Mortal Kombat 11 Aftermath review - Engrossar as fileiras

Uma significativa expansão faz deste o combate mais mortal.

Um ano após o lançamento, a décima primeira iteração de Mortal Kombat recebe o seu maior bálsamo, na forma de Aftermath, um conteúdo suplementar e maioritariamente gratuito que vem engrossar a oferta e ampliar a narrativa através de novos capítulos e lutas. Se Mortal Kombat 11 proporcionou imensas opções, embora algumas decisões discutíveis tenham permanecido (podem ler ou reler por aqui a análise que efectuamos ao jogo original), esta expansão vem sobretudo dinamizar os combates mortais por mais algum tempo. Se ainda não jogaram o original, esta é a melhor oportunidade para o fazerem.

Mortal Kombat é um "fighting game" que prima pelo realismo, pela dinâmica dos combates, quase cinematográficos, na forma de transições suaves, o que acaba por distingui-lo dos jogos de luta marcadamente nipónicos, nos quais se privilegia a fantasia, o exagero e até uma dimensão caricatural de personagens do cinema e lutadores verdadeiros, entre outros estereótipos. O resultado da produção de Ed Boon, para além do grau de convencimento na forma como o realismo se manifesta naqueles golpes nefastos e horrendos, para além do virtuosismo gráfico, encontra-se na muito boa execução. Movimentos rápidos, interligados e de uma suavidade espantosa proporcionam uma óptima sensação de luta e choque de forças.

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O novo desenvolvimento narrativo acrescenta novos combates e podem ser seleccionadas diferentes personagens até ao derradeiro combate.

Em Mortal Kombat X tivemos já uma magnífica afinação dos combos e técnicas, o que permitiu à franquia chegar até aqui, mas a evolução agora operada é significativa embora o prato forte do jogo desta vez esteja na ampliação da oferta, pois o resto já sabemos que se mantém. É um jogo grande, que um ano após o original sai reforçado com novos cenários, os sempre cómicos "friendships" a somar às "fatalities". A boa notícia disto é que este conteúdo é descarregado gratuitamente, basta terem o disco original ou o ficheiro instalado na vossa consola para sacarem o conteúdo.

A história continua

A pagar, conta-se no entanto, a melhor oferta. Consiste na chegada de três novas personagens: Robocop, Sheeva e Fujin. Uma expansão da história, que vem dar continuidade ao longo de meia dezena de capítulos, suficiente para garantir perto de três horas, entre cinemáticas e combates, ao bom estilo a que nos habituou a NetherRealm, com algumas performances de encher o olho. Lembrar que esta porção da narrativa pode ser desfrutada em separado, mas se não jogaram o original o melhor é jogarem tudo, pois está interligada com a anterior narrativa e dá sequência à conclusão pretérita.

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Robocop entra em cena, juntando-se a Terminator e Joker. As suas habilidades funcionam especialmente à distância.

Há lutas fenomenais, especialmente contra Shang Tsung (bem interpretado por Cary Tagawa) e a sua habilidade de locupletar as almas dos lutadores mais incautos. A integração das cinemáticas nas batalhas é mais uma vez exemplar, através de transições suaves e que nos levam da inação ao combate sem qualquer ecrã de carregamento, o que é sempre bem-vindo e devia ser uma norma nos jogos de luta. A narrativa acrescenta um conjunto de viagens no tempo e novas alianças. Não é nada de muito surpreendente e, como já referido, o mais interessante acaba por ser a performance de algumas personagens e até o trabalho de voice acting.

"A integração das cinemáticas nas batalhas é mais uma vez exemplar, através de transições suaves e que nos levam da inação ao combate"

No que respeita às novas personagens, embora sejam apenas três, é certo que desenvolvem estilos muito diferentes. Robocop é pela sua construção talvez a personagem mais dissonante deste naipe. Capaz de varrer as ruas de Detroit, como bem o vimos no cinema, durante a década de oitenta, também aqui empresta um conjunto de combos arrasador, especialmente à distância, o que pode ser uma vantagem para os jogadores que preferem jogar à defesa e atingir os rivais sem grandes aproximações.

Robocop vs Terminator

Embora seja interessante jogar com Robocop, o meu entusiasmo dentro desta vaga de personagens vai para Sheeva. Muito forte na aproximação ao adversário, com uma panóplia de golpes relativamente fáceis de aplicar e poderosos, pode tornar-se num autêntico vendaval cada vez que é atirada para combate. Já Fujin opera em domínios menos convencionais, o que reflecte alguma beleza e dinâmica nos golpes mas porventura mais exposto caso os seus ciclones não sejam libertados no tempo exacto. De um modo geral, a entrada de Robocop vem juntar-se aos peculiares Exterminador e Joker. Poder desfrutar deste trio é muito significativo e ainda acrescem mais duas personagens com a aura típica de Mortal kombat.

Ao juntar a significativa expansão Aftermath a um jogo já por si repleto de conteúdos, personagens, cenários, fatalidades e "friendships", Mortal Kombat 11 sai reforçado e entra para o panteão dos melhores "fighting games" desta geração. A NetherRealm Studios, liderada por Ed Boon, assegurou nesta geração um regresso marcado por uma modelação realista do universo Mortal Kombat, apesar da cedência a elementos como os consumíveis e o seu custo suplementar, um sistema de progressão mais rápido com base no dispêndio de valores monetários. Embora isso possa ser contornado por mais algumas voltas e tempo gasto a jogar, o sucesso deste renascimento da franquia está na sua composição mais cinematográfica e realista, bem como ao nível técnico. Se ainda não jogaram o original, este é talvez o melhor momento e ainda economizam alguns euros.

Prós: Contras:
  • Novo desenvolvimento do arco narrativo, com mais capítulos e novas personagens
  • Transições suaves das cinemáticas para o combate
  • Diferentes estilos nas novas personagens
  • Mortal Kombat mais dotado de conteúdos e opções
  • Voice-acting
  • Integração das micro-transações
  • A narrativa da expansão dá demasiadas voltas
  • Alguns picos de dificuldade ainda persistem

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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