Xenoblade Chronicles: Definitive Edition - Review - Divindade

Mais um belo exemplar na Switch.

Estamos cada vez mais perto de celebrar o 10º aniversário de Xenoblade Chronicles, um dos maiores clássicos da Nintendo Wii e um dos mais memoráveis JRPGs de todos os tempos. A chegada de uma versão intitulada como Definitiva para a Nintendo Switch é uma grande responsabilidade para a Monolith Soft, liderada por Tetsuya Takahashi, uma das mais brilhantes mentes a trabalhar no género. Numa geração que está a terminar da mesma forma que começou, marcada por remasters, existem diversos que optam pela rota do esforço mínimo, mas esse é um conceito que nem sequer parece existir na Monolith. Quando apostam em algo, é de corpo e alma.

Como já partilhámos na semana passada, existem imensas razões para ficar entusiasmado com Xenoblade Chronicles: Definitive Edition e a verdade é que sinto que a Switch acabou de receber um dos seus melhores jogos. Seja pelas melhorias gráficas, pelas novas mecânicas que o tornam mais intuitivo e a forma como foi actualizado para se tornar mais actual, este jogo abunda em argumentos capazes de deliciar os adeptos dos JRPGs, mas não há como negar que muito do encanto provém da genial mente de Tetsuya Takahashi, que vê agora o seu trabalho alcançar uma nova audiência.

Clássico intemporal

Xenoblade Chronicles: Definitive Edition é muito mais do que um remaster, é uma versão actualizada e incrivelmente melhorada de um dos mais marcantes projectos no trajecto de Takahashi, mas se as melhorias visuais e pequenas grandes melhorias 'quality of life' lhe injectam uma merecida actualização, o que mais me fascina é mesmo a narrativa e a ousadia de Takahashi na abordagem a temas fortes e profundos. Ao longo de Xenoblade Chronices, conhecerás o jovem Shulk que ao lado dos seus amigos tenta impedir que Bionis, uma criatura tão gigante que se tornou na casa de seres vivos, seja destruída pelos Mecons, criaturas mecânicas que habitam em Meconis, o outro gigante que travou uma luta implacável com Bionis.

Se o sistema de combate que mistura acção em tempo real com a estratégia vista nos sistemas turnos é deslumbrante e incrivelmente energético ou se a banda sonora é das melhores que poderás escutar, confesso que foi a narrativa que me fez ficar agarrado a Xenoblade Chronicles: Definitive Edition. A forma como são exploradas temáticas sensíveis e pertinentes neste contexto entre ciclos de vida, religião, homem vs máquina, percepções do bem comum perante sede de glória pessoal, diria que somente Yoko Taro na série NieR se atreve a explorar tamanhas temáticas capazes de desafiar o teu intelecto desta forma, pelo menos do género JRPG. Claro que tudo isto se torna mais glorioso quando falamos em jogar uma versão Definitiva, com opção de ser jogada em modo portátil e com melhorias surpreendentes.

Imensas novidades e melhorias

Algo que temos de dizer desde já é que sim, visualmente, Xenoblade Chronicles: Definitive Edition segue um perfil similar ao de Xenoblade Chronicles 2, um jogo de 2017, feito de raiz para a Switch e mais ambicioso no detalhe dos seus cenários. Isto poderá ser um pouco surpreendente de ver numa versão actualizada de um jogo com 10 anos, especialmente porque a qualidade da imagem em modo portátil poderá desiludir um pouco. Na dock, fica bem melhor, mas a sensação que um jogo de 2010, mesmo com as melhorias visuais e novas texturas, deveria estar melhor na Switch não desaparece. Dito isto, as melhorias feitas são mesmo espantosas e consagram esta versão Definitiva.

As novas texturas já foram referidas, as incríveis mudanças na iluminação também, mas as radicais melhorias nos modelos de personagens é o que torna esta nova versão tão marcante. Está mesmo incrível e alguns momentos querem enganar-te e fazer-te crer que o jogo é de 2020. Além disso, terás batalhas aprimoradas para se tornarem mais dinâmicas. O HUD recebeu actualizações muito bem-vindas e a liderar as melhorias quality of life estão os novos indicadores que te dizem qual o melhor ataque, Art ou Monado Art que deves usar para um inimigo ou posição específica.

Tendo em conta que ainda demora a derrotar alguns inimigos (a diferença de níveis faz-se sentir e bem em Xenoblade Chronicle), enquanto ganhar XP nos combates poderá ser demorado e o grind tornar-se penoso. Cumprir missões secundárias é o melhor método de subir rapidamente de nível e as melhorias beneficiam estes dois aspectos do jogo. As batalhas estão mais intuitivas e até as side missions estão ao alcance de um mero botão. Pressiona para baixo no D-pad e abres a lista de side missions, onde podes escolher uma nova ou verificar os objectivos. Até os objectivos da Colony 6 estão aqui.

A acessibilidade e uma visão do futuro

Outro elemento através do qual a Monolith Soft conquista o direito de lhe chamar de versão Definitiva é com as novas opções que te permitem personalizar a dificuldade. O Casual Mode deixa-te jogar focado na narrativa e derrotar praticamente todos os bosses sem preocupações. Já o Expert Mode deixa-te ajustar o nível, a XP que ganhas e desta forma decidir o quão difícil é o jogo. Se quiseres, podes tornar tudo absurdamente difícil. É mais uma boa forma de actualizar o jogo para o contexto actual, no qual existe uma maior diversidade de audiências da Switch e de forma alguma devem ficar privados de jogar um JRPG por causa da dificuldade.

Além disso, não podemos deixar de referir o conteúdo inédito de história, na forma do epílogo Future Connected. A Monolith dedicou tempo e carinho a esta nova história, que decorre um ano após os eventos da história principal, mas está disponível de imediato. Mais do que os inúmeros novos fatos (existe até um local especial no qual entras em combates contra-relógio para obter novos fatos), é neste Future Connected que a Definitive Edition brilha para os veteranos. Shulk e Melia vivem uma nova aventura ao lado de Nopons bem humorados.

Muito mais do que um remaster

Xenoblade Chronicles comemorará 10 anos de vida dentro de poucas semanas e esta Definitive Edition é uma prenda para todos os que adoram os JRPGs. A Nintendo Switch está a permitir que muitos jogos da Nintendo conquistem uma renovada popularidade e Xenoblade Chronicles é um jogo que merece mais carinho, respeito e atenção. É um JRPG sensacional e que, na sua altura, revolucionou o género com conceitos específicos. O melhor atestado da sua posição na realeza dentro deste género é que, 10 anos depois, continua fantástico. Quando juntas um sistema de combate tão divertido e energético, com uma narrativa sublime que te conquista e provoca, é difícil resistir a tamanhos encantos.

Prós: Contras:
  • Melhorias visuais nas texturas, personagens e iluminação são surpreendentes
  • A banda sonora é magistral
  • Melhorias que tornam as batalhas mais intuitivas
  • Modos Casual e Expert permitem personalizar a dificuldade
  • Novo Epílogo inédito com mais história
  • Resolução e nitidez deixam um pouco a desejar, especialmente em modo mobile
  • As animações não foram renovadas
  • São raros, mas existem inesperados problemas na performance

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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