G-Darius HD - Review - Peixe graúdo

Perfeição pixel.

Recentemente lançado na colecção Darius Cozmic Revelation, em exclusivo para o Japão, é a vez dos europeus receberem G-Darius HD, em formato digital, para a Switch e PS4, em nova colaboração entre a Inin Games e a Taito (mais adiante a editora lançará o jogo em formato físico). O resultado é uma suprema remasterização do original lançado para as arcadas em 1997, pela Taito, quando muitos shmups passaram do 2 para o 3D. Desde logo, a curadoria desta versão em alta definição, juntamente com o original, está a cargo da produtora japonesa M2, responsável pelo segmento 3D classics da 3DS, entre muitos outros jogos. As suas remasterizações chegam ao ponto de emular cada pixel, e muitas vezes não só o próprio jogo, também a cabine exclusiva onde o mesmo corre é apresentada ao ínfimo detalhe. O resultado é de uma experiência altamente evocativa mas ao mesmo tempo adaptada para as modernas consolas, como é o caso de G-Darius HD, a correr em alta definição na Switch. Os puristas e amantes do original não ficam a perder, porque o original também se encontra presente, ainda que com a resolução original da arcada.

G-Darius foi o primeiro jogo da série a ser apresentado em 3D. A maioria dos shmups até então continuaram a ser desenvolvidos em 2D, formato do qual derivavam, no entanto, a abordagem ao 3D fez-se de forma elegante e bastante aprazível. Digo que na Switch, no formato portátil, apresenta uma elevada desenvoltura, um bom frame-rate, ainda que nalguns pontos, onde é maior a concentração de inimigos, ceda um pouco na fluidez. Com o ecrã na dock, G-Darius HD adquire na versão em alta definição uma apresentação mais evocativa dos salões das arcadas, com resultados técnicos significativamente melhores. De resto, em termos gráficos, tem de ser percebido no contexto do lançamento, de uma época em que o 3D está a dar os primeiros passos.


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Hoje seria um jogo diferente, mas a M2 consegue prestar um óptimo tributo ao elevar a qualidade do original, de uma resolução arcade inferior, ao ecrã de um televisor de alta definição. O aspecto brilhante sai reforçado, assim como a composição pixelizada, com aquele granulado e efeito escadinha, algo típico dos primeiros jogos em 3D. Mas ao mesmo tempo há um charme na fluidez, no rumble bastante activo, ao mínimo disparo, típico dos salões de arcade e de jogos que corriam de forma imaculada em hardware bastante desenvolvido. Hoje pode ser considerado como material datado, mas mais uma vez reforçamos o trabalho da M2 em adaptar a resolução original ao formato alta-definição.

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A entrada no 3D trouxe também as naves Silver Hawk.

A isso acresce um conjunto de opções, desde batotas e graus de dificuldade variáveis, como poderes permanentes e uma simplificação dos ataques dos inimigos, altamente vulneráveis ou tremendamente difíceis, bastando para isso seleccionar uma opção entre os vários níveis de dificuldade. Depois há também os achievements como forma de entrar no ritmo e procedência dos níveis, para uma melhor compreensão do jogo. Perante a ausência de um nível de aprendizagem ou adaptação, a melhor forma de apreender o jogo passa por meter mais créditos. É assim que a emulação do jogo, como experiência arcade, sai reforçada. O botão de apoio esquerdo serve para colocar moedas e o direito activa o jogo.

O mundo marítimo como inspiração

No seguimento de Darius Gaiden, com os seus 28 níveis, adaptados a uma grelha para múltiplos ramos de progressão, ao estilo OutRun, os 15 níveis de G-Darius parecem um recuo. Na realidade, não há um encolhimento do jogo porque sensivelmente a meio de cada nível, o jogador atinge com a Silver Hawk uma passagem intermédia, de transição, previamente alertada por uma contagem decrescente, podendo optar por permanecer na parte superior ou inferior, correspondentes a dois sub-níveis. Na prática os 15 níveis como que duplicam, com a diferença que alguns deles não são tão longos por comparação com o jogo predecessor, em 2D. No entanto, este sistema aumenta o tempo de jogo, desde logo pela exploração reservada ao todo, ao tal segmento alternativo. Nesse aspecto, ainda que ligeiramente inferior a Gaiden, G-Darius oferece uma boa caminhada até ao boss final.

A este respeito sobressai um ponto do jogo desde a primeira boss fight, a influência da vida marinha, especialmente das criaturas que habitam as profundezas dos mares. A vida animal marinha provou ser um autêntico compêndio de dedicação para os produtores, que se inspiraram nas mais diversas espécies de peixes para criarem não só os inimigos vulgares, como os bosses de fim de nível. O resultado é por vezes cómico mas muito convincente no resultado, consciente em termos de profundidade e nos movimentos das criaturas, assim como nos pequenos detalhes ao nível das barbatanas, espinhas e nas descrições apresentadas quando entramos na fase derradeira do nível.

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O controle dos inimigos permite uma abordagem mais estratégica ao conflito entre o reino de Amnelia e o império Thiima.

Se a influência dos visuais é óbvia mas bem construída e alicerçada num mundo bem representado a três dimensões, a jogabilidade é um desenvolvimento dos pretéritos jogos da série. Não há propriamente um elemento novo ou diferente, mas um aperfeiçoar de mecânicas anteriores. Ponto-chave em matéria de jogabilidade é a captura de naves inimigas (ou inimigos), uma opção que capta um rival e o coloca ao nosso lado, a servir de escudo e a disparar sobre tudo o que mexe contra nós. O resultado desta aliança não é inovador mas no 3D dá o primeiro passo, com uma acção que reforça a acção da Silver Hawk sempre que adquire as bolas libertadas no seu raio de navegação. Isto permite controlar diferentes inimigos e assegurar uma alternância de disparos em função dos adversários.

É na comparação com a resolução do original que se torna mais fácil perceber o bom trabalho da M2 na apresentação de G-Darius em formato HD. Para lá das opções que permitem um ajuste do ecrã, há um conjunto de painéis suplementares de informações disponíveis nas laterais do ecrã que estariam normalmente às escuras. Nesse sentido é possível seleccionar pósteres com arte do jogo e até visualizar os ecrãs de loading da versão arcade. A M2 não deixa escapar estes detalhes e parece até exibi-los como fruto de um trabalho minucioso, no qual cada pixel tem o seu lugar. Há uma resolução perfeita para o ecrã, em HD, embora seja possível esticar, fazendo uma espécie de zoom, o que não é muito aconselhável se procuram uma experiência o mais fidedigna.

Em suma, estamos perante mais um bom desempenho da M2 e de uma preciosa colaboração entre a Inin Games e a Taito, mais uma vez a fazer chegar à Europa um jogo integrado numa colecção exclusiva para o Japão. Contando com a colecção em 2D, anteriormente lançada por cá, é a primeira vez que G-Darius ingressa no ocidente, com todo o fulgor arcade do 3D. Um jogo que é também muito forte e consistente no ambiente e banda sonora. Por muito que os shmups sejam recordados e jogados predominantemente em 2D, no capítulo das três dimensões são muitos os jogos do género que se distinguem e G-Darius ainda mantém intactas as qualidades da versão arcade neste formato em HD para a Switch e PS4.

Prós: Contras:
  • Versão em HD fiel à arcade
  • Múltiplas opções de apresentação
  • 3D envelheceu bem
  • Mecânica de controlo dos inimigos
  • Níveis com bifurcação
  • Influência da vida animal marinha na criação dos bosses
  • Ambiente ficção científica
  • Notável banda sonora
  • Ocasionais slowdowns

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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