Forza Horizon 5 review - Carros, Sol e Corona

O paraíso para os fãs de automóveis.

Se me perguntassem qual é o melhor jogo de carros do momento, não hesitaria, nem por um segundo, em responder Forza Horizon. A série começou como um spinoff de Forza Motorsport, mas evoluiu tanto desde o primeiro jogo que, ainda que alguns possam apontar que existem jogos de simulação com condução mais pura e realista, não têm metade do que Forza Horizon oferece. Nove anos depois do lançamento do primeiro jogo, e agora com Forza Horizon 5 em mãos, o conceito continua tão apaixonante como desde o primeiro dia. A possibilidade de pegar em qualquer carro entre quase cinco centenas e simplesmente conduzir pela estrada fora sem restrições, com a companhia apenas da rádio e do roncar do motor (ou não, visto que agora também existem carros eléctricos), transmite uma sensação incrível para quem gosta realmente de conduzir.

Depois de quatro jogos extraordinários, Forza Horizon 5 é o culminar de todo o conhecimento que a Playground Games adquiriu ao longo desse tempo. Enquanto que Forza Horizon 4 ainda conseguiu introduzir novidades relevantes como as estações do ano e modos multiplayer divertidos como o Eliminator e Horizon Arcade, este novo capítulo está mais focado em limar as arestas do que introduzir novas coisas. Para sermos justos, é difícil pensar em mais coisas que podiam ser adicionadas à experiência de Forza Horizon, o quarto jogo já era extremamente completo e rico em conteúdos. Assim sendo, as principais novidades de Forza Horizon 5 são o mapa - desta vez o festival foi para o México - e os gráficos ultra-realistas. Há outros pequenos ajustes e aqui e ali, mas no geral, a sensação que obténs está muito em linha com o jogo anterior.

Caliente, Caliente

Adeus Reino Unido, olá México. Forza Horizon 5 leva as corridas de volta para um clima bem quente. Desde os desertos areosos da Baja Califórnia às praias paradisíacas de água azulada, o México está cheio de horizontes e cenários dramáticos. Queres mais drama do que subir por estradas vertiginosas e acabar no pico de um vulcão activo? A combinação entre paisagens naturais de beleza diversificada assenta lindamente com os variados veículos que podemos conduzir, que vão desde camiões, carrinhas, hiper-carros, hot hatches, clássicos, e muitos tipos de veículos fora de estrada. Não há nenhum jogo de condução que tenha tanta qualidade e variedade, não esquecendo a quantidade absurda de possibilidades de personalização mecânica e visual. É verdadeiramente o paraíso para os fãs de automóveis.

Apesar do novo local, a progressão do festival Forza Horizon tem moldes semelhantes. Participa em corridas de todos os tipos, ganhas pontos, sobes de nível, cumpres objectivos e vais expandindo o festival para novas áreas, o que por sua vez desbloqueia mais corridas, campeonatos, radares de velocidade, secções de drift, e por aí em diante. Todos os conteúdos estão integrados na Horizon Adventure, que é uma espécie de modo campanha. A quantidade de coisas para fazer rapidamente se torna avassaladora, num bom sentido. Independentemente de onde estejas no mapa, encontras sempre alguma coisa perto que ainda não tenhas feito. As recompensas também não param de cair, sentes-te sempre recompensado.

Uma novidade em Forza Horizon 5 é como o festival se expande. Nas chamadas expedições tens que viajar para o local onde se vai dar a expansão e, tens como opção, completar uma série de objectivos secundários. Francamente, estes objectivos secundários não fazem muito sentido e fogem demasiado à experiência base. Os objectivos secundários passam por tirar fotografias a certas coisas naquele local, encontrar objectos específicos, destruir coisas, ou mais concretamente, plantar antenas de rádio. Quando completei estes objectivos, não senti que me estava a divertir, contrariamente a todos os outros conteúdos. Parece mesmo que a Playground Games ficou sem ideias e quis implementar à força algo novo. Apesar de serem opcionais, estes objectivos dão-te pontos para desbloqueares o próximo capítulo do festival, pelo que vais sempre sentir-te na obrigação de os completar. Seja como for, estas secções são apenas uma pequena parte do jogo.

As estações do ano estão de volta

O México é um país de clima tropical, por isso não esperes mudanças tão dramáticas na meteorologia como no Reino Unido. Existem basicamente quatro estações na mesma, mas não esperes encontrar neve. Existe uma estação húmida, de tempestades, outra quente, e por última, uma seca. Em termos práticos, espera encontrar enormes tempestades de areia que encurtam o campo de visão e tempestades tropicais de chuvas e vento forte, acompanhadas por trovões. Cada estação, que dura por alguns dias em tempo de jogo, vem também acompanhada de desafios temporários para completar e recompensas exclusivas. É um jogo com capacidade para te entreter durante meses, mesmo jogando regularmente. Em teoria, os conteúdos até são infinitos, tendo em conta que a comunidade pode criar os seus próprios eventos com o EventLabs (uma evolução do sistema de Blueprints).

