Hades (PS5) review - Apanha-me se puderes

Um roguelike onde não sentes que estás a perder tempo.

O melhor do género Roguelike. Divertido, desafiante e onde cada tentativa contribui para conseguires chegar mais perto do final.

Normalmente, os roguelikes são jogos assustadores. São poucas as pessoas que gostam da ideia de perder e começar tudo do início. Podem ser vistos como uma perda de tempo, como um poço de frustração, e como um género exclusivo para jogadores que gostam de jogos desafiantes e têm muito tempo disponível. Hades, apesar de ser um roguelike e de ter uma dose moderada de desafio, é um jogo acessível para qualquer um e bastante respeitador do tempo que tens disponível.

É o melhor roguelike que já joguei e os prémios de Jogo do Ano (entre outros) que acumulou nos últimos meses mostram que há outras pessoas que pensam como eu. Por isso, nem hesitei quando me perguntaram se queria analisar a versão PS5, ainda que já tivesse jogado bastante na versão PC. Esta versão tem novidades interessantes como a possibilidade de jogar a 4K e 60 fotogramas por segundo. Não esquecer que há também suporte para o feedback háptico do Dualsense.

No plano geral, as particularidades da versão PS5 são apenas minuciosidades perante o resto do jogo. O feedback háptico, neste caso em particular, não transforma a experiência. E quanto à barra luminosa, que muda de cor de acordo com o deus do Olímpio com o qual estás a interagir, é um detalhe estiloso, mas que passará despercebido a maior parte do tempo. A maior vantagem é mesmo a maior qualidade visual, desempenho estável a 60 FPS e loadings praticamente instantâneos. Nada disto estava presente na versão Nintendo Switch analisada em Setembro de 2020.

Roguelike da mitologia grega onde controlas o filho de Hades

Hades é um jogo inserido na mitologia grega onde tens de escapar do submundo. O protagonista é Zagreus, o filho escondido de Hades. Farto de ser controlado pelo seu pai, Zagreus está decidido a escapar das profundezas e contará com a ajuda dos deuses do Monte Olimpo. A ajuda dos deuses aparece no jogo na forma de melhorias que surgem aleatoriamente em cada tentativa de fuga. Pode-te aparecer uma melhoria de Zeus, que te concede poderes de electricidade, de Poseiden, que te concede poderes do mar, de Ares, o deus da guerra que te aumentará o dano de várias formas, entre outros. Estes poderes do deuses do Olimpo podem ser combinados para terem efeitos ainda mais devastadores.

No total, existem quatro áreas pré-definidas, mas com diversas variações de inimigos. Como qualquer roguelike, o objectivo é ficares o mais forte possível numa tentativa de fuga e conseguires vencer o boss final (é fácil adivinhar quem é). No entanto, em cada escapadela podes apanhar recursos que, quando voltas ao início (ao Palácio de Hades no submundo) podes usar para melhorar as habilidades de Zagreus. Podes aumentar a sua barra de saúde, a quantidade de dano causado quando acertas num inimigo pelas costas, e até desbloquear vidas extra (ou seja, quando morres, não voltas logo ao início). Por isso, em cada escapadela, mesmo que não consigas chegar ao final, sentes que fizeste algum progresso e que não foi um completo desperdício de tempo.

"Em cada escapadela podes apanhar recursos que, quando voltas ao início, podes usar para melhorar as habilidades de Zagreus"

Mais importante, o processo é divertido... e desafiante, claro. Hades funciona basicamente com um hack and slash e tens diversas armas para escolher (vais desbloqueando as armas com chaves que recolhes nas escapadelas). A jogabilidade é incrivelmente fluída e responsiva - o que é essencial para as secções finais, que aumentam bastante de intensidade. Cada arma tem uma personalidade própria, com vantagens e desvantagens. O arco é excepcional para atacar ao longe e manter a distância, mas é mais lento do que outras armas. O escudo é bom para defender, mas tem um nível de aprendizagem mais elevado do que outras armas como a espada e manápulas. Depois, existem dádivas divinas mais apropriadas para umas armas do que outras.

Quanto mais jogas, mais descobres da história

Contar uma história num roguelike é difícil, mas a Supergiant Games conseguiu fazer isso de uma forma engenhosa em Hades. Noutros roguelikes, quando perdes voltas ao início e isso funciona como um reinício. Em Hades cada tentativa não é esquecida e as personagens com quem falas estão conscientes que já tentaste escapar várias vezes do submundo. Isso vai desbloqueando novos diálogos e pedacinhos da história. O mesmo acontece com outras mecânicas. Eventualmente, descobres que podes usar recursos raros que recebes ao derrotar bosses para evoluir as armas. Cada deus do Olimpo (e outra personagens do submundo também) oferecem-te um item se lhes ofereceres um presente. É um jogo bastante mais profundo do que aparenta no início.

O tempo que vais demorar para chegar ao final dependerá, bastante, da habilidade de cada um. Alguns podem demorar dezenas de horas, outros podem conseguir escapar do submundo em menos de 10 horas. No entanto, Hades não foi desenhado para ser um sprint. A Supergiant Games concebeu o jogo para que cada jogador o aprecie ao seu próprio ritmo. E claro, mesmo que consigas chegar ao final do jogo, é divertido tentar repetir o feito com armas e combinações diferentes de dádivas divinas. O receio e a frustração de perder são sentimentos bastante associados ao género dos roguelikes, mas em Hades estão ausentes. É tão divertido e dá tanta satisfação a jogar que não vais querer pousar o comando.

Se nunca jogaste um roguelike, não existe melhor jogo do que Hades para te iniciares no género. Podes jogar 10 minutos ou 2 horas seguidas (e se não tiveres tempo para concluir uma tentativa, o jogo deixa-te gravar a meio).

Prós: Contras:
  • Um roguelike que respeita o teu tempo
  • Cada arma é única, com vantagens e desvantagens
  • Combinar e evoluir as dádivas divinas fazem-se sentir poderoso
  • A história vai progredindo lentamente com cada fuga
  • A mistura perfeita entre diversão e desafio
  • Mais profundo do que aparenta e com grande valor de repetibilidade
  • Banda sonora de elevada qualidade e que complementa a ambientação
  • Um modo para 120 Hz era bem-vindo

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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