Crash Team Racing - Nitro Fueled - Análise - com a língua de fora

Crash e companhia ao volante.

Vivemos uma boa altura para os fãs de jogos de corridas arcada de karts. Depois de Super Mario Kart 8 Deluxe e Team Sonic Racing, a Activision brinda-nos com o remake de um clássico da Naughty Dog: Crash Team Racing. Produzido pela Beenox, o jogo ganhou uma imagem renovada dentro do actual padrão, mantendo a jogabilidade apurada do original. Antes de se lançar em Uncharted e depois em The Last of Us, a série Crash foi a primeira série do estúdio norte-americano. Mas se é de um remake que falamos, importa sublinhar que este jogo chega-nos após o lançamento de Crash Bandicoot N. Sane Trilogy, uma colecção de remasters dos 3 primeiros jogos Crash Bandicoot. Temos por isso a Activision a revitalizar uma das mais queridas séries dos fãs, quase vinte anos depois.

Lançado em 1999 como exclusivo PlayStation, Crash Team Racing foi uma agradável surpresa. Não só o jogo ofereceu uma boa jogabilidade como ainda se revelou interessante no design e nas mecânicas, ao ponto de oferecer os seus argumentos. Ainda hoje é um título perfeitamente agradável, capaz de proporcionar uma boa experiência. Deitando mãos à obra e pegando numa produção sólida, a Beenox foi suficientemente sapiente para perceber que a jogabilidade teria de ser mantida, enquanto os gráficos seriam o ponto de maior intervenção, compatibilizando-os com o padrão gráfico da actual geração de consolas.

Constituído maioritariamente pelo conteúdo do original, acrescem as corridas de Crash Nitro Kart, cenas cinematográficas no modo aventura, um modo online e algumas opções inéditas. Mas se tiveram a oportunidade de jogar o original é bem provável que se sintam em casa assim que principiem uma corrida. Os menos versados na matéria vão apreciar as regras, transversais à maioria das propostas embora com uma série de adaptações e mecânicas exclusivas ao ponto de tornar mais difícil a chegada à primeira posição.

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Os desafios CTR obrigam a um esforço suplementar para encontrar as letras.

Em termos estratégicos, o ponto diferenciador é a activação do turbo quando o carro entra em derrapagem. Numa técnica algo similar à de Mario Kart (o carro em derrapagem usando um gatilho) podemos ganhar alguma velocidade extra, um pico temporário. Mas para alcançarmos essa proeza temos que premir o gatilho oposto quando é libertado um fumo negro do escape no momento da derrapagem. Essa janela de oportunidade equivale a uma fracção de segundo. Basta um instante a mais (ou em generosa antecipação) para perdermos a activação (ainda que tenhamos à disposição a barra do turbo e dessa forma nos seja revelada a melhor forma para o disparo). Se formos certeiros ganhamos uma dose de velocidade extra, um impulso que nos leva para diante, e acreditem que em CTR-Nitro-Fueled bem que vão ter que andar quase sempre dessa forma se quiserem vencer.

Estes picos de velocidade temporária podem ser proporcionados por outras formas que não apenas a activação do turbo em drift. Há rampas de velocidade, os já conhecidos power ups sob a forma de propulsores que lançam o carro para diante e ainda a activação do boost quando ocorre a projecção do kart (na queda, o carro ganha velocidade extra se premirem o botão no momento certo). É um bom conjunto de habilidades com as quais podem obter velocidade extra. Terão de as utilizar de forma constante, tirando proveito em cada curva, cada ressalto, passagem por rampa de lançamento, etc. Só assim estarão em condições de andar mais regularmente na frente.

