Se clicares num link e fizeres uma compra, poderemos receber uma pequena comissão. Lê a nossa política editorial.

The Devil in Me - O que Saw, The Shinning e os Jump Scares têm em comum?

A Supermassive aposta em grande.

Após Until Dawn para a Sony, a Supermassive Games demonstrou que se encontrou, e com The Quarry consolidou-se como uma das maiores referências no género dos dramas interativos com terror e suspense, sem esquecer as referências aos filmes slasher e jump scares. Pelo meio apresentou a The Dark Pictures Anthology, que começou em 2019 com Man of Medan e cuja primeira temporada terminará com The Devil in Me.

Durante uma recente apresentação especial, Tom Heaton, diretor deste The Devil in Me, falou-nos sobre o que esperar do gameplay deste quarto jogo na primeira temporada da antologia da Supermassive, mostrando também mais gameplay. Um dos elementos mais intrigantes desta apresentação, especialmente após The Quarry, foi descobrir as referências e como diversos nomes poderosos do cinema serviram como inspiração.

Tal como os anteriores capítulos, The Devil in Me tem como base a inspiração em algo real, seja uma figura, conto ou mito. No caso deste novo jogo é H.H. Holmes e o seu "Castelo do Crime", um hotel em Chicago no qual matou, pelo menos, 27 hóspedes. Perante o juiz, Holmes disse que "nasci com o diabo em mim" e é precisamente essa nefária frase que serve para o título, tal como o assassino serve de base para construir este jogo.

No entanto, não é novidade que a Supermassive se inspira em diversos e conhecidos filmes de terror. Neste caso, a série Saw é uma grande inspiração devido às armadilhas e dilemas intensos. The Shinning, considerado por Heaton como o melhor filme de terror jamais feito, foi a inspiração para capturar a sua sensação de claustrofobia, pressão inquietante e a sensação de uma entidade maléfica que espreita em todos os cantos. Filmes como Psycho e Halloween também foram inspiração, tens aqui uma amálgama de referências que ajudaram a Supermassive a encontrar a identidade deste projeto.

Como seria de esperar, o foco está num grupo de jovens adultos que são convidados a criar o documentário que tanto desejam numa réplica do hotel do crime de Holmes. No entanto, quando dão por ela, descobrem que a alegria de encontrarem exatamente o que queriam dá lugar a sustos, acontecimentos estranhos e que a réplica é demasiado fiel, arrepiantemente fiel.

Se conheces a Supermassive Games, sabes que apostam num grupo de personagens que se vão revelando consoante surgem os sustos e são colocados debaixo de pressão. Quezílias e dramas rapidamente surgem e destroem aquela ilusão inicial que todos se dão bem. O objetivo é acrescentar camadas aos personagens para existir constante mistério e te deixar a questionar tudo e todos. Isto é especialmente importante porque podem morrer a qualquer momento e com as tuas decisões vais permitir que isso aconteça ou não.

Heaton diz que o enredo inclui muito do que esperas da Supermassive, mas os visuais estão muito melhorados e o gameplay foi expandido de forma significativa, acima de tudo o que já viste deles, incluindo The Quarry. O gameplay de The Devil in Me que vimos mostrou os personagens a correr, mesmo correr, escalar partes do cenário, saltar, empurrar objetos, passar por pontos estreitos para chegar a salas secretas e até se esconderem em momentos de perigo.

"É uma experiência de exploração completamente nova para The Dark Pictures, que é familiar para os jogadores. O foco foi dar a liberdade aos jogadores para encontrar o seu caminho e conhecer os níveis que a nossa equipa adoravelmente criou, para encontrar os segredos e itens que lhes vão permitir sobreviver a este moderno castelo do crime," diz Heaton.

A prova desse gameplay expandido é o inventário, com ferramentas que encontras e podes usar para ajudar. Algumas delas estão diretamente relacionadas com o trabalho de cada personagem e tornam-se muito específicas. Um dos exemplos é uma personagem que pode usar um microfone direcional que lhe permite ouvir pelas paredes, mas como as ferramentas podem ser emprestadas ou quebradas, o uso que fazes delas pode ter severo impacto no gameplay.

Tudo isto, diz Heaton, motivou a Supermassive para criar quebra-cabeças que confundem ou surpreendem o jogador. Existem alguns clássicos e de tom quase cliché, como encontrar códigos escondidos nos cenários ou ajustar fusíveis numa caixa elétrica, mas o objetivo é mesmo desafiar a sério o jogador. Tudo isto resultará numa experiência expandida e de maior duração.

The Devil in Me dura cerca de 7 horas e vai mais além do que foi feito anteriormente na antologia. The Quarry pode ser terminado em cerca de 8 horas, comparativamente, mas descobrir mais pistas nos capítulos vai-te ajudar a encontrar o final bom. O incentivo é jogar várias vezes e aqui neste The Devil in Me será o mesmo. Salvar todos os personagens vai exigir testar várias vezes as situações até encontrar a forma de seguir em frente sem sacrifícios.

As palavras de Heaton e o gameplay que as acompanharam certamente geram entusiasmo, especialmente entre os fãs da Supermassive e destes dramas interativos, mas ver gameplay contínuo deu uma clara sensação que a inspiração em algo real e tão macabro permitiu alcançar uma atmosfera ainda mais intensa. Mais do que isso, The Devil in Me parece muito mais jogo do que qualquer outro drama interativo desta companhia. Longos períodos de exploração e gameplay ininterrupto, sem interrupções ou QTEs à vista para depois surgir uma cena que parece mesmo vinda de um filme da série Saw.

The Devil in Me chegará a 18 de novembro de 2022 e do gameplay que tive a oportunidade de ver, poderá ser um dos melhores trabalhos da Supermassive, talvez mesmo o melhor. As inspirações são nítidas e nem sequer são escondidas, pelo contrário, são reveladas com orgulho. Ao olhar para o jogo, sentes que o suspense, tensão, constante sensação de perigo oculto e que qualquer escolha errada resulta na morte de uma das personagens, condimentos para uma poderosa atmosfera.

Sobre o Autor
Bruno Galvão avatar

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

Comentários