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As corridas malucas contra aviões regressam em Forza Horizon 5.

Visualmente, é o primeiro Forza Horizon desenvolvido para uma nova geração de hardware e isso nota-se. Não tirando mérito aos jogos anteriores, Forza Horizon 5 destaca-se pelo fotorrealismo. A Playground Games simplesmente subiu de patamar, utilizando complexas técnicas de desenvolvimento para criar céus tão reais quanto aquele que vês agora se fores olhar pela janela. Mas para mim, o mais impressionante é texturização do solo. Através de fotogrametria, tens uma textura palpável, quase que consegues sentir os materiais só de olhar para eles. É um jogo impressionante, seja quando estás parado a apreciar os cenários, seja quando estiveres a percorrer estradas a mais de 300 Km/h. O avançado sistema de iluminação, aliado ao maior mapa de sempre da série, faz com que não te canses de olhar para o jogo. Há sempre alguma coisa nova para ver ou um novo fundo para tirar fotos.

Com volante, a condução sobe para outro patamar

De certa forma, isto é válido para qualquer jogo de condução, mas a diferença é realmente abismal. Comecei a jogar Forza Horizon 5 de comando, mas no dia seguinte montei o T300 GT Edition da Thrustmaster. A Playground Games implementou várias melhorias no sistema de física, sobretudo na travagem e na aderença do carro à estrada. No comando, honestamente, não dá para perceber. No volante, a história é outra. Ajustando a dificuldade, consegues ter uma experiência de condução mais próxima da simulação. Sentes tudo! As variações no piso, a instabilidade do carro a elevada velocidade, o temperamento de cada carro, a agilidade nas curvas. Tudo isto está presente no comando, mas numa quantidade muito mais pequena. Por outras palavras, as melhorias mais significativas em termos de jogabilidade são para utilizadores com volante e pedais.

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Sim, jogar de volante faz uma grande diferença. O nosso volante é o T300 RS GT Edition da Thrustmaster.

Para os apaixonados por automóveis, o novo ecrã de colecção está muito mais apelativo. A Playground Games fez o equivalente a uma caderneta de cromos, só que com carros de diferentes marcas. Cada marca tem a sua própria fila e existem incentivos para preencher tudo, nomeadamente, desbloquear carros extremamente raros de cada marca. De todas as pequenas melhorias feitas em Forza Horizon 5, esta é uma das minhas favoritas. Também existe uma secção exclusivamente dedicada a miletstones que funciona de forma parecida. Cumprir certas miletsones desbloqueia recompensas, que vão desde frases pré-feitas para o Forza Link a novos carros. De forma geral, o jogo parece mais organizado, isto é, é mais fácil para ti acompanhar as coisas que já fizeste e o que te falta fazer.

"Consegues ter uma experiência de condução mais próxima da simulação. Sentes tudo! As variações no piso, a instabilidade do carro a elevada velocidade, o temperamento de cada carro, a agilidade nas curvas"

O Forza Link, se ficaste a perguntar o que é, funciona como um sistema de matchmaking inteligente. Este sistema pode ser rapidamente activado no D-Pad a qualquer momento e encontra jogadores com estatísticas parecidas com as tuas, para jogarem juntos. É potencialmente uma forma de fazeres amigos para jogar Forza Horizon sem teres que sair do jogo. E já que estamos a falar de melhorias, algo que podia ter sido melhorado e não foi são os Drivatars. Assim que começas a corrida, a maioria dos carros passam por ti com uma velocidade inexplicável. Fora isto, os carros da frente são super rápidos até que chegas a um determinado ponto da corrida em que parece que abrandam para te deixarem passar. Percebo que há que criar desafio, mas o sistema parece excessivamente artificial.

O paraíso para quem gosta de automóveis

Forza Horizon 5 é a escapatória perfeita para quem gosta de automóveis. Os jogos anteriores já o eram, mas este novo capítulo consegue ir um pouco mais longe. Com cinco jogos num período de nove anos, nota-se que a fórmula da Playground Games está no pico ou muito lá perto, sem espaço para introduzir grandes melhorias como em capítulos anteriores. É uma prova do excelente e surreal trabalho que este estúdio tem feito, mas para quem jogou Forza Horizon 4, a experiência poderá torna-se familiar rapidamente, apesar de todas as pequenas melhorias que foram introduzidas.

Prós: Contras:
  • Um mapa ainda maior, repleto de horizontes exóticos
  • Gráficos impressionantes, fotorrealistas
  • Grande prazer de condução, sobretudo com volante
  • Uma grande variedade de carros para conduzir e coleccionar
  • As estações do ano dinamizam o mapa
  • Muitas actividades para fazer, sejam offline ou online
  • Parece que a fórmula atingiu o pico e não tem mais novidades relevantes
  • A IA dos Drivatars não foi melhorada

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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