks são activados em tempo-real com dinheiro que ganham naquela partida. O dinheiro também serve para comprar armas poderosas, como um revolver que mata com um só tiro.

Diferente do modo história, o multijogador de Uncharted 4 corre a 60 fps, sacrificando os visuais bonitos para obter uma fluidez maior. É uma troca necessária devido às limitações do hardware e que faz sentido, já que a fluidez no multijogador é mais importante do que os gráficos. O multijogador também envolve microtransações através dos Uncharted Points, que podem ser comprados com dinheiro real, contudo, tudo o que pode ser desbloqueado através dos Uncharted Points pode ser ganho ao jogar. A Naughty Dog abriu temporariamente os servidores antes do lançamento, o que nos permitiu jogar algumas partidas contra outros membros da imprensa e membros da equipa QA da Naughty Dog, mas teremos que esperar pelo lançamento para testar o multijogador mais a fundo e verificar como os servidores se comportam sobre a pressão de milhares de fãs.

Uncharted 4 é uma despedida em grande da Naughty Dog. Não há garantias que este será o último jogo da série, até porque isso depende dos desejos da Sony (e a série é uma das mais populares da PlayStation), mas é o último jogo de Nathan Drake. No final, não existem pontas soltas nem a sensação que poderá haver mais uma aventura para a personagem. Também não nos parece que a série, tal como a conhecemos, tenha mais do que isto para oferecer. Uncharted 4 é um jogo fantástico e extremamente bem concebido que dará aos fãs tudo aquilo que procuram, mas os cenários exóticos, as perseguições alucinantes, as situações perigosas e as caças ao tesouro não são propriamente novidade. Adições como as áreas maiores e a opção de abordagem sorrateira aos inimigos melhoram a experiência, mas não a tornam muito diferente. Apesar da inevitável sensação de familiaridade, Uncharted 4 ainda consegue ser um jogo marcante. Se tens uma PlayStation 4, é uma aposta segura e que dificilmente te deixará desiludido.

Uncharted 4: O Fim de um Ladrão Jorge Loureiro Uncharted 4 usa a mesma fórmula dos anteriores, mas não deixa de ser uma esplendida aventura cheia de momentos emocionantes. 2016-05-10T10:31:00+01:00 4 5

Sobre o Autor

Jorge Loureiro

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Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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