O PlayStation VR não representa um sucesso estrondoso para a marca, mas com mais de 2 milhões de unidades vendidas em pouco mais de um ano, o capacete de realidade virtual da PlayStation 4 é um dispositivo que não pode ser ignorado e que tem uma posição cada vez mais cimentada no mercado dos videojogos.

O primeiro ano deste dispositivo trouxe algumas propostas interessantes no que toca a videojogos, mas no que diz respeito a hardware, no geral os melhores jogos só começam a surgir algum tempo após o lançamento, quando os produtores já tiveram tempo suficiente para realizar experiências e aprender com os erros. Isto é verdade para todo o tipo de videojogos, mas especialmente para os títulos da realidade virtual.

Apesar de já estar disponível para as massas (em grande parte graças ao PlayStation VR e à sua acessibilidade face a dispositivos de outras marcas) a realidade virtual ainda é uma tecnologia emergente e com imperfeições. Essas imperfeições tornam-se ainda mais evidentes quando os jogos não estão devidamente polidos devido à elevada envolvência da experiência. Um jogo de realidade virtual exige muito mais de nós, fisicamente e psicologicamente, e a mínima falha é suficiente para nos deixar desconfortáveis. Depois, há que levar em conta que as pessoas reagem de forma diferente e, enquanto alguns podem sentir-se confortáveis em certo jogo, outros podem sentir-se desconfortáveis.

A boa notícia é que, dos novos títulos a caminho do PlayStation VR, os quais pude experimentar num evento Londres, apenas um me deixou desconfortável. Melhor ainda, a diversidade de jogos no evento era alta e fiquei genuinamente interessado em algumas das propostas apresentadas.

A coincidir com este evento, a Sony anunciou uma descida permanente no preço do PlayStation VR, o que significa que a partir de agora a realidade virtual está ainda mais acessível. Se tens um PlayStation VR ou estás a pensar em adquirir um, confere em baixo as nossas impressões do catálogo apresentado pela Sony para 2018.

Salary Man Escape

O que é? É um jogo satírico de puzzles para a realidade virtual em que o jogador tem que ajudar os assalariados a percorrer um percurso do ponto A até ao ponto B.

As nossas impressões: Foi o jogo que mais gostamos do evento e que aplica de forma eficaz os benefícios da realidade virtual aos puzzles. Os primeiros níveis são simples, mas vão ficando cada vez mais difíceis desafiantes. Os níveis são construídos com figuras geométricas e para ajudarmos os assalariados a percorrer o caminho temos que remover certos blocos ou reorganizá-los.

A aplicação da realidade virtual é vantajosa, permitindo ver o nível de perspectivas aproximadas e ter uma melhor noção do que temos de fazer para resolver o puzzle. É basicamente um jogo de puzzles com base na física, mas que mostra como a realidade virtual pode ser usada para tornar um jogo deste género muito mais imersivo.

Firewall: Zero Hour

O que é? É um jogo de tiros na primeira pessoa com vertentes a solo e multijogador. O foco está na estratégia e stealth.

As nossas impressões: No papel de alguém que fez a análise há pouco tempo de Rainbow Six Siege, Firewall: Zero Hour parece um proposta praticamente idêntica. A única diferença é que se trata de um título para a realidade virtual. Se combinarmos a experiência com o Aim Controller, que foi lançado juntamente com Farpoint, Firewall: Zero Hour torna-se altamente imersivo e numa das melhores propostas de FPS para a realidade virtual.

Espreitar nas portas e tirar partido dos ângulos para apanharmos de surpresas os nossos adversários são acções que se tornam naturais depois de jogarmos durante alguns minutos. Tal como Rainbow Six Siege, existem vários soldados para escolher, cada um com as suas particularidades. O objectivo do mapa roda e, depois de defenderem o objectivo, terão que atacar, ou vice-versa.

Os controlos funcionam bem e em nenhum momento nos sentimos desconfortáveis. O ritmo mais lento da movimentação, devido a tratar-se de um jogo táctico, ajuda neste factor. No evento só tivemos a oportunidade de testar a vertente multijogador, que parece ser a principal a atracção. Embora as semelhanças com Rainbow Six Siege sejam mais do que muitas, até ao momento ainda não há nada parecido na realidade virtual.

