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Toki Tori - Análise

Pintainho esperto.

Toki Tori começou por ser um jogo exclusivo do GameBoy Color, lançado pela Two Tribes em 2001, destacando-se pela particularidade de cruzar plataformas com puzzles e uma série de habilidades do protagonista, um pintainho com o mesmo nome do jogo. Seguiram-se passagens pelo Windows mobile, WiiWare da Nintendo Wii (nesta plataforma já com visuais melhorados) e PC. Nesta chegada à Wii U (e também para a PSN), o jogo recebe um tratamento de alta definição e beneficia de quase todo o conteúdo da versão para o PC, de 2010, exceptuando o editor de níveis. Em suma, Toki Tori assume-se nesta edição para a Wii U como uma das versões mais avançadas, nomeadamente níveis de maior dificuldade e outros em forma de bónus.

Para quem não sabe, a Two Tribes é também a editora que está por detrás do lançamento de EDGE para a WiiU, pelo que os jogos baseados em puzzles acabam por fazer parte dos seus títulos. Toki Tori volta a proporcionar um conceito conhecido, que combina a utilização de determinadas ferramentas como solução para a resolução dos puzzles/níveis.

Toki Tori é a personagem principal, um pintainho fofinho que não consegue saltar muito alto nem esvoaçar por algum tempo, o que significa que cai sempre quando o espaço entre duas plataformas é considerável. Contudo, movimenta-se com facilidade, transportando algumas ferramentas que se revelam de grande utilidade nesta sua extensa demanda.

Algumas áreas oferecem um quebra-cabeças mais ligeiro para os novatos.

Desde congelar inimigos com uma arma que mais parece uma Super Scope, até fabricar pontes de madeira e teletransportar-se para quatro pontos à sua volta, este pequeno pintainho vê constantemente reforçar-se o seu leque de poderes, conseguindo dessa forma atravessar plataformas que de outra forma não teria possibilidade, mas também zonas repletas de perigos e inimigos dispostos a travar o seu objectivo. Dentro de cada nível, existem mais de cinco ovos espalhados por vários pontos. Descobri-los a todos, tirando os seus camaradas do interior da casca, é o puzzle que caberá ao jogador resolver.

Os primeiros níveis completam-se com grande facilidade, em pouco tempo, induzindo até em erro, mas lá para o fim do primeiro mundo a conversa é outra. Existem quatro grandes mundos e em todos eles terão à disposição ferramentas específicas e enquadradas no tema. No fim um quinto mundo aguarda pelos jogadores mais dedicados. Apesar de existirem vários espaços para as ferramentas, nem todas se encontram disponíveis. À medida que avançam no jogo, mais serão facultadas, numa espécie de renovação constante na forma de interagir dentro de cada mundo. Por outro lado, as áreas vão sendo cada vez maiores e cheias de percursos cruzados, sendo cada vez complexo descobrir o caminho mais célere e certeiro até resgatar todos os pintainhos.

A utilização dos botões de apoio (L e R) serve para escolher as ferramentas. Mas em vez de as haver em número infinito, o jogador dispõe das unidades necessárias para completar o percurso ideal, o que significa que se gastar a unidade de construção da ponte que dispõe, não poderá voltar a utilizá-la para unir outras plataformas. A ordem de utilização não é clara, pelo que é frequente acabarem em situações de bloqueio. É para estes casos e a pensar na persistência do erro que existe a possibilidade de voltar para trás, podendo ser por um curto período de tempo, como um ou dois segundos, ou voltar ao começo, num retrocesso que nos lembra o antigo puxar atrás nas cassetes VHS. O analógico esquerdo controla Toki Tori, enquanto que o analógico direito serve para movimentar a perspectiva de jogo sobre o mapa, permitindo que possamos traçar um percurso mentalmente.

Mas rapidamente terão que ultrapassar adversários e puzzles mais complicados.

Do ponto de vista da concepção dos níveis, Toki Tori oferece bons puzzles que requerem mesmo no modo normal uma boa ginástica mental. Se porventura não conseguirem seguir em frente num nível, podem aplicar um "wildcard" e seguir para o nível seguinte. Contudo, a carta não fica perdida e poderão voltar a recuperá-la desde que sejam capazes de resolver o puzzle. Depois de completados os níveis normais, ficam disponíveis os níveis difíceis e bónus, o tal conteúdo extra.

Em termos gráficos, Toki Tori sobressai pela quantidade de cores, por uma perspectiva tipicamente 2D a lembrar alguns clássicos e pela entrada na alta definição, que reforça não só os pequenos detalhes mas acentua também os contrastes das cores. Existem, no entanto, algumas quebras de fluidez quando Toki Tori recupera o último ovo, dando a sensação que a animação congelou. E isso acontece sempre que completamos um nível, pelo que não é um problema isolado. Tirando isso, não se verificam quebras ou outros problemas na animação.

No que respeita à adaptação do jogo para a Wii U, é possível usar o ecrã táctil para realizar algumas operações, à semelhança das versões para o Android e iOS e recorrer ao modo off-TV. Se tiveram a oportunidade de jogar este título para o PC, a edição Wii U não é diferente. Apesar da existência do quinto mundo, a falta do editor de níveis pode fazer alguma diferença. Mesmo assim, Toki Tori é um jogo bastante inventivo e bem conseguido.

7 / 10

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