Final Fantasy 8 Remastered: as melhorias são poucas, mas o jogo ainda brilha

Selphie stick.

Duas décadas depois do lançamento do original, Final Fantasy 8 Remastered chega à PS4, Xbox One, PC e Switch com a esperança de se tornar na edição definitiva. Este é o último Final Fantasy da sua era a receber qualquer tipo de tratamento HD e quando vires o remaster em movimento, vais perceber o porquê. Apesar de alguns passos na direcção certa, existem passos atrás sobre o original na PS1.

Final Fantasy 8 foi um marco, levou os triunfos tecnológicos de Final Fantasy 7 para um novo patamar. As lindas sequências em vídeo regressaram e as cenas pré-renderizadas foram combinadas de melhor forma com os modelos 3D de grande qualidade. A missão em Dollet é um bom exemplo, uma incrível cena onde um robô caranguejo persegue Squall pelas ruas. Deu-nos visuais superiores ao que o hardware PS1 conseguiria realisticamente alcançar em tempo real, através da força bruta, enchendo quatro CDs com cenas de vídeo.

A combinação de FMV com 3D em tempo real foi um feito tecnológico incrível para aquela altura, mas a Squaresoft também foi mais além noutras formas. A banda sonora usa amostras de maior qualidade, com foco em músicas com voz. O motor também corria modelos de personagens com mais polígonos para o elenco principal - Squall, Rinoa e Seifer surgem nos combates com o mesmo modelo usado para percorrer os cenários. Além disso, a intrusiva janela de batalha de FF7 - que ocupava uma boa parte do ecrã inferior - foi removida. Aqui tens todo o fotograma com um HUD transparente por cima. No final dos anos 90, passar de um para o outro foi uma incrível melhoria.

É um jogo que pedia um remaster, mas o resultado final está longe de ideal, mesmo com coisas positivas. Acredito que existem três vantagens neste remaster. A primeira são as novas versões HD dos modelos dos personagens e inimigos. Os novos designs do elenco, guardian forces e tudo o resto são belos de ver. São mais consistentes com as versões vistas nas FMV. Até vais reparar em detalhes que eram fáceis de perder, como a costura nas roupas ou a cicatriz na cara de Squall.

Tudo o que sabemos de Final Fantasy 8 Remaster.

Depois temos os boosters. Ao pressionar os analógicos, podes acelerar o jogo até 3x, desactivar os encontros aleatório ou aumentar o HP e limit breaks. São batotas, mas tornou-se comum nos remasters de Final Fantasy, até em FF12. Frequentemente, traçarás um padrão de ataque que vais repetir e a velocidade 3x ajuda a acelerar o processo. É um grande extra sobre o original, para que te foques no que é divertido.

A resolução é o terceiro ponto. O original corria a 320x240 na PS1, o remaster corre a 1920x1080 nativa (mesmo na Pro). Não tivemos a possibilidade de o testar na Xbox ou Switch, mas é difícil não acreditar que também corre a full HD nelas. A 1080p beneficia tudo o que é renderizado a 3D em tempo real, desde os personagens às batalhas e mapa mundo. Além disso, o remaster também remove alguns vestígios e limpa a imagem, mas ainda temos um rácio de 4:3.

O principal problema é que todos os fundos originais e cutscenes têm baixa qualidade, apenas receberam um filtro para suavizar. A situação melhora imenso nas cutscenes, mais nítidas e limpas, mas a disparidade entre os fundos desfocados e de baixa resolução com a 1080p nítida é gritante e não funciona. A upscalling automática está a transformar bitmaps 2D do passado com muitos pacotes de texturas feitas por fãs e não consigo deixar de pensar que uma abordagem similar aqui seria muito melhor.

Os aspectos 3D também têm problemas pois muitos dos assets são baseados em arte com 20 anos. O mapa mundo, por exemplo, é renderizado em 3D e a melhoria permitida pela resolução full HD e filtro de texturas é enorme. No entanto, as texturas não têm a nitidez necessária, algo que não surpreende tendo em conta o aumento de 20 vezes na resolução. Os programadores trocaram os modelos por versões de maior qualidade e é pena que não o tenham feito no mapa mundo. A diferença é gritante e o mapa de texturas está alinhado de forma terrível.

