GoldenEye 007

Por Inglaterra, James?

A Activision deixou claro, quando partiu para o desenvolvimento de GoldenEye 007 para a Nintendo Wii, via Eurocom, que não tinha como principal preocupação fazer um "remake do jogo original lançado para a Nintendo 64 e produzido pela Rare. Sem carta verde da Rare, esta recuperação do clássico para a Wii vai fazendo o seu percurso, sem comprometer e ainda que sejam evidentes conexões com os lugares onde se fizeram as filmagens e com os protagonistas do filme, há margem para uns quantos enxertos originais, se bem que a principal alteração é que Pierce Brosnan ficou de fora, tendo passado para a luz da ribalta o actual Bond, Daniel Craig.

Não se pode esperar que esta versão (exclusivo Wii) proporcione o mesmo impacte à semelhança da obra concebida pela Rare. Naquele tempo os FPS's para consolas rareavam e GoldenEye representou o empurrão que faltava, tendo sido bem recebido, ao mesmo tempo que desbravou caminho para novas iniciativas. Hoje, o género está mais que consolidado e recicla-se anualmente para gáudio da editora, sobretudo com a ligação permanente das consolas à rede. Logo, só uma visão utópica poderia admitir um objectivo que teria por base um replicar de importância e resultados, especialmente num sistema que não joga no mesmo tabuleiro as rivais.

Dito isto e considerando o jogo pelo valor em si mesmo, ficamos bastante agradados pela forma como a Eurocom abordou o filme e como conseguiu construir um reduto muito aprazível de se percorrer. A produtora afastou-se de qualquer tentativa de equiparação e construiu um produto mais à sua maneira. No final, ficamos perante um jogo muito competente e completo; uma boa proposta do género para a Wii, porventura a melhor. E o empenho em fazer um título sólido e consistente descobre-se na variedade das missões e na combinação entre espionagem, acção e cumprimento de objectivos, entre vários níveis de dificuldade que afectam a progressão, normalmente desembragada.

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A pontaria para um headshot é um pouco mais complexa, mas não custa tentar.

A equiparação ao filme está salvaguardada nos seus pontos essenciais, mas a inovação aqui é que para cada momento que os fãs de Bond irão reconhecer existe um desenvolvimento suplementar, uma perspectiva diferente, e assim, num instante, qualquer coisa original desponta. De todo o modo, a forma de um filme Bond está garantida, na revisita a locais distintos e afastados do planeta, até ao confronto final no cimo do painel gigante solar edificado na Nigéria. A trilha sonora empresta um conforto inconfundível à acção e ainda que um pouco repetida, não raro sentimo-nos realmente na pele do agente ao serviço de sua Majestade quando irrompemos discretamente por alas e secções interiores militares abatendo inimigos à custa da pistola com silenciador, ou então, num ataque surpresa corporal pelas costas.

É possível percorrer surrateiramente boas secções do jogo. Nalguns casos o silêncio é tal que até nos chegam as conversas dos soldados patrulha. A utilização dos "gadgets" tão famosa no cinema não colhe aqui da mesma forma. Quase sempre limitados a um telemóvel capaz de efectuar reconhecimento facial (o nível dentro de uma discoteca em Barcelona no meio da pista de dança é um bom respiro de originalidade), desmantelar aparelhos de vigilância e tirar fotografias, o principal está no arsenal à disposição e na variedade de armas que poderemos utilizar. Tanto as nossas como dos inimigos, o objectivo é recolher e disparar.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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