Assassin's Creed: Syndicate - Antevisão

Um divertido regresso às origens.

Assassin's Creed Syndicate não representa uma revolução, mas pelo menos, volta a colocar a série no caminho certo. Não há distrações desnecessárias como o multijogador nem missões cooperativas e nota-se um regresso às origens, dando primazia à diversão de explorar uma grande cidade num século passado. Digo-o com base nas várias horas que passei a jogar, que foi graças a um convite da Ubisoft para viajarmos até Londres e desfrutar do seu novo jogo durante uma manhã inteira. Por norma, neste tipo de eventos há um grande controlo nos conteúdos a que podemos aceder, mas a Ubisoft deixou-nos explorar livremente.

Mas antes de vos contar mais sobre o que joguei, um pouco de contexto. Assassin's Creed: Syndicate é o novo jogo da série. Diferente de Assassin's Creed: Unity do ano passado, que decorria em Paris durante a revolução francesa, Syndicate tem lugar em Londres e transporta-vos para a revolução industrial. Em vez da narrativa estar virada unicamente para uma personagem, existem dois protagonistas no novo jogo, os irmãos Jacob e Evie Frye. Não sabemos se isto é uma forma da Ubisoft evitar as mesmas críticas do ano passado, mas seja como for, a liberdade de alternar rapidamente entre duas personagens é bem-vinda, até porque cada uma tem vantagens diferentes.

Jacob e Evie Frye são dois rebeldes que decidem desobedecer às ordens do seu mestre da Ordem dos Assassinos e tentar conquistar Londres aos Templários, que dominam a cidade há séculos. Conquistar a cidade de volta será um processo gradual que começa nos bairros em redor da grande capital, não se pode cortar logo a cabeça da serpente. É nestes bairros que os irmãos vão começar a aumentar a sua influência, eliminando estrategicamente os manda-chuva daquela área, sejam eles políticos ou criminosos. É logo no princípio do jogo, no segundo capítulo, que Jacob têm a ideia de formar um gangue para os ajudar na sua missão e segue adiante com a sua ambição.

Na verdade, Jacob não forma uma quadrilha, rouba-a. Derrotando numa rixa de rua o líder de um gangue já formado, Jabob assume a liderança e convida os capangas a juntarem-se à sua missão. Quantos mais bairros conquistarem, maior ficará o gangue. Também é possível comprar várias melhorias para os nossos capangas, o que dá jeito, sobretudo quando os chamamos para nos ajudarem numa missão. Qualquer gangue precisa de um centro de operações, e neste caso, o sítio é peculiar. É um conjunto da carruagens de comboio que está sempre a deslocar-se pela cidade, ou seja, não está num ponto fixo do mapa. O comboio é muito lento, além de que anda em círculos, pelo que não é viável usá-lo como meio de transporte.

O meio de transporte mais rápido de Assassin's Creed: Syndicate são as carruagens. Podem roubar quaisquer carruagens que vejam no meio da rua, como se de uma versão histórica de Grand Theft Auto se tratasse. As lutas no topo das carruagens são possíveis e um dos momentos mais cinematográficos que o jogo oferece. Claro que ainda podem deslocar-se pelos telhados se preferirem, mas dado o tamanho do mapa (cerca de 30 porcento maior do que o de Unity), há missões que podem ficar longínquas. Uma outra forma de deslocação é o gancho, uma nova ferramenta que une com um cabo um telhado do lado ao outro. Ainda sobre o mapa, houve uma limpeza e já não há tantos colecionáveis assinalados, um ponto positivo, já que os Assassin's Creed anteriores começaram a exagerar.

"Podem roubar quaisquer carruagens que vejam no meio da rua"

Com a introdução do gancho, a Ubisoft teve liberdade para criar a cidade de Londres de forma mais realista, sem ter que se preocupar em criar ligações em quase todos os telhados como acontecia em jogos anteriores. A cidade está lindíssima e os detalhes, como o efeito da luz solar a entrar pelas janelas e as roupas das personagens a flutuar ao sabor do evento, são de luxo. Se estão preocupados em problemas técnicos semelhantes aos de Assasssin's Creed Unity, não temam. Nas horas que passei a jogar apenas detectei erros considerados "normais" em jogos de mundo aberto, como alguns erros nas animações e personagens / NPCs a furar objetos, mas o rácio de fotogramas pareceu-me estável. Consegui jogar bem e nenhum problema técnico me arruinou a experiência.

Como disse no início, Syndicate tem dois protagonistas - Jacob e Evie - e podem alternar livre e rapidamente entre eles na exploração livre. Em algumas missões podem escolher com quem querem jogar, contudo, outras são específicas para cada personagem. Na movimentação e controlos não há diferenças, mas os irmãos têm habilidades diferentes que permitem abordagens distintas às missões. Jacob é mais indicado para entradas à força bruta e combates, enquanto Evie é melhor para as missões em que ser sorrateiro é uma necessidade. Ainda assim, Jacob pode ser sorrateiro, e a sua irmã também é capaz de dar uma grande tareia aos adversários.

Assassin's Creed: Syndicate, igual aos seus antecessores, continua focado num misto de ação e stealth, mas há ligeiros elementos RPG visíveis, e não estou a falar do crafting, que já existia noutros jogos. No novo capítulo Jacob e Evie sobem de nível à medida que vão desbloqueando e comprando as suas habilidades (o nível das personagens é individual e não unido). O nível dita o quão difíceis são as áreas e inimigos. Se estão ainda a nível 2, entrar numa área com inimigos de nível 5 é suicídio, isto porque vão causar-lhes pouco dano e sofrer muito em retorno.

As missões que vão encontrar são típicas de Assassin's Creed, ou seja, missões de assassinato, infiltração e de perseguições sorrateiras pelos telhados sem perder o alvo de vista, mas há uma conjugação com os novos elementos para oferecer aos fãs algo de novo. Agora existem missões de raptos, ou às vezes podemos escolher se queremos matar ou raptar o alvo. A introdução das carruagens é valiosa para as missões de fuga e originar momentos épicos nas ruas de Londres. Apesar de não reinventar a roda, Assassin's Creed: Syndicate provou ser um jogo divertido, o mais importante num jogo de aventura e ação, e que facilmente vos consegue roubar facilmente várias horas.

"Assassin's Creed: Syndicate provou ser um jogo divertido"

Os combates serão familiares para os fãs da série, até porque os controlos são quase idênticos, mas há mais brutalidade. O estilo de luta das personagens não é tão elegante como nos anteriores, é mais agressivo e sujo, o que combina com a atmosfera da cidade e com a personalidade dos irmãos. Diferente de Assassin's Creed anteriores, há menos foco nreas armas brancas (embora ainda existam) e mais ênfase no uso dos punhos, no entanto, tanto Jacob como Evie têm uma pistola que podem usar para executar violentamente nos combates.

Do que pudemos experimentar e observar, Assassin's Creed Syndicate é um regresso às origens, no sentido de que tenta recuperar aquilo que tornou os primeiros jogos tão populares, enquanto dá pequenos passos para preparar um jogo da série nos tempos modernos. Cronologicamente este é o jogo mais avançado (excluindo obviamente os curtos momentos da época atual que existem desde o primeiro jogo) e isso nota-se, seja na jogabilidade ou nas personagens. Jacob e Evie trazem uma nova atitude para Assassin's Creed, são mais rebeldes e ousados, e talvez seja disso mesmo que a série precisa para voltar à ribalta e sair da monotonia que se tem vindo a sentir há algum tempo.

Os custos da viagem a Londres e estadia no hotel foram pagos pela Ubisoft.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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