O guia definitivo do retrogamer: as 8-bits

Dicas essenciais, NES e Master System.

Agosto é mesmo a silly season. Como nas últimas semanas não houve nada de relevante que mereça ser comentado, decidi arrancar com um projecto que tenho há algum tempo na gaveta: o guia definitivo do retrogamer. Desta forma, sempre que existirem semanas mortas no que toca a notícias de videojogos, vou escrevendo mais um pouco no guia “definitivo” sobre retrogaming.

Televisão e cabos

O vosso LED colossal de 65 polegadas pode ser muito bom para jogos da PlayStation 4 a 1080p mas liguem-lhe uma NES e notam logo que é uma porcaria para jogar Super Mario Bros. Existem duas soluções para conseguirem a melhor imagem nos vossos jogos antigos:

  • para os puristas: nada como uma boa velha televisão de tubo para jogar os clássicos da forma que era suposto. Qualquer televisão de tubo serve mas, se optarem por esta via, certifiquem-se que compram uma que aguente com sinal a 60hz e formato 4:3, no caso de ser widescreen
  • para os comodistas: se não quiserem utilizar uma televisão diferente para os jogos mais antigos, podem comprar um conversor HD. Esta maravilhosa caixinha pega no sinal de um cabo scart e faz upscale através de um cabo HDMI. Podem procurar no YouTube vídeos com o antes e o depois para verem a enorme diferença. É um investimento que vale muito a pena
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Se querem evitar que este sacana se ria de vós, joguem Duck Hunt apenas numa televisão antiga. Não funciona num LCD.

Se comprarem uma consola que venha com cabos RF (antena), deitem-nos imediatamente fora e comprem a versão Scart/RCA. Em televisões de tubo, a melhoria na qualidade do sinal é imensa e não têm o trabalho de sintonizar o sinal; para televisões actuais, os conversores HD não são sequer compatíveis com sinal RF.

Não precisam de comprar um cabo diferente para cada consola: desde a SNES que o cabo RCA é o mesmo nas consolas da Nintendo, acontecendo o mesmo com as consolas da Sony desde a PlayStation original. Com as consolas da SEGA terão mesmo que adquirir um cabo diferente para cada uma (no que toca a economia, a empresa nunca foi brilhante).

Onde e como comprar

Como na GameStop não têm o Battletoads para a NES, é no mercado dos usados que um retrogamer tem que se mexer. O eBay britânico e o OLX são os locais que mais uso para alimentar este vício. A loja inglesa Retrogames tem também uma selecção excelente e a qualidade é garantida. Se tiverem uma Cash Converters na vossa área dêem lá um salto. É comum encontrar grandes jogos a preços baixos(já comprei lá um Final Fantasy VIII novo por €10).

Embora me pareça que os vendedores abusam um bocado nos preços, o pessoal de Lisboa pode sempre dar uma volta na Feira da Ladra. Já no Porto, a loja PressPlay é a Meca para qualquer retrogamer, sempre com alguma actividade a decorrer. Por fim, não perdem nada em colocar um anúncio na Tradezone da Eurogamer ou em dar um salto à secção Retro do nosso fórum.

No OLX e no ebay leiam sempre os anúncios com muita atenção. No que toca a hardware, um preço demasiado baixo implica quase sempre uma contrapartida com a qual não querem lidar. Perguntem sempre o valor dos portes no OLX, se enviam para Portugal no eBay, e se fazem descontos caso comprem vários jogos. Perguntar não custa e quase sempre vale a pena regatear o preço.

Por fim, um conselho: não fiquem obcecados em adquirir os jogos com caixas de cartão e manuais. Até à GameCube e DS, todos os jogos da Nintendo vinham em caixas de cartão(devem ter poupado uma fortuna em policarbonato), acontecendo o mesmo com algumas consola da SEGA (32X e Game Gear). Encontrar jogos tão antigos com as caixas originais e manuais em bom estado é difícil e bastante caro.

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Por muito bonito e icónico que seja, não vale a pena desgraçarem o vosso orçamento num Super Mario Bros. 3 completo.

As 8-bits

A nossa viagem no tempo começa nas 8-bits. Sim, tenho clara noção que existiram consolas antes mas não tenho experiência suficiente com elas para falar do assunto. Quando era miúdo, joguei algumas vezes numa Atari 2600 e numa Magnavox Odyssey do meu pai mas até nessa altura a barreira gráfica era demasiado grande para os meus olhos.

Na Europa as 8-bits resumiram-se a duas máquinas: a Nintendo Entertainment System (conhecida por NES) e a SEGA Master System. Apesar de ter eclipsado com facilidade a máquina da SEGA, a Nintendo ganhou uma concorrente que lhe iria dar água pela barba na geração seguinte. Esta foi uma das maiores rivalidades de sempre em qualquer indústria mas isso são histórias para outro artigo.

Nintendo Entertainment System(NES)

Se, tal como eu, nasceram na primeira metade dos anos 80, é bastante provável que a NES tenha sido a primeira consola em que jogaram. Lembro-me de ter uns 4 ou 5 anos e a minha prima receber uma no natal com o Super Mario Bros. e o Duck Hunt. Fiquei estupefacto com o que vi na televisão e ainda não parei de jogar.

