Pokémon Shuffle - Análise

Mais cedo ou mais tarde.

Jogar ou não a troco de pequenas transacções? Eis a questão. Um modelo de jogo "freemium" importado, vale por curtos períodos de jogo.

Enquanto que Steel Diver: Sub Wars foi o primeiro jogo "free to play" (sem custos para o utilizador mas com grande ênfase nas micro transacções) editado pela Nintendo para a família de consolas 3DS, na Europa, com Pokémon Shuffle, a intenção em lidar e transpor para as suas plataformas os caminhos digitais oriundos do mercado "mobile" é mais clara e parece vir para ficar, sobretudo depois do anuncio da entrada da companhia de Quioto no mercado mobile. Na verdade, se acrescentarmos Rusty's Real Deal Baseball (lançado somente nos Estados Unidos e Japão por razões óbvias), Pokémon Shuffle é o terceiro jogo "freemium" editado pela Nintendo, o que significa que à semelhança de outros jogos do género, qualquer utilizador de uma portátil pode descarregar o jogo, gratuitamente, desfrutar do mesmo durante algum tempo, até sentir que as mecânicas do jogo o encaminham para a eShop, a loja digital que serve as consolas Nintendo, onde, a troco de pequenas somas monetárias, passará a dispor das condições necessárias para continuar a jogar na máxima extensão.

A Nintendo foi das últimas companhias a aderir às transformações impostas pelo mercado digital, por seu turno, uma decorrência clara dos jogadores, dispostos a pagarem um valor adicional por mais conteúdo, ao preço do jogo. Primeiro com os conteúdos digitais (a Capcom tinha-os no disco e desbloqueava-os após a compra) e depois com o negócio das micro transacções, tão presente e encarado como algo normal. Veremos até que ponto a Nintendo vai lidar com estes trilhos, para o futuro, dentro das suas plataformas, especialmente quando pensamos na NX, a consola que Iwata prometeu que será lançada pela Nintendo, mas sobre a qual nada se sabe a não ser que ainda não é para já.

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Num quadro com esta apresentação é fácil ganhar um combate, mas há um ranking pelas melhores pontuações.

Por enquanto e depois de um aquecimento com Steel Diver: Sub Wars, a Nintendo regressa com uma franquia mais apelativa, a série Pokémon, uma das grandes minas de ouro da companhia. Felizmente os jogos da série principal permanecem fora da malha que vai moldando a cena digital, mas não é o caso deste "spin off" Pokémon Shuffle, um jogo inspirado em sucessos do "mobile" como Candy Crush ou Bejeweled. A ideia da Genious Sonority, o estúdio por detrás do jogo, é aproveitar o caminho aberto por esses filões e simultaneamente resgatar a vastíssima audiência da série Pokémon.

Mas sabendo-se como a mesma é profícua diante de jovens de tenra idade, sujeitá-los a transacções através da loja digital, envolvendo a necessidade de juntar cartões de pontos ou de crédito, pode ser, em muitos casos, um obstáculo difícil de ultrapassar, pelo que no caso dos menores é fundamental o supervisionamento de um adulto.

Pokémon Shuffle apresenta um conceito em quase tudo semelhante ao Pokémon Link: Battle!, também criado pela Genious e editado pela Nintendo em 2014. Pede-se ao jogador que lute contra uma série de Pokémons a partir de uma tabela quadriculada, de apreciáveis dimensões, devendo ligar três ou mais monstros de bolso, num efeito sonoro e visual particularmente atractivos e que representam um ataque sobre o Pokémon que enfrentamos naquele momento. As primeiras batalhas decorrem sob uma grande simplicidade, sempre com acompanhamento de uma "treinadora" que nos vai deixando inúmeras e detalhadas instruções quanto aos passos a dar.

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Os adversários lançam obstáculos, como aquele cubo. No entanto, uma série de combos é suficiente para limpar o ecrã.

Encadeando ataques, através de poderosos combos (ligando vários pokémons seguidamente), a vida do nosso adversário, vai enfraquecendo, até à eventual derrota. Depois de derrotado, urge apanhá-lo. Este processo, quase automático, depende da vossa eficácia durante o combate. Se investiram na equipa correcta de Pokémons para o derrotar é provável que a boa pontuação alcançada seja a suficiente para o aprisionar, de outra forma o pequeno monstro poderá libertar-se e permanecer fora da vossa lista de monstros.

É fundamental ganhar as batalhas, mas não é menos importante aprisioná-los. Ao conquistarem novos Pokémons terão mais possibilidades de escolher um "line up" mais forte para lutar contra adversários mais poderosos. Se pensarem nas características e poderes de cada um, saberão que é mais eficaz atacar um Pokémon forte em água usando o poder de fogo. Os elementos como o fogo e a água são essenciais. De todo o modo, o jogo dá-vos uma ajuda no que toca à selecção da melhor equipa, quase de forma automática, mas é imperativo ter os melhores Pokémons em cena.

Outro ponto relevante diz respeito à transformação dos Pokémons, através de um sistema de evolução que permite a combinação destas pequenas criaturas noutras mais fortes. Quando combinados os ataques em linha podem ser como um "jackpot", uma reacção em cadeia suficientemente bombástica, capaz de varrer do ecrã as barreiras e obstáculos lançados pelo Pokémon adversário.

A trajectória pelos mais de 130 pokémons é enorme, sendo que o jogo ainda contempla uma série de batalhas suplementares, de grau de dificuldade mais elevado, porventura desafiantes para os especialistas. Durante uma hora de jogo conseguem desfrutar de Pokémon Shuffle como qualquer outro jogo adquirido a retalho. Mas, submetidos ao sistema de micro transacções, não tarda até chegarem ao ponto que vos condiciona a progressão rápida que vinham tendo até aí, a troco pela aquisição de jóias. Estas pedras preciosas, no valor de 99 cêntimos, podem ser trocadas por vidas e moedas, o combustível necessário para manter o ritmo do jogo, pois por cada combate travado gastam uma vida. Não tarda até que fiquem sem vidas e por isso das duas uma: ou compram "créditos" na loja ou deixam passar tempo até que possam fazer um novo combate. O StreetPass também pode dar uma série de oportunidades, se não quiserem gastar dinheiro. Se não se importarem de jogar por curtos períodos de tempo e de forma espaçada, poderão desfrutar de uma utilização pacífica, embora estejam sempre com aquela condição por perto.

Como alternativa à série principal, Pokémon Shuffle apresenta os seus predicados, uma jogabilidade rápida, acessível, sedimentada num conceito de "puzzles" algo em voga, aliás Pokémon Link: Battle! até nos deixou positivas impressões. Só que o modelo "freemium" é sempre um passo arriscado, que tanto poderá atrair alguns jogadores como afastar outros devido ao modelo das micro transacções. Se não vos causar dificuldade jogar de forma menos regular e apenas alguns minutos por dia (de manhã, antes de sair da cama e à noite, antes de adormecer), encontram aqui uma proposta gratuita, leve e válida, caso contrário não será um problema encontrar outras e melhores opções.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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