Far Cry 6 - Vaas: Insanity review - Uma mente delirante

Desafios intensos que nos fazem querer regressar.

Regresso ao passado pelos delírios de Vaas Montenegro. Desafiante ao ponto de querermos lá voltar e tentar níveis de dificuldade superiores.

O primeiro DLC para Far Cry 6 está aqui e coloca na mesa nada mais que o regresso de Vaas Montenegro de Far Cry 3. Intitulado de Vaas: Insanity, este conteúdo traz até nós um dos personagens mais icónicos da série, que contribuiu em muito para o sucesso da terceira incursão da franquia em 2012. Este é o primeiro de três conteúdos que vão ser lançados, sendo o segundo Pagan: Control e, por último, Joseph: Collapse. Far Cry 6 recebeu uma boa crítica da nossa parte, onde o considerei como um dos melhores jogos da série dos últimos tempos.

Aqui a proposta é simples e direta, somos colocados na mente problemática de Vaas Montenegro. É uma luta contra os seus demónios, a ilusão e delírio da realidade que se mistura numa complexa batalha pela sanidade. Somos levados por confrontos contra inimigos que não passam de reflexos das suas experiências intensamente enraizadas na sua mente. Entra aqui toda a estrutura idealizada para as várias mecânicas deste DLC.

Somos colocados num local que se assemelha a uma base de operações, partimos para descobrir o que nos rodeia, procurando sempre alcançar o objetivo principal, encontrar as três peças do puzzle que o libertarão da insanidade / prisão. Sentimentalmente, estamos sempre ligados à sua irmã, Citra Talugmai, como em Far Cry 3. É sentida essa ligação a todo o momento, com diálogos imaginados na mente de Vaas e vozes que o acompanham ao longo do percurso. Está constantemente a falar sozinho, a narrar determinados acontecimentos, como se necessitasse de expressar as suas angústias e as transpor para o jogador. Digo que o objetivo é muito bem conseguido, sentimos na pele as suas disputas internas.

"Estamos sempre ligados à sua irmã, Citra Talugmai, como em Far Cry 3, é sentida essa ligação a todo o momento"

Como referi acima, tudo se inicia numa base, onde temos acesso a várias armas e habilidades para Vaas. Inicialmente, acedemos apenas a um arsenal básico e as habilidades também têm de ser desbloqueadas. O sistema de evolução gira em redor de créditos que vamos adquirindo, seja a matar inimigos e animais, em cofres e até completando desafios. O mapa é de uma dimensão considerável, nada de gigantesco, completamente apropriado para o propósito. Com um visual muito colado ao jogo base, Far Cry 6, temos uma zona rica em vegetação, muito colorida e com um enorme vulcão que ameaça entrar em erupção.

A finalidade é encontrar as três partes que completam a Silver Dragon Blade. Para isso vamos deambular pelo mapa eliminando inimigos e em determinados locais temos desafios que desbloqueiam o acesso a novas armas, para posteriormente serem adquiridas em troca de créditos. Além do armamento temos as habilidades passivas, as Traits, que são os pecados de Vaas. Ainda para completar as nossas capacidades, estão também presentes poderes representados por corações que apanhamos, estes podem ser alterados conforme a nossa escolha.

"A finalidade é encontrar as três partes que completam a Silver Dragon Blade"

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A nossa deslocação pelo mapa é facilitada por portais colocados em locais estratégicos, juntamente com algumas safe houses para não termos de voltar sempre ao centro do terreno de jogo, evitando longas e penosas caminhadas. Saliento a presença novamente do ciclo dia noite, com a inclusão de fantasmas durante o período noturno para dificultar a nossa tarefa. Adicionalmente, temos alguns colecionáveis para encontrar, sejam memórias, textos a contar acontecimentos ou bonecos miniatura de Vaas Montenegro. São pequenos extras para quem gosta de vasculhar cada recanto do mapa em busca desses pormenores complementares.

Os mecanismos basilares são os descritos, depois são complementados por argumentos do próprio jogo base, como o paraquedas e wingsuit. Adicionalmente, temos de ter em atenção que sempre que morremos é-nos retirado todo o armamento e poderes, apenas se fica com as Traits que são permanentes após as adquirir. Também existem vários níveis de dificuldade, que aumentam o desafio, onde os inimigos são mais poderosos e até com poderes próprios. A primeira incursão é uma espécie de aprendizagem, o desafio começa com a passagem para níveis de dificuldade superiores.

"Os NPCs possuem uma incrível visão, assim que nos detetam praticamente não falham uma bala"

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De todo o conteúdo, denotei apenas uma problemática irritante, relacionada com os NPCs. Estes possuem uma incrível visão, assim que nos detetam praticamente não falham uma bala. É estranho mesmo, cada tiro dado é certeiro, estamos constantemente a observar no nosso ecrã as sinalizações a vermelho de que estamos a ser alvejados. É deveras irritante a nível visual estar sempre a levar com a indicação de onde estão a vir os disparos, mesmo em casos onde as balas fazem pouco dano, fiquei mesmo irritado.

Apesar de ser uma construção simples em torno de um personagem marcante da série, é surpreendente que resulta muito bem. A jogabilidade é a de sempre, satisfatória, com boas gunfights que nos prendem, e o escalar dos graus de dificuldades sustentam a nossa permanência dentro dos delírios de Vaas. Não morrer é o mais importante, para dessa forma transportar para as dificuldades seguintes tudo o que conquistamos a muito custo. Poderá tornar-se demasiado repetitivo, já que os desafios são sempre os mesmos, mesmo muito pouco diversificados. Não apresentando nada de revolucionário, cumpre com a sua diretiva e, sobretudo, traz até ao presente um dos vilões mais marcantes da franquia Far Cry.

Prós: Contras:
  • Fantástico regresso de Vaas Montenegro
  • Jogabilidade muito recompensadora
  • Bastantes desafios
  • Pode tornar-se muito repetitivo
  • NPCs com mira infalível

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Sobre o Autor

Adolfo Soares

Adolfo Soares

Director

É o nosso homem do PC, por isso qualquer coisa é com ele. É também responsável pelo Eurogamer, bem como dá uma perna nas notícias.

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