The Last of Us: Remastered - Análise

Mais perto da perfeição.

Não há muito para dizer sobre The Last of Us que já não tenha sido dito na análise, onde recebeu um redondo 10/10. Não resta dúvidas que este título da Naughty Dog já tem um lugar de relevância garantido na história dos videojogos e tem dezenas de prêmios para o provar. Também não restam dúvidas que se há jogo que deveria ter direito a uma reedição para a nova geração, este é o candidato ideal.

Digo isto não apenas pela parte técnica. Com a nova versão para a PlayStation 4, a Naughty Dog conseguiu melhorar a apresentação visual da sua criação aumentando a resolução para 1080p e a framerate para 60 fotogramas por segundo para fluidez máxima. Mas não é pelo jogo ter atingido esta bandeira que o devem jogar. Seria uma injustiça reduzir The Last of Us apenas a um exibicionismo gráfico quando na realidade está entre os melhores jogos de sempre.

The Last of Us fechou a geração da PlayStation 3 com uma chave de ouro e que, de certa forma, concluiu a recuperação da Sony no mercado dos videojogos. Com o excelente início da PlayStation 4, é fácil esquecer que a Sony não começou a geração da PlayStation 3 da melhor forma, mas esforçou-se para melhorar e para reconquistar a base de jogadores ao lançar exclusivo atrás de exclusivo. Jogos como God of War 3, LittleBigPlanet e Uncharted ajudaram a tornar apelativa a consola, mas o pináculo foi The Last of Us, praticamente um jogo obrigatório para qualquer apaixonado pelos videojogos.

O problema de The Last of Us foi que só chegou na recta final da PlayStation 3, quando já todos sabíamos que a PlayStation 4 estava a caminho. Embora o jogo tenha sido um sucesso de vendas, passou ao lado de alguns, seja porque havia esperança que fosse lançada uma versão para a nova consola ou porque já tinham vendido a PlayStation 3 para preparar a aquisição da PlayStation 4. Deste modo, The Last of Us: Remastered é mais recomendável apenas para quem ainda não o jogou.

Aqueles que já tiveram a oportunidade de jogar The Last of Us na PlayStation 3 não vão encontrar aqui novidades para além das melhorias visuais e da inclusão de todos os conteúdos adicionais lançados depois do lançamento (dois pacotes de conteúdos para o multijogador e o pedaço de história Left Behind para a campanha). Alias, se colocarem as duas versões lado a lado, o mais impressionante é perceber o feito extraordinário que foi a versão PlayStation 3, que apresenta uma qualidade impensável numa consola com hardware já no seu limite.

Mas as melhorias na versão Remastered são perceptíveis. A maior resolução juntamente com o poder extra da PlayStation 4 permitiu tornar o aliasing (efeito "serrilhado") muito menos perceptível e torna-se imediatamente evidente que a imagem está mais limpa e nítida, técnicas que antes tinham sido usadas para esconder as imperfeições visuais. Os detalhes do mundo saltam mais facilmente à vista, o que num jogo como The Last of Us, que se trata de uma viagem pelos Estados Unidos passando por várias cidades, climas e estações do ano, torna a experiência muito mais rica. Dito isto, se ainda não compraram The Last of Us, é imperativo que optem por esta versão Remastered, sendo a melhor e a mais completa.

O trabalho da Naughty Dog na criação deste jogo foi tão notável e tão perto de roçar a perfeição que The Last of Us não faz más figuras na nova geração. Se pensarmos bem, torna-se até numa das melhores ofertas no catálogo da PlayStation 4 para 2014, em parte devido à onda de adiamentos para 2015 que surgiu recentemente.

O maior feito de The Last of Us é atingir o patamar da excelência em tudo o que faz. Não diria que é um jogo propriamente inovador, mas não há realmente falhas a apontar. A Naughty Dog pegou em toda a experiência que ganhou com Uncharted e criou a sua obra-prima, um jogo tão bom que é difícil imaginar que o estúdio consiga criar algo melhor no futuro (todos os olhos estão postos agora em Uncharted 4).

No contexto dos videojogos, é difícil encontrar uma narrativa que rivalize com a The Last of Us ou personagens tão bem criadas que podiam ser muito bem pessoas reais. No final, ninguém ficará indiferente à viagem de Joel e Ellie e à relação que desenvolveram nesse período. É uma jornada emocional tanto para elas como para quem está a jogar. A acompanhar temos uma jogabilidade que foi polida ao extremo, misturando secções de ação, contra inimigos humanos, e suspense, quando temos que passar despercebidos pelos infectados.

"É difícil encontrar uma narrativa que rivalize com a The Last of Us"

Pessoalmente, o que mais me agrada em The Last of Us é a sua capacidade para combinar a jogabilidade e narrativa, sem que uma comprometa a outra. Recentemente tem-se elogiado a aproximação dos videojogos aos filmes, mas sou defensor que os jogos devem continuar jogos, e a dimensão que lhes permite continuar a ter esse estatuto é a parte de jogar, quando podemos interagir com o mundo e controlar as personagens. The Last of Us excede-se assim em dois aspectos e consegue agradar a quem procura coisas diferentes: é uma excelente história e em simultâneo é um jogo de referência, com vários níveis de dificuldade e partes desafiantes. E para quem gosta de ser competitivo, ainda há o modo multijogador.

The Last of Us é uma referência no futuro do meio, e o seu lançamento para a PlayStation 4 vem relembrar o quão elevada está a fasquia neste momento. Não é de admirar que vários meses após o lançamento das novas consolas ainda não tenha surgido um jogo capaz de cumprir as expectativas (isto não quer dizer que tenham sido maus, longe disso).

Como gamer, e também no papel de crítico de videojogos há vários anos, The Last of Us é um dos jogos mais fáceis de aconselhar a qualquer tipo de jogador, desde aquele que gosta de jogar ocasionalmente ao hardcore que quer explorar tudo ao máximo. O lançamento de The Last of Us: Remastered só vem tornar a aquisição do jogo ainda mais apetecível e relembrar, para quem ainda não jogou, que ainda não é tarde para conhecer um dos marcos na história dos videojogos. Para além do DLC Left Behind, esta versão contará com o "makingof" Grounded, algo já conhecido no Youtube e o novo Photo Mode, mas que apenas estará disponível numa atualização no dia de lançamento.

Decidimos não atribuir nota a esta versão Remastered de The Last of Us porque, depois de uma discussão ponderada, chegamos à conclusão que não faz sentido e é despropositado classificar um jogo que ainda é recente e cuja narrativa, jogabilidade e outros aspectos são transversais à nova geração, mantendo a mesma nota. Por isso não deixamos de recomendar que leiam a análise original à versão PS3 onde recebeu a nota 10/10 assim como ao DLC Left Behind.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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