Os Melhores Jogos de 2020 - Escolhas da Redação

Votamos nos nossos favoritos.

Depois da lista com os Melhores Jogos de 2020 dos leitores, estamos de volta com mais alguns destaques, mas desta vez escolhidos pela equipa do Eurogamer Portugal.

Após partilhares os teus gostos e experiências connosco, o mais justo e merecido é revelarmos quais os jogos que mais nos marcaram e cujas memórias ainda brilham com especial vigor na nossa mente, mesmo passados meses de os termos jogado. Existem diversos jogos que poderiam ser apresentados e escolher apenas um é uma angústia.

Tendo isso em conta, decidimos aumentar ainda mais a angústia e escolher cada um o jogo que considera ser o ponto mais alto do ano, seja pelo impacto em nós enquanto jogadores ou pela diversão que nos deu, juntamente com 2 jogos que ficaram muito perto de agarrar esse título. Se escolher um só jogo para destacar foi difícil, escolher mais dois ainda tornou tudo mais exigente.

Temos diferentes gostos e gostamos todos de jogar um pouco de tudo, sem esquecer os nossos guilty pleasures. Esperamos que estas escolhas mostrem um pouco de quem somos enquanto jogadores e que mostrem que acima de tudo encaramos esta indústria com uma incessante busca por novas experiências que teremos todo o gosto e recordar.

A indústria dos videojogos brilhou em 2020, um ano marcado pelo isolamento social ditado por uma pandemia, o que tornou ainda mais especial os tempos passados em casa a jogar alguns desses jogos. Sejam as memórias de Final Fantasy 7 Remake, um clássico renascido e jogado em pleno isolamento social, permitindo viajar para um mundo e escapar ao drama da realidade, seja Animal Crossing: New Horizons que nos levou literalmente para a ilha, existem jogos que conquistaram um contorno especial este ano, precisamente pelo que decorreu à volta da indústria.

Outras escolhas são apenas expressões do nosso ADN enquanto jogadores, reflexos da nossa alma gamer e que mostram quase automaticamente quem somos e o que mais procuramos quando olhamos para a indústria.

A todos os que nos acompanham, um enorme obrigado por partilharem as vossas experiências connosco e acompanharem a nossa cobertura sobre um meio de entretenimento que tanto nos apaixona.

Votos de um Feliz 2021 e que seja abençoado com a tua companhia. Obrigado.

Jorge Loureiro

Jogo do Ano

  • The Last of Us: Parte 2: Numa indústria pautada quase sempre pela ausência de risco criativo, fazer o que a Naughty Dog fez com uma das propriedades mais populares da PlayStation necessitou de coragem, confiança e ambição. Apesar do embate que houve com os fãs, devido à fuga de informações antes do lançamento, foi curioso ver como as impressões foram lentamente mudando â medida que mais e mais pessoas foram terminado a história. A narrativa de The Last of Us: Parte 2, apesar de pequenas inconsistências, é uma jogada de mestre que mostra que as coisas não são sempre como pensamos e que existe uma pluraridade de perspectivas do mesmo acontecimento. Sem dúvida alguma, o jogo mais memorável, o mais chocante, o mais emocionante, e também o melhor de 2020.

Menções Honrosas:

  • Astro's Playroom: O jogo que vem incluído em todas as consolas PlayStation 5 foi a maior surpresa do ano para mim. Simplesmente náo estava preparado para a diversão e inovação que encontrei em Astro's Playroom. Apesar da sua curta duração, é uma experiência intensa que surpreende do princípio ao fim no seu uso das funcionalidades do Dualsense para criar uma maior envolvência no jogador.
  • Star Wars: Squadrons: Confesso que foi difícil preencher esta última vaga. As primeiras foram quase imediatas, mas vários jogos ocorreram-me enquanto meditava sobre esta menção honrosa. Ultimamente, optei por Star Wars: Squadrons pela sensação de desafio, envolvência e por ser um dos melhores jogos de Star Wars dos últimos anos (ao par de Jedi Fallen Order). A combinação entre sensação arcade e simulação na jogabilidade cria um desafio altamente satisfatório enquanto pilotas as diversas naves, requerendo uma gestão meticulosa dos sistemas de energia para triunfar em dog fights espaciais. Um jogo obrigatório para os fãs de Star Wars, que te vai deixar a sentir como um verdadeiro piloto de X-Wings e Tie Fighters.

Vítor Alexandre

Jogo do Ano

  • Streets of Rage 4: Dezasseis anos depois do lançamento de Streets of Rage 3, para a Mega Drive, chega-nos uma estupenda sequela, não pelas mãos da Sega, mas por via de uma colaboração entre três estúdios, devidamente apoiada pela editora japonesa. O resultado deste “beat'm up” crucial, carregado de nostalgia mas altamente desafiante e viciante, traduz-se em mais níveis, novos combos, inéditas personagens e todo um esquema de combate muito bem implementado. Acabou por ser mais do que os fãs julgavam possível, até mesmo em termos musicais, nos quais se destacam os contributos de Yuzo Koshiro, o criador dos temas originais. Um jogo da “velha guarda” capaz de prestar tributo aos magníficos clássicos mas ao mesmo tempo sem renunciar a uma identidade própria.