O sistema de "power ups" funciona de forma bastante similar a Mario Kart. Ao passarem em determinadas zonas da pista acertam nas características caixas de madeira da série. Após um breve instante é revelado um item para utilização imediata. Os instrumentos separam-se entre ofensivos e defensivos. Escudos de protecção, bola explosiva capaz de rolar sobre a pista e desfazer tudo no seu encalço, os mísseis. Há utilizações interessantes (e subtis) nestas ferramentas, uma espécie de plano alternativo, como o escudo transformado num projéctil. O esquema de funcionamento é simples mas a sua utilização é bem interessante e acaba por proporcionar óptimas batalhas em pista.

Crash_team_racing_turbos
A janela de activação do turbo é extremamente limitada.

Versão Switch em modo Ecrã Dividido.

Se estiverem pouco acostumados às regras, caso não se recordem depois de tantos anos, podem consultar um breve manual explicativo das mecânicas. Depois só precisam de as pôr em prática. A curva de dificuldade requer treino. No modo aventura, para abrirem novas pistas e mudarem de ambiente, precisam de terminar todas as corridas em primeiro. As provas iniciais não causam grandes dificuldades, embora comecem a suar. Adiante, a dificuldade sobe significativamente. Terminar em primeiro requer uma grande dose de esforço, treino e um aproveitamento pleno dos power ups e técnicas de drift e turbo, caso contrário acabam por ficar atrás. A vantagem do modo Nitro-Fueled (uma alternativa ao modo aventura original) passa pela personalização e escolha de diferentes karts. Mas para acederem a outros veículos, peças e kits de pintura, terão que terminar provas na frente. As sequências animadas acrescentam alguma história, diálogos que não são propriamente do mais interessante em termos criativos, mas cumprem a tarefa.

Sempre que mudam de área e avançam para uma corrida através do portal identificado no mapa, um ecrã de loading é apresentado, normalmente ligado a uma dica. Estes são um pouco demorados, assim como a entrada no jogo também está barrada por um pesado carregamento. Não é nada de preocupamente, mas nestes jogos de corridas rápidas e arcade, apreciamos as transições mais rápidas e suaves.

As corridas do modo aventura são brindadas com uma série de objectivos secundários. Encontrar as letras C, T e R pode ser o cabo dos trabalhos, mas altamente gratificante. Já ir de encontro às caixas de maçãs revela-se uma vantagem que compensa o esforço do desvio. Não só ganham mais velocidade como isso vos deixa numa situação de superioridade em termos de velocidade se mantiverem o stock ao máximo, mas não se deixem atingir ou perdem todo o acumulado. A variedade de provas também se estende pelos objectivos. Time Trials, coleccionar caixas de modo a neutralizar o tempo, até às arenas onde são convidados a lutar pelos cristais. Isto resulta numa boa dinâmica, numa ponte para o multiplayer e para as corridas online.

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Todas as personagens e pistas do original estão presentes. Também podem jogar com as personagens no seu formato poligonal.

Para além do incrível número de pistas e ambientes, estão presentes imensas personagens da série, assim como veículos. Tudo oriundo do original, o que é revelador da magnífica experiência com que os jogadores foram brindados em 1999. Mas o melhor é a atenção ao pormenor, nas animações das personagens sobre os karts (e os olhares que deitam ao adversário quando há ultrapassagem ou se vêem na iminência de um ataque) e no tratamento dado às pistas. Os karts são maioritariamente bonitos, existem imensas possibilidades de personalização e as cores e tratamento de luminosidades está bem conseguido.

A sensação de velocidade é boa. As corridas são muito disputadas e o ritmo pode ser frenético. A inteligência artificial por vezes trava o andamento mais diabólico. Há sempre um adversário atrás que consegue chegar perto. Raramente chegamos com grande avanço à meta. É assim em Nitro-Fueled, um óptimo remake de um original que nos deixou boas memórias. Poder desfrutar desse jogo com um novo grafismo, entre opções e modos inéditos, é uma experiência que recompensará os mais esforçados.

Prós: Contras:
  • Modo aventura Nitro-Fueled
  • Mecânicas de jogabilidade
  • Boa sensação de velocidade
  • Curva de dificuldade muito alta

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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