Confronto: Journey na PS4

Gameplay melhorado vs PS3 mas será que o remaster compromete a visão original?

Jornada. Talvez seja a palavra perfeita para definir a trajectória deste remaster em particular. Passei alguma tempo com o jogo na Gamescom no ano passado e parecia pronto para o lançamento mas continuou em mistério até ser agora lançado. Três anos e meio depois do original, chega agora à PlayStation 4.

As suas fundações tecnológicas estão baseadas numa versão avançada do PhyreEngine - motor modular, multo-plataforma gratuito da SCE. Motor que o thatgamecompany, criador de Journey, usou em três projectos PS3. A complexa renderização de areia, efeitos de pó, e simulação fluida, Journey fez um uso extensivo dos SPUs da PS3 para dar vida ao seu mundo. Uma equipa pequena chamada Tricky Pixels tratou da conversão para a PS4 por isso ficamos curioso para ver como este projecto ambicioso se converteu para a PS4.

A versão PS4 parece manter a beleza do original. Os designs simples e limpos, a iluminação atractiva é adorável simulação de areia regressam junto a um bom aumento na performance e qualidade de imagem. Melhor ainda, é gratuito para quem comprou o original em formato digital. Terminamos o remastes de uma assentada e a experiência foi tão fantástica quanto nos lembrávamos. Mas ao inspecionar melhor reparamos em mudanças subtis, sugerindo uma conversão menos directa do que esperado.

Foi confirmado que Journey corre a 1080p mas a qualidade de imagem é estranha. O método anti-aliasing escolhido é menos eficaz do que a técnica usada no original PS3; a densidade de pixels aumentou mas tendem a brilhar mais durante gameplay. Também existe várias arestas suaves dando a impressão de uma resolução inferior - a contagem de pixels dá-nos uma variedade de potenciais resoluções, algumas sub-narivas, ocasionalmente acima da resolução nativa. Ocasionalmente parece que conseguimos ver super-sampling no eixo horizontal e conversão no vertical. Podem ser efeitos da sequência do pós-processamento mas no geral não parece os 1080p que esperaríamos. Felizmente, o forte trabalho no design consegue contornar a maioria destes problemas. Aliasing na superfície não é problema e a instabilidade temporal é mínima. O filtro anisotrópico é activo de forma razoável e apenas é perceptível em algumas superfícies.

Enfrentar as dunas em paralelo. Dois jogadores viajam juntos para revelar as diferenças entre as duas versões. Reparem na redução da areia brilhante, a falta de motion blur e mudanças na iluminação. O jogo é na mesma lindo mas estas mudanças são misteriosas.

Para nossa surpresa, certos efeitos visuais foram removidos ou inferiorizados, cortando um pouco a perfeição visual que definiu o original. Motion blur, usando de bela forma na PS3 foi completamente removido, afectando a apresentação: correr pelas encostas banhadas pelo sol é menos dramático sem este efeito. É provável que o Trick Pixels tenha sentido que a 60fps não mais precisariam de motion blur. Discordamos e sentimos que mesmo em altos rácios de fotogramas, o motion blur pode melhorar a apresentação.

Isto aplica-se à iluminação e efeitos. A simulação de areia é um elemento crítico na apresentação. Criado de uma justaposição entre três camadas de mapa de altura e texturas desenhado para simular milhões de pequenos 'espelhos', o design original consegue com sucesso formar a ilusão de um vasto corpo de areia que reage ao jogador. Este efeito de areia está muito reduzido. No original, irás ver grãos brilhantes em muitas cenas, algo ausente da PS4, resultando numa apresentação mais pálida. A areia no geral não parece ter a coesão evidente na PS3.

Também existem subtis mudanças na iluminação - numa cena, as nuvens visíveis na PS3 estão completamente cobertas pelo brilho da luz na PS4. Noutra, o sol escondido à espreita por uma estrutura distante no original é menos visível na PS4. Pequenos detalhes nós sabemos mas é um mistério existir uma diferença sequer.

Pode ser mesquinhice mas o extremo cuidado e atenção do qual o original foi alvo na PS3 não deve ser sobrestimado. Sentimos que todos os efeitos visuais têm um propósito, nada se sente deslocado e todos os segundos bem planeados. Quando começas a cortar detalhes, por mais pequenos que sejam, o resultado final é a identidade original de Journey ligeiramente quebrada. É um jogo que muitos vêm como arte interactiva - e mexer com ele é errado.