Menções Honrosas:

  • Animal Crossing: New Horizons: Conheço a série Animal Crossing praticamente desde a origem, mas só com a versão 3DS (New Leaf) podemos dizer que se tornou numa experiência maior, mais livre, profunda e com menos barreiras. Neste sim life em que a dimensão cute é levada a níveis estratosféricos e onde partilhamos a nossa vida com a dos animais, New Horizons desenvolveu o alcance da experiência anterior, mesmo fazendo da simplicidade e de uma certa repetição de eventos (conseguir a casa na sua plenitude) a sua imagem. Foi também para muitos, como para mim, o jogo que tornou um pouco mais fácil lidar com os primeiros tempos da pandemia, numa ilha onde podemos dar largas à nossa criatividade, contemplar as nossas obras ou fazer o que nos dá na real gana. Na realidade é talvez o mais majestoso calendário virtual que podem encontrar neste momento
  • Yakuza: Like a Dragon: Tenho jogado com alguma frequência a série Yakuza. É das poucas séries que a Sega mantém com grande vitalidade, fazendo questão de ter ao leme uma equipa de produção inteiramente nipónica, almejada a conquistar o mundo (o trono da máfia?). Talvez a pensar a longo prazo, a produtora alterou completamente o sistema de combate, desenvolveu um novo protagonista e arrancou com uma nova narrativa. Bem sabemos que as produções anteriores são em elevado número e dada altura já nos sentíamos confusos, mas a passagem de testemunho de Kazuma Kiryu para Ichiban Kasuga foi integralmente bem sucedida. Com uma narrativa que assenta na amizade (formação de uma party), os elementos role play e o sistema de combate por turnos passaram para a frente, mas não falta o já habitual drama naquelas cinematográficas da máfia japonesa. Com a cidade de Yokohama em fundo, Like a Dragon deixou-me uma das mais fortes impressões do ano e a certeza de que não são necessários orçamentos gigantescos, nem esmagadores mundos abertos para se conseguir um grande jogo. Longa vida a Yakuza.

Adolfo Soares

Jogo do Ano

  • Doom Eternal: Frenético e intenso são dois adjetivos que definem na perfeição Doom Eternal da id Software. Um shooter à moda antiga com uma exemplar capacidade de se adaptar aos tempos atuais. É daqueles jogos que não cansa, que podemos estar horas a fio com uma intensidade que nos permite descarregar todo o stress acumulado depois de um dia de trabalho. Mas não é apenas a excelente velocidade de jogo e a execução gameplay imaculada, é também uma fantástica arte visual e uma banda sonora que merece um digno destaque.

Menções Honrosas:

  • Ghost Of Tsushima: É daqueles amores à primeira vista, Ghost Of Tsushima consegue-nos envolver na sua temática sobre Samurais e contos lendários, que nos agarra até ao último fôlego. Um mundo aberto onde foi buscar inspiração a outras paragens, mas que as une e dá o seu toque pessoal bem minimalista. As mecânicas de combate são das melhores que tenho visto nos últimos tempos, exigentes, mas recompensadoras quando dominadas na perfeição, é uma sensação que só jogando e sentindo nas nossas mãos a fluidez de toda aquela dança de lâminas ao vento. Harmonia entre arte e jogabilidade no seu estado mais perfeito, foi o que a Sucker Punch conseguiu entregar.
  • The Last of Us: Parte 2: Não estava mesmo inclinado a inserir esta segunda incursão da Naughty Dog por um jogo que me marcou intensamente na PlayStation 3, e que praticamente defraudou todas as minhas esperanças no que se refere a contar uma história que cativasse tão intensamente como fez o primeiro. Mas ao refletir o que o jogo me fez sentir em toda esta segunda jornada, tinha mesmo de o colocar neste top 3, muito pelo facto de fazer sentir, inesperadamente, um despertar inquietante de sentimentos interiores estranhos. Apesar das mecânicas nada inovadoras e praticamente um copy-paste do jogo anterior, mas com deslumbrante apresentação artística e uma narrativa que nos deixa completamente revoltados. É o que um jogo deve fazer, desencadear sentimentos escondidos que não esperaríamos brotar.

Bruno Galvão

Jogo do Ano

  • The Last of Us: Parte 2: O mais recente trabalho da Naughty Dog é um novo triunfo do meio dos videojogos. Seja pela elevação deste meio de entretenimento para novos e ousados patamares ou pela glorificação das experiências de ação e aventura interativas, The Last of Us: Parte 2 representa um novo marco na indústria. Ao riscar os conceitos tradicionais, ao apostar em camadas e nuances morais para eventos de incrível e inesperado impacto nas personagens principais, a Naughty Dog fez mais do que brincar com conceitos de "bom" e "mau" num meio narrativo. A vingança pelos memes de dissonância ludonarrativa foram pagos em sangue e foi cantado um hino aos videojogos cinematográficos.

Menções Honrosas:

  • Final Fantasy 7 Remake: A Square Enix conseguiu entregar um JRPG memorável que presta homenagem a um dos maiores clássicos desta indústria, enquanto ao mesmo tempo o revitalizou para uma geração moderna e o expandiu com astúcia. Diria que os responsáveis pelo remake foram engenhosos pois não tiveram medo de explorar o seu próprio encanto pela maravilha que é o original, sem se prenderem a saudosismos. Um remake de Final Fantasy 7 merecia toda a pompa e circunstância das experiências mais cinematográficas e entusiasmantes. O respeito e carinho pelos personagens (basta ver a forma como o papel e presença de Sephiroth foram transformados para aproveitar o seu estatuto de culto), a banda sonora, as novidades e o sistema de combate triunfam sobre as pequenas falhas.
  • Ori and the Will of the Wisps: Mais uma experiência sensacional da Moon Studios. A sequela de Ori é mais um jogo repleto de alma, emoção e sensação. É um metroidvania feito com talento e mestria, que mostra como uma geração que cresceu motivada e influenciada pelos grandes mestres consegue brilhar nas suas homenagens. Visuais encantadores, uma banda sonora fenomenal e um gameplay incrivelmente viciante fazem deste Will of the Wisps um dos jogos mais memoráveis da geração.

Salta para os comentários (62)

Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

Conteúdos relacionados

Também no site...

Comentários (62)

Ignora piores comentários
Ordenar
Comentários