The Sims 4 - Análise

Sensação de vazio.

O simulador da vida real está de volta para a quarta temporada, tenta manter-se à tona para que não seja deixado no esquecimento e apenas recordado como um dos dinossauros do meio em questão. Sequelas são sempre complicadas, ainda mais em géneros estagnados com evidentes necessidades de renovação, ideias frescas e conteúdos que façam determinadas apostas renascer e progredir na direção adequada.

Em The Sims 4 é mantida a velha fórmula, com ajustes nas possibilidades de personalização, uma lavagem visual, interface redesenhado e uma maior ligação com as redes sociais. Desde logo nota-se que existem mais pormenores na construção do nosso personagem, onde tudo pode ser editado ao mais ínfimo pormenor. O tempo despendido aqui pode ser significativo, e com alguma dedicação podemos criar o personagem quase à nossa imagem. As ferramentas são bem completas, onde também existe a preocupação de simplificar todo o processo de criação.

Após o aspeto visual, há que atribuir uma personalidade à nossa criação virtual. Temos de volta os Traços e as Aspirações, que vão influenciar os desejos e comportamento em toda a sua vida. De referir que temos a possibilidade de escolher o tom de voz e até a forma como este caminha, algumas bem engraçadas.

Como é óbvio, somos reféns destas escolhas iniciais, onde teremos que satisfazer as necessidades inerentes ao que foi inicialmente idealizado. As emoções e desejos vão influenciar tudo o que é feito pelo Sim, desde uma simples conversa onde este pode sentir-se incomodado devido à presença de muita gente ao mesmo tempo, se a sua personalidade for de uma pessoa solitária. Há que ter sempre em atenção o seu estado de espirito, pois existem momentos em que se encontra inspirado para determinada tarefa, e se lhe fizermos a vontade somos recompensados.

Apesar de algumas mudanças e retoques, voltamos a ter as velhas rotinas de sempre. Dormir, necessidades fisiológicas, higiene, alimentação, e por aí adiante. É sabido que esta é a fórmula base de todo o jogo, mas passadas algumas horas damos por nós mergulhados nestas tarefas repetitivas e enfadonhas. O tempo passa muito rápido e não há muita margem de manobra para nos dedicarmos a uma maior socialização com os outros Sims. Se retirarmos o tempo necessário para o emprego, para as tarefas básicas, o que resta são alguns momentos para explorar a vizinhança. Pausar o jogo e escolher tarefas encadeadas é uma forma de rentabilizar o nosso tempo, mas The Sims deveria ser mais que isso.

Nota-se que existe maior autonomia no nosso Sim, é mais inteligente, chega ao ponto de sair de casa para fazer jogging se esta for uma das suas atividades preferidas. O relacionamento entre os Sims está bem mais complexo, podemos dialogar com todos e em qualquer lugar, entrar em autênticos debates quando estão vários a conversar ao mesmo tempo. Mas há problemas estranhos, como visitas constantes de determinados Sims à nossa casa no mesmo dia, por vezes temos que andar sempre a abrir a porta de tantas que são as solicitações.

Em relação ao modo construção muita coisa é mantida, mas ainda houve espaço para modificações, e algumas não foram necessariamente para melhor. Pela negativa temos o interface de construção que inicialmente nos deixou um pouco confusos, principalmente a forma de seleção e pesquisa de objetos. Claro que temos que nos habituar e familiarizar com o que é transformado, mas modificar só para dizer que está diferente não basta. Interessante é a opção de construção através de módulos completos já completamente equipados. Podemos assim selecionar uma casa de banho já toda equipada, onde após a colocação ainda podemos alterar as suas dimensões. Estes módulos permitem poupar tempo na construção e simplifica muito todo o processo de construção.

O mapa disponível é agora bem mais pequeno, não existe um mundo aberto onde podemos passear à nossa vontade. Temos apenas duas localizações, Willow Creek e Oasis Springs, e mesmo estas não são de grandes dimensões, limitando em muito o espaço onde podemos construir. A área exterior é de facto mais monótona, não visualizamos um único carro nas ruas, também não existem piscinas para dar uns mergulhos, algo muito estranho. A nível social há o destaque para a partilha de conteúdos concebidos pela comunidade Sim. Aqui podem dar liberdade à vossa vertente criativa e observar o sucesso das vossas criações. Há trabalhos bem interessantes, que muitas vezes nos deixam encavacados quando comparados com as nossas conceções.

Visualmente temos um jogo mais refinado, ligeiramente diferente e inesperadamente um pouco mais cartoon, existe uma ténue evolução mas nada de extraordinário. É evidente que foi dada prioridade à performance para que chegue ao maior número de jogadores possível. Se por um lado essa opção é bem recebida, por outro é irritante ver texturas muito pouco detalhadas em todo o mapa de jogo. Fazer zoom em determinadas zonas evidencia todas as lacunas a este nível. Não é exigente em termos de hardware, corre facilmente em máquinas menos potentes.

Os elementos que tornaram esta série num sucesso a nível mundial estão de volta, mas sente-se a falta de muitos dos conteúdos existentes em The Sims 3. Se estavam à espera duma versão com tudo o que foi alcançado no título referido podem desde já retirar essa ideia do pensamento, partimos praticamente da estaca zero. As portas estão completamente escancaradas para o lançamento de DLCs, uns a seguir aos outros, mas isso já estamos todos habituados.

Recomendar The Sims 4 não é muito fácil, principalmente para os veteranos nestas andanças. Se é a primeira vez que colocam as mãos na série, vão ficar de certeza encantados, onde tudo é novidade e as surpresas estão em toda a parte. Mas como é referido, há lacunas em conteúdos que têm que ser preenchidas, a sensação de vazio está permanentemente presente.

7 /10

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Sobre o Autor

Adolfo Soares

Adolfo Soares

Director

É o nosso homem do PC, por isso qualquer coisa é com ele. É também responsável pelo Eurogamer, bem como dá uma perna nas notícias.

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