Blood & Truth

O que é? Um jogo de acção na primeira pessoa que decorre em Londres e explora o submundo do crime.

As nossas impressões: É uma sequela espiritual de The London Heist, uma das experiências que estava incluída no PlayStation VR Worlds. The London Heist foi recebido como uma das melhores coisas que o PlayStation VR tinha para oferecer no lançamento, mas não passava de uma experiência curta. O London Studio da Sony meteu mãos à obra e começou a fazer um jogo completo que se rege pelo mesmo princípio: oferecer muita acção e adrenalina.

Diferente de Firewall: Zero Hour, em Blood & Truth não temos uma liberdade completa de movimentos. É um jogo on-rails em que podemos escolher, em algumas sequências, para onde queremos ir, mas o movimento é sempre limitado. Naquilo que importa, isto é, a diversão de disparar uma arma, Blood & Truth entrega na perfeição.

Um pormenor fantástico é o acto de recarregar a arma, que com o PlayStation Move envolve chegar com a mão até ao peito, fingindo que estamos a ir buscar um carregador ao casaco, para depois inseri-lo na arma. Se quiserem, até podem recarregar a arma com grande estilo ao atirar o carregador para o ar e ao apanhá-lo com a arma.

Star Child

O que é? Um jogo de aventura e plataformas que decorre num planeta alienígena.

As nossas impressões: Foi a demonstração mais curta do evento, não excedendo cinco minutos, mas fiquei impressionado com a aplicação da realidade virtual a este género. Existe uma grande tendência para criar jogos na primeira pessoa para a realidade virtual, mas Moss veio provar que existem outros géneros com potencial para esta tecnologia e que não correm o risco de causar indisposição nos utilizadores.

Em Star Child vemos a acção a acontecer de uma perspectiva lateral, mas os cenários ganham uma grande expressividade na realidade virtual. A imersividade está lá, só que não temos uma perspectiva na primeira pessoa. A demonstração mostrou-nos um encontro com uma criatura gigante, tanto grande quanto o cenário, depois de uma secção de saltos simplista.

Infelizmente a demonstração terminou depois deste ponto alto, mas fiquei com curiosidade para jogar mais.

The Persistence

O que é? Um jogo de terror futurista inserido numa nave especial.

As nossas impressões: É a ovelha negra dos jogos que experimentámos no evento e causou-me indisposição depois de cerca de 20 minutos. Antes de começar a jogar, deparei-me um ecrã em que podemos escolher os controlos da câmara e, mesmo tendo escolhido o modo de conforto, não foi suficiente para evitar a infame indisposição que muitas vezes é associada à realidade virtual.

The Persistence adopta uma perspectiva na primeira pessoa e temos controlo total da personagem e da câmara. A navegação na nave espacial tem que ser cuidadosa para evitarmos alertar as estranhas criaturas hostis. Ao nosso dispor temos várias armas e também um escudo, que se activado no momento certo, pode atordoar as criaturas.

É neste momento o mais próximo que existe de um Dead Space para a realidade virtual.

Smash Hit Plunder

O que é? Um jogo num castelo medieval em que tens de partir coisas para ganhar dinheiro.

As nossas impressões: A descrição diz-te quase tudo o que há para saber sobre Smash Hit Plunder. É um jogo competitivo para ser jogado com amigos em que o objectivo é vaguear pelas divisões de um castelo, partindo todos os objectos possíveis para amealhar dinheiro. Quem conseguir encontrar mais dinheiro a partir coisas, ganha.

Existe um modo cooperativo (e foi assim que experimentei) em que o segundo jogador ajuda o outro a virar tudo do avesso para encontrar moedas de ouro. É um jogo com um conceito muito estranho e um dos menos interessantes do evento. O propósito passou-me ao lado.

CoolPaintr VR

O que é? Não é propriamente um jogo, mas antes uma aplicação de pintura para a realidade virtual.

As nossas impressões: Para quem tem uma forte vertente criativa, CoolPaintr VR permiti-te dar assas à imaginação. As possibilidades são imensas: tens diferentes tipos de pincéis, efeitos e ferramentas para criar pinturas tridimensionais. Na demonstração não fiz mais do que experiências que deram para o torto, até porque o tempo era limitado, mas gostei. Era diferente de tudo o resto no evento e mostrava uma aplicação diferente da realidade virtual.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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