Tron: Evolution

Team-teaching setup.

A década de oitenta foi fértil na realização de películas com o selo da ficção científica. Porém, o contexto de Tron, baseado no mundo da informática, numa perspectiva futurista e determinada por programas que entravam em confronto, concedeu à obra um certo estatuto de culto. Estatuto que permaneceu encerrado nas memorias e excogitações dos fãs até uma certa figura desconhecida do público que dá pelo nome de Joseph Kosinski, retomar a matéria dada. Interessada na recuperação do clássico, a Disney deu o aval não só para o filme Tron: Legacy como para uma série de produtos de entretenimento que servem de ponte e ligação para o filme original – Tron – realizado em 1982 por Lisberger.

Assim, Tron: Evolution parte do ponto anterior a Legacy e permite perceber o que se passou depois do argumento do filme original. A ideia passa por encurtar (ou revelar) o enclave de vinte anos que separa os dois filmes, na passagem de Kevin Flynn (Jeff Bridges) para o seu filho, Sam Flynn, que descobre (em Legacy) a passagem do mundo real para o plano virtual. Com Tron: Evolution a Disney pretende assegurar a transição entre os dois filmes, muito embora o herói que o utilizador controlará, seja uma espécie de ISO silencioso e que à excepção dos seus predicados em combate, não se mostra lá muito interessado com as finalidades do argumento. Este arranjo mais solto para com a personagem principal torna-se por vezes num obstáculo para melhor compreender o argumento e nem mesmo as estreitas cut-scenes providenciam seguros esclarecimentos. O tom apressado com que o argumento é apresentado revela falta de cuidado e quando comparado, por exemplo, com a consistência e estruturação de um Mass Effect, as diferenças ficam à mostra.

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Drop the bomb.

Não obstante, Tron Evolution exibe uma compreensível afinidade com a concepção artística empregue no filme Legacy, em prejuízo do carisma marcado no filme original. A apresentação e caracterização do universo Tron tem nova expressão, particularmente na descrição do mundo – Encom -, uma cidade onde têm lugar hábitos mundanos como o convívio social à noite (bem, o ambiente é sempre escuro, pelo que é impossível saber se não será alguma festa em horário de almoço). Na verdade, e mesmo pretendendo responder a certas questões, tornam-se imperdoáveis as lacunas relativas aos protagonistas Anon e Abraxas, assim como não se percebe a relação entre Quorra e Anon, demasiado superficial.

Em termos de jogabilidade, Tron: Evolution resume-se a três momentos cruciais: exploração e transição de plataformas através de um estilo parkour, evolução dos parâmetros da personagem e sistema de combate ao estilo de um “hack’n slash”. Em nenhum deles é particularmente atraente, pese embora a especificidade do ambiente e da banda sonora. Música e arte tendem a ser alguns dos pontos que encontram melhor expressao. Nalguns pontos é frequente associar com o carácter de Rez, na mistura de visuais com as batidas sonoras do duo francês Daft Punk.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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