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Os modelos dos personagens foram altamente melhorados.
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O problema do remaster é misturar personagens de grande qualidade com os fundos pouco nítidos.
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Esta imagem mostra como alguns problemas na imagem da PS1 foram resolvidos no remaster.
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Mais um exemplo das melhorias nos personagens.
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O aumento de 20x na resolução não ajuda em nada os cenários.
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Existem indícios que foram usadas versões de melhor qualidade nas FMV.
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Nem tudo é negativo, as Guardian Force surgem com melhor qualidade.
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Mais um exemplo de como foram alcançadas melhorias a partir de assets da PS1.
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O fraco filtro de texturas desapareceu, mas na verdade, as limitações da PS1 escondiam algumas das fraquezas do jogo.

Provavelmente, o código original não estava disponível, pois poderia ter sido criado originalmente numa resolução superior. Isto significa que renderizar novamente com um alvo de 1080p não era opção. Ao invés disso, tiveram de usar assets directamente das versões PS1 ou PC. De acordo com as impressões iniciais do remaster no PC, as provas sugerem que as versões de consola correm uma versão do original para PC, lançada em 2000 - possivelmente com uma espécie de emulador x86. Isto poderia explicar o porquê das novas versões partilharem tantas das falhas do port PC original.

Não existem controlos analógicos, tal como na versão PC, que usava rato e teclado. A versão PS1 dava-te controlo a 360 graus no analógico. Significava que era muito mais fácil alinhar com um NPC e falar com eles. Nesta versão, pareces um robô a caminhar. A vibração também está ausente. De várias formas, emular a versão PS1 poderia significar uma melhor experiência.

A performance merece ser mencionada. A versão PS1 apresentava algo único nos jogos Final Fantasy. Nos primeiros dias do 3D nas consolas, 30fps eram um luxo e frequentemente aceitavam uma performance inferior para ter visuais de maior qualidade. Num jogo tão avançado quanto FF8, significava correr com rácios de fotogramas que variavam de acordo com a situação. Tens 30fps ao percorrer o mapa mundo ou nas cidades, mas as batalhas maximizam a 15fps. Obviamente, como os combates são por turnos, nunca afecta o elemento estratégico. O principal aspecto aqui é que os menus corriam a 60fps na PS1, o que significava grande suavidade nos indicadores dos limit breaks.

Final Fantasy 12 chegou à Xbox One e Switch recentemente e por isso também temos um vídeo.

A performance é o pior aspecto do remaster. Corre a 30fps ao percorrer os cenários e sem esforços para ir mais além. Nas batalhas, maximiza a 16fps - 1fps acima do que tinhas na PS1. Além disso, os menus já não correm a 60fps, sincronizam com a acção 3D. Quando estás numa batalha, os menus refrescam a 16fps, tal como o gameplay e infelizmente, isto afecta a jogabilidade. Os ataques especiais, como o Renzokuken de Squall, precisam que pressiones o R1 no momento certo, onde apenas terás um quarto do feedback visual para acertar. Se sentires latência nos comandos nos menus, é porque os 60fps agora passaram para 16fps.

Final Fantasy 8 ainda é um jogo incrível, mas este remaster não apresenta melhorias pelo todo. O rácio de fotogramas pode ser pior do que na PS1, não tens controlos analógicos, suporte para vibração e as melhorias visuais não são consistentes. A grande vantagem são os bossters e os modelos melhorados. A bela direcção de arte e a banda sonora aguentam-se bem e o mini-jogo Triple Triad ainda é muito divertido.

Final Fantasy 8 foi um pioneiro no uso de fundos animados. Os elementos de vídeo combinados com modelos criados com o motor de jogo, na altura em que o 3D nas consolas estava a dar os primeiros passos. Apesar da falhas do remaster, vale a pena para ver como a tecnologia PS1 foi levada mais além. Não é um remaster perfeito, longe disso, sendo até frustrante. Pelo menos, dá-nos uma ideia dos desafios que a Square Enix enfrentou na altura e se conseguires aceitar as suas falhas, é uma forma fácil de jogar um dos mais ambiciosos JPRGs da sua era.

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Sobre o Autor

Thomas Morgan

Thomas Morgan

Senior Staff Writer, Digital Foundry

32-bit era nostalgic and gadget enthusiast Tom has been writing for Eurogamer and Digital Foundry since 2011. His favourite games include Gitaroo Man, F-Zero GX and StarCraft 2.

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