Felizmente, existem melhorias. Em termos de performance, Journey na PS4 opera agora a fluídos 60fps, melhorando imenso a sensação do movimento do jogador. Ao invés de uma experiência curta, fomos capazes de jogar todo o jogo na PS4 para avaliarmos a performance como um todo. Temos de longe 60fps completamente estáveis mas não tão perfeito quanto antecipado. Três áreas específicas mostra pequenas quedas: a performance nunca desce abaixo de 55fps e apesar dos jogadores dificilmente o sentirem, temos que referir na mesma que existem.

As funcionalidades multi são geridas de forma fluída como no original. Entramos e saímos do mundo sem pausas enquanto o método único de comunicação continua a deliciar. Não é claro se o jogo partilha os mesmos jogadores entre as duas consolas. Apesar de ao testarmos na PS3 ficarmos surpreendidos por ver pessoas ainda a jogar o original. Nenhuma versão parece exibir problemas ao juntar jogadores. Journey não quebra barreiras no multi online em termos tecnológicos mas como já vimos nesta geração, os problemas no QA, sejam pequenos ou grandes, podem afectar o polimento de um jogo.

A performance é excelente. Quedas no rácio de fotogramas podem ser vistas em algumas circunstâncias mas na maioria, temos 60fps sólidos. Comparativamente, a versão PS3 corre a 30fps fixos.

Journey PS4 - veredicto Digital Foundry

Visto como um produto em separado, Journey na PS4 é uma experiência altamente polida. O design visual e a fluidez da experiência rivalizam a qualidade do que esperarias das equipas de topo na Nintendo. O jogo é simplesmente uma alegria de jogar e a resposta mais rápida dos comandos juntamente com uma melhor performance cativam-te para aquele mundo, ao ponto de mesmo jogado após uma sessão na PS3 ser na mesma espantoso. Journey sente-se como uma combinação perfeita de arrojadas aspirações artísticas combinadas com a sensibilidade do design clássico dos videojogos. Um purista pode encontrar pequenas mudanças visuais desanimadoras mas apenas são evidentes com as duas versões lado a lado.

No entanto, isto levanta uma interessante questão ao discutir "jogos como arte" - especialmente falando de Journey. Quando retiram a grainha de um lançamento Blu-ray de um clássico existem críticas. Quando uma nódoa num quadro famoso é "corrigida" as repercussões são severas. Como se aplica isto a um jogo? Um videojogo não é um trabalho estático e o seu código pode ser mudado ou restaurado à vontade. Este tipo de controlo sobre uma peça não é algo que as outras formas de expressão se possam aproveitar. É algo que separa este meio de outras formas de arte tradicionais - quase como um meio-termo entre uma cópia de um filme e um remake.

Talvez isto esteja relacionado com o conceito de envelhecimento. Ao contrário de uma pintura ou uma novela escrita, os jogos e a tecnologia estão intimamente ligados. Um esforço criativo desenhado num velho computador está limitado de formas que os jogos modernos não estão, ainda assim essas limitações inspiram criatividade e levam os criadores a novos horizontes. Ao actualizar tal trabalho para uma nova plataforma, os programadores tomam cuidados especiais para manter as intenções originais. Se olhares para jogos como Shadow of the Colossus, que também receber uma versão HD, podes ver o brilhantismo no design original. Usava a PS2 de formas que nenhum outro estúdio usou. No entanto, é na mesma um videojogo para ser jogado e os seus rácios de fotogramas desapontavam de tão lentos que eram. É difícil imaginar que o criador queria um rácio de fotogramas tão lento. Assim sendo, um remaster faz muito sentido - aspectos do design que foram inspirados pela consola original permanecem intactos mas falhas indesejadas podem ser eliminadas. É uma linha perigosa que requer uma mão cuidadosa. Comparativamente, não se sente que Journey foi retido de alguma forma na consola original e ao apresentar tantas mudanças em elementos visuais, a visão revista sente-se comprometida desnecessariamente.

Journey é na mesma um videojogo. Pode invocar sentimentos ou emoções mas é na mesma um jogo e enquanto jogo, corre melhor na PS4. Existe mudanças - nem todas para melhor - mas a experiência não diminui. Na verdade, é o contrário. Algumas mudanças e cortes não parecem certas mas na análise final, Journey na PS4 corre melhor que o original e - talvez - isso seja o mais importante.

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Sobre o Autor

John Linneman

John Linneman

Staff Writer, Digital Foundry

An American living in Germany, John has been gaming and collecting games since the late 80s. His keen eye for and obsession with high frame-rates have earned him the nickname "The Human FRAPS" in some circles. He’s also responsible for the creation of DF Retro.

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