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Foi assim que começou o vício.

Lançada na Europa em 1986, 3 anos depois da sua estreia no Japão com o nome de Famicom (Family Computer), a NES é a pedra basilar de qualquer colecção de jogos que se preze. Adquirir uma em boas condições de funcionamento não é a tarefa mais fácil do mundo mas não é impossível. A Pressplay costuma ter com frequência e existem várias à venda no OLX. A consola deve custar-vos à volta de €100 e normalmente vem com dois comandos, a pistola Zapper, e os jogos Super Mario Bros. e Duck Hunt (os bundles antigamente valiam mesmo a pena). Se virem alguma por menos deste preço, leiam bem o anúncio e, se possível, peçam para experimentar antes de a comprar.

No que toca a catálogo, a NES é uma das melhores consolas de sempre. Séries clássicas como Mario, Zelda ou Castlevania nasceram nela e ainda continuam fortes nos dias de hoje por isso é bastante alargado o número de jogos essenciais. Felizmente, são quase todos uma pechincha e com pouco dinheiro é possível construir uma biblioteca respeitável.

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Apesar de muitos dos melhores jogos da NES não terem chegado à Europa, a consola ainda consegue ter um dos melhores catálogos de sempre.

Aqui fica a minha lista de títulos NES essenciais, todos eles bastante fáceis de encontrar e a preços que raramente ultrapassam os €10:

  • Super Mario Bros. 1, 2 e 3;
  • Metroid;
  • Kid Icarus;
  • Ice Climbers;
  • Duck Tales;
  • Castlevania I e III;
  • Duck Hunt;
  • The Legend of Zelda I e II;
  • Mega Man 2 e 3;
  • Battletoads;
  • Contra;
  • Bomberman;
  • Excitebike;
  • Ninja Gaiden;
  • Dr. Mario;
  • Punchout!!;
  • Bionic Commando;
  • Teenage Mutant Ninja Turtles II;
  • Street Gangs;
  • Tetris;
  • Metal Gear;

Sega Master System

A Master System foi a principal “concorrente” da NES e a primeira consola da SEGA lançada na Europa. Apesar de ser mais poderosa, a sua popularidade não se comparou à da consola da Nintendo, sendo o primeiro caso claro de que é o software que vende uma consola e não o hardware. A título de curiosidade, metade das vendas da Master System em todo o mundo aconteceram no mercado brasileiro, onde ainda é fabricada.

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Hoje em dia, só encontram Alex Kidd no grande cemitério de IPs da SEGA, numa campa entre Shenmue e Skies of Arcadia.

Uma Master System em bom estado custa cerca de €25 e inclui o jogo Alex Kidd in Miracle World na memória da consola. É muito mais barata que a NES mas, em contrapartida, o seu catálogo é muito inferior. Como só foi lançada na Europa em 1987, durante boa parte da sua vida coexistiu com a Mega Drive e, como tal, recebeu imensos ports de jogos que podem ser jogados com muito melhor qualidade na irmã mais nova. Por esse razão, vou deixá-los para o artigo sobre as 16-bits.

Ainda assim, existem algumas pérolas que merecem a vossa atenção:

  • Phantasy Star;
  • A série Wonderboy: The Dragon's Trap/ In Monster World/ In Monster Land;
  • Land of Illusion starring Mickey Mouse;
  • Astérix e Astérix: The Secret Mission;
  • A série Alex Kidd;
  • Sonic The Hedgehog 1 e 2;
  • Ys: The Vanished Omens;

São muito poucos e a maioria pode ser encontrada no OLX e no eBay a preços muito baixos. Contudo, vão ter que procurar um bocado e abrir os cordões à bolsa para adquirir o Phantasy Star original e o Ys: The Vanished Omens.

Próxima paragem: 16-bits

O próximo artigo será sobre as 16-bits e a primeira grande guerra das consolas: Mega Drive vs Super Nintendo. No final, ganharam os jogadores com uma geração repleta de alguns dos melhores jogos de sempre.

Espero que tenham gostado desta introdução e que o bichinho do retrogaming tenha sido despertado. Esta é uma actividade bastante cara e viciante por isso prossigam com cautela.

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Como em tudo na vida, é preciso saber quando parar.

No entanto, é também bastante recompensadora e até podem encara-la como um investimento: as consolas antigas, se bem tratadas, têm tendência a manter ou aumentar o seu valor e os jogos que vou recomendar têm, na maioria, preços baixíssimos, pelo que é fácil de recuperar o dinheiro gasto caso desejem vendê-los no futuro. Quanto aos jogos mais difíceis de encontrar, apesar de caros, a tendência é que o seu preço aumente no futuro. Só têm de saber comprar.

Como sempre, se tiverem mais algum jogo da NES ou Master System a recomendar, aquele que vos marcou especialmente mas que não mencionei, não hesitem em fazê-lo nos comentários.

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Sobre o Autor

Joel Monteiro

Joel Monteiro

Colaborador

Amante de design de videojogos nos poucos tempos livres. Escreve quinzenalmente na Eurogamer Portugal sobre a indústria e criatividade.

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