O sucesso de Fortnite é inegável. Num período inferior a um ano, a Epic Games tomou conta da indústria dos videojogos com o seu popular Battle Royale e conseguiu desviar a atenção do público de outros jogos para si. É um feito incrível, apenas comparável à explosão que Minecraft teve há uns anos, culminando com uma aquisição de milhares de milhões de dólares por parte da Microsoft.

Mas porque razão é que Fortnite tem actualmente tanto sucesso? Não é certamente um mero acaso. Houve factores que beneficiaram a ascensão do jogo da Epic Games, mas por outro lado, a companhia soube aproveitar em pleno esses factores. O resultado está à vista: Fortnite tem actualmente milhões de jogadores espalhados por diversas plataformas e faz milhões de dólares diariamente em microtransacções.

A maior prova do sucesso de Fortnite é que estabeleceu uma tendência na indústria e todos os grandes players estão agora a correr para a acompanhar. Editoras gigantes como a Activision e Electronic Arts querem uma fatia do mercado e introduziram modos Battle Royale nos próximos jogos da séries Call of Duty e Battlefield, que previamente dominavam o género dos jogos de tiros nas consolas.

Antes de tudo, não estaríamos a falar no sucesso de Fortnite sem PlayerUnknown's Battlegrouds ou PUBG, abreviatura pela qual é mais conhecido. Embora PUBG não tenha sido o criador do género Battle Royale, foi o responsável pela explosão da loucura em torno das partidas de todos contra todos entre 100 jogadores. PUBG registou um crescimento exponencial logo nos primeiros meses, vendendo milhões e escalando a tabela dos títulos mais jogados no Steam, ultrapassando eventualmente colossos como Counter-Striker GO e DOTA 2.

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As skins de Fortnite tornaram-se tão populares que a Samsung aliou-se à Epic games para oferecer uma skin exclusiva na compra do novo Galaxy Note 9 e Galaxy Tab 4

Entretanto, em Julho de 2017, uns meses depois do lançamento de PUBG no Steam, a Epic Games lançou Fortnite, largos anos depois do anúncio inicial. Fortnite foi lançado como um jogo cooperativo em que lutas contra hordas de inimigos e podes fazer construções em tempo real para te abrigares. Apesar do interesse inicial que gerou, o número de jogadores caiu rapidamente. O Fortnite que todos conhecem hoje só foi lançado a 25 de Setembro desse mesmo ano. Foi nesta data que a Epic Games acrescentou o modo Battle Royale.

O modo Battle Royale foi a salvação de Fortnite. Tal como PUBG, o modo Battle Royale de Fortnite deixa que participes em partidas de 100 jogadores de todos contra todos (mas também existe a opção de jogar em grupos até quatro jogadores), mas existem duas diferenças fundamentais: em primeiro lugar, o modo Battle Royale de Fortnite é gratuito; em segundo, manteve a mecânica das construções e elementos de fantasia, o que oferece uma experiência radicalmente diferente e muito mais amigável do que PUBG.

"O modo Battle Royale foi a salvação de Fortnite"

O factor de gratuitidade, face ao preço de 29.99 euros de PUBG, ajudou imenso ao crescimento de Fortnite. Mas este não foi o único factor que beneficiou a Epic Games na corrida aos Battle Royale. Enquanto PUBG só estava disponível para PC, o modo Battle Royale de Fortnite ficou disponível em Setembro para PC, Xbox One e PlayStation 4. Portanto, apesar de PUBG ter sido lançado primeiro, Fortnite conseguiu chegar mais cedo às consolas, ficando acessível para milhões de utilizadores adicionais.

Chegar primeiro às consolas e a ausência de um custo para jogar foram potenciadores para o crescimento de Fortnite, mas a Epic Games também foi inteligente e soube capitalizar rapidamente na oportunidade. A companhia começou a encaminhar todos os seus recursos para Fortnite, tanto é que, em Janeiro de 2018, cerca de quatro meses depois do lançamento do modo Battle Royale, a Epic Games anunciou que Paragon tinha os dias contados.

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A Epic Games está sempre a lançar novos modos e armas para Fortnite Battle Royale.

A Epic Games também soube cativar uma nova geração que já cresceu na Internet e que está habituada a vangloriar-se em redes sociais como Facebook e Instagram. As skins e emotes podem ser meramente itens cosméticos e opcionais, mas estão na base do sucesso de Fortnite. A Epic Games soube acompanhar as tendências, lançando emotes de danças engraçadas e criando "ruído" em torno do jogo a cada nova Season. Efectivamente, neste quesito, adiantou-se a largos passos de PUBG, que só recentemente introduziu uma forma de monetização semelhante ao Battle Pass de Fortnite.

Com o seu aspecto cartonesco, Fortnite é um jogo amigável para todas as idades mas que, debaixo do visual colorido e apelativo, esconde uma jogabilidade com profundidade e que premeia jogadores habilidosos. É um jogo para todos, capaz de agradar a streamers que passam horas diariamente a jogá-lo, como a jogadores mais casuais que só jogam uma partida ou duas por dia. E apesar de ser um jogo gratuito, Fortnite é actualizado com novidades com mais frequência do que alguns pagos, mantendo a base de jogadores interessada e criando ansiedade e especulação para o que está a vir a seguir.

"As skins e emotes podem ser meramente itens cosméticos e opcionais, mas estão na base do sucesso de Fortnite"

Actualmente, até podemos dizer que Fortnite já não acompanha tendências. Fortnite é o que estabelece as tendências. O jogo conseguiu alcançar um público que vai além da audiência tradicional dos videojogos. Hoje vemos pais e filhos a dançarem as danças de Fortnite (há que referir que o jogo não foi o criador destas danças, mas foi o que gerou a sua propagação). Mais do que isto, vemos jogadores de futebol a celebrarem com estas mesmas danças. O jogo tornou-se tão popular que o famoso rapper Drake apareceu no Twitch e juntou-se a Ninja, o streamer mais popular da plataforma, para umas partidas.

O que há parar retirar de tudo isto? O sucesso de Fortnite não foi sorte. Podes até nem achar piada ao jogo e preferir outro tipo de experiências, o que é perfeitamente aceitável, mas há que dar o devido mérito à Epic Games. A companhia viu uma oportunidade e aproveitou-a. Em menos de um ano, tomou controlo da indústria dos videojogos e deixou os outros a correr atrás. PUBG até pode ter chegado primeiro, mas a Epic Games chegou mais cedo às consolas, tornou o modo Battle Royale gratuito e soube gerir e aproveitar muito bem a popularidade que o jogo ganhou. Fortnite está agora em todo o lado e conseguiu algo que raramente um jogo consegue: transcender o seu próprio meio.

Nada eterno e é impossível de prever até quando é que Fortnite continuará em altas. Por agora segue em frente sem um rival à altura e não há como virar a cara ao seu sucesso. Podes não gostar de Fortnite, mas o que a Epic Games conseguiu alcançar terá impacto na indústria dos videojogos nos próximos anos.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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