Dragon Ball Z: Kakarot Review - Se o Veku fosse um jogo

Uma fusão de géneros que podia ter corrido melhor.

A maior homenagem já feita à história de Dragon Ball num jogo, mas a sua faceta de RPG podia ser muito melhor.

Pode um jogo ser simultaneamente bom e mau? Por mais bizarro que isto possa parecer, Dragon Ball Z: Kakarot é um caso de um jogo que tem duas facetas completamente distintas. De um lado temos um jogo que é a maior homenagem já feita neste meio à incrível saga de Dragon Ball Z, mas do outro está um RPG enfadonho que em nada beneficia as partes mais fortes do jogo. É quase como se os produtores tivessem enxovalhado os elementos RPG à força apenas para poder dizer que Dragon Ball Z: Kakarot é um RPG sem haver a preocupação de o tornar num bom RPG.

Quais são as diferenças de Dragon Ball Z: Kakarot?

Para aqueles que jogaram Dragon Ball Xenoverse 2 e Dragon Ball Fighter é justo perguntar o que Dragon Ball Z: Kakarot traz de novo. O que a Cyberconnect 2 e a Bandai Namco fizeram com este jogo foi pegar na saga Dragon Ball Z e convertê-la num jogo de aventura com elementos RPG. A parte da aventura é espectacular em todo o sentido da palavra: podes voar livremente pelos diferentes cenários do mundo de Dragon Ball, uma experiência nostálgica e delirante para os fãs, e progredir ao longo da história seguindo a cronologia dos arcos: primeiro enfrentas Raditz, depois Vegeta, segues para Namek, derrotas o maléfico frieza, encadeando na saga dos Andróides / Cell e terminando com a saga do Buu.

"Uma experiência nostálgica e delirante para os fãs"

Recontar a história de Dragon Ball Z em formato de videojogo não é novidade, mas o que realmente impressiona aqui é o cuidado e detalhe. Só para chegar ao fim da história, sem perder muito tempo a fazer outras coisas, vais precisar de cerca de 40 horas. Nem sempre a história mantém o mesmo ritmo, havendo certas partes do enredo que são resumidas rapidamente, mas no geral é uma representação altamente minuciosa da história criada por Akira Toriyama. De fora ficaram todos os filmes que conheces de Dragon Ball Z - o que é uma desilusão para alguns fãs - embora no final haja um boss secreto importado de Dragon Ball Xenoverse.

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Neste jogo podes apanhar vários ingredientes ao explorar o mundo para depois fazeres refeições que te dão bónus temporários.

Explorar o mundo de Dragon Ball

Preