Dariusburst Another Chronicle EX+ - Review - A toda a largura

Acção arcade abundante.

Há uma história por detrás deste pomposo título da Taito, que agora chega ao ocidente para a Nintendo Switch. O original "shmup" Dariusburst foi publicado em 2009, no Japão. Desenvolvido pela Pyramid, o mesmo estúdio de Patapon, popularizou-se na PSP, ao mesmo tempo que conheceu versões para o Android e para o iOS. Em 2010 a Taito converteu-o para as arcadas numa versão remixed e melhorada, que no ano seguinte seria actualizada para Dariusburst Another Chronicle EX. Mas esta arcade não era uma máquina qualquer. A Taito inscreveu-lhe um ecrã duplo "taikan", com efeitos de luzes e bancos com "rumble" capaz de exercitar os glúteos, e que permitia até quatro jogadores partilharem o espaço ao mesmo tempo. Por isso é que o "rumble" permanece forte na versão que agora experimentamos para a Switch, enquanto permite desfrutar dessa extensa área, para os mesmos 4 jogadores, ainda que isso signifique uma redução substancial do que vemos no ecrã quando jogado em modo portátil.

A Taito tem orgulho na versão arcade, ao juntar até 4 jogadores num combate feroz contra o vírus Belser. A dimensão da máquina é realmente impressionante, fazendo as delícias não só dos japoneses como de muitos ocidentais. As versões domésticas foram encaradas com alguma naturalidade, embora com sentido das limitações. Pensando nisso, a Taito procurou juntar dois ecrãs para o efeito realista, mas as versões para as consolas sujeitaram-se à limitação necessária para caber tudo num ecrã. É uma solução que equivale a colocar o Rossio na Bestesga. Pode parecer enganador, embora não deixe de funcionar e ver como a acção pode chegar até 4 jogadores, partilhando o mesmo ecrã. Claro que isso é mais difícil se jogarem no formato portátil. Se optarem por jogar em modo "docked", a experiência torna-se mais confortável num televisor, especialmente se for um modelo generoso em polegadas.

Como em qualquer Darius, o grau de dificuldade depende do ramo escolhido, como nas corridas do original Outrun. Os níveis seguintes são estabelecidos depois de vencido o "boss". Melhorado ao nível do equipamento, dos níveis e até visualmente, deixando quase nos antípodas a versão original da PSP, este Dariusburst AC EX+ ainda impressiona pela qualidade da arte, numa espécie de viagem pelos confins do universo, com todo o seu ambiente. Depois, há as mecânicas que materializam uma diferente arte de navegação e disparos, especialmente com o novo canhão Burst.

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As virtudes do ecrã ultra wide permanecem nesta versão, mas no modo portátil pode revelar-se um problema.

Nos conteúdos está o ganho

É numa mexida pelas opções que vamos ter uma real ideia do conteúdo que nos espera. O original era composto por 12 níveis, divididos por 3 segmentos de progressão, em ramo, do menos difícil até ao mais árduo. Ao original e ao modo "chronicle" que permite a selecção de missões individuais, com objectivos específicos e até mesmo lutar com determinados bosses, acresce o Original EX. Trata-se de uma versão com 12 novos níveis, mas desta vez com um ainda maior grau de dificuldade, o que torna altamente difícil bater o jogo com apenas um crédito. Sacrificando a pontuação, é possível jogar com créditos infinitos por nave. O modo Event consiste numa série de missões extraídas da arcada, onde é possível jogar com naves diferentes, mudar a configuração dos power ups e seleccionar os bosses. O resultado é uma experiência bastante eclética, profunda e de grande longevidade para um "shmup", aberta ao multiplayer e não apenas uma demanda solitária como acontece em muitos jogos do género.

O conteúdo extra fornece umas horas valentes, especialmente se jogarmos sem a "batota" dos créditos infinitos. É certo que isso acarreta uma repetição constante das mesmas áreas, memorização de batalhas e evolução seguindo determinados poderes, mas só assim atingimos o âmago destes jogos e a sua verdadeira beleza, já que nasceram pela competição e dificuldade que proporcionam. Como disse atrás, as mecânicas também foram objecto de alterações, resultando numa diferença ao nível da gestão do canhão "burst", um disparo a laser que é marca da série e que pode agora ser activado e destacado da nave com uma pressão dupla no botão respectivo. Isto oferece uma maior combinação de chances de ataque, reforçando a dimensão estratégica através da criação de um escudo, graças ao efeito de rotação, sobrevivendo por mais tempo através da absorção de asteróides. É um mecanismo altamente eficiente e gratificante enquanto elemento de gameplay, que muda a forma como olhamos para um "boss", nos defendemos e preparamos ataques.

Ao todo existem 9 naves (Silver-Hawks), algumas novas e outras que reentram na selecção. Semelhante a todas é a curva de upgrades, que pode variar em função dos poderes desenvolvidos e obtidos nos confrontos. Algumas permitem activar um raio "Burst" potente, algo similar a um buraco negro, absorvendo quase todos os inimigos, ainda que de forma temporária. Há um bom equilíbrio na forma como estes upgrades são geridos, acrescido de um interesse em jogar com todas, encontrando a melhor para lidar com aquele "boss".

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Bestiário é fenomenal, com imensos inimigos a evocarem cetáceos.

Perspectiva panorâmica é melhor no televisor

Deve ser uma experiência incrível poder jogar a versão arcade deste título. Um ecrã tão generoso a servir um jogo em formato "scroll horizontal" permite um exame minucioso e contemplativo do bestiário, especialmente as "boss fights", protagonizadas por alguns inimigos memoráveis, de grandes dimensões e que não raro chegam a ocupar quase toda a tela. É pena que parte desse encanto se dilua no formato portátil, que traz consigo as barras escuras laterais, de forma a acomodar toda a tela. É possível tocar no ecrã táctil, efectuando um "close up". Porém, com isso deixamos de ver o restante da tela, ao ponto de nos impedir o acompanhamento devido da acção. A melhor opção é por isso jogar no ecrã do televisor, especialmente se tiverem a consola ligada a um televisor generoso. As barras pretas lá estão mas a área disponível é maior.

Os efeitos visuais são bons, a acção é fluida e todo o trabalho de conversão da versão arcade para uma plataforma como a Switch decorreu sem sobressaltos ou abrandamentos nos "inputs". Faz mais sentido se jogarem no máximo de jogadores admissível, até quatro naves. Há espaço de manobra suficiente para todos, em função da tal extensão de área disponível, e o tamanho de cada nave não é grande já por causa da actuação conjunta. Alguns "bosses" são extremamente difíceis, especialmente no modo EX. Quer nos eventos, quer na progressão por níveis, certas batalhas são épicas, ao ponto de se tornarem diabólicas.

Para a GameBoy e Game Gear existiram em tempos umas lupas que ampliavam o ecrã e facilitavam o acompanhamento dos jogos. Para um jogo como este, um acessório similar talvez fizesse sentido, tornando Dariusburst AC EX+ no modo portátil um pouco mais friendly. É possível jogar ainda assim, mas ao fim de algum tempo o cansaço nas vistas é natural, passando a moderado quando jogado num televisor. Enfim, não é o jogo adequado para usufruir "on the go", mas esta versão vem prestar um óptimo tributo à congénere arcade, é ampla em conteúdo e mostra-nos uma das melhores batalhas nos confins do universo, em gameplay e em ambiente, com sonoridades que roçam a excelência.

Prós: Contras:
  • Variedade de modos de jogo
  • Qualidade do port arcade
  • Sonoridade e ambiente
  • Longevidade
  • Melhoramentos nas mecânicas
  • Visuais e acção fluida
  • 4 jogadores em simultâneo
  • Limites no ecrã da Switch
  • Poderia incluir mais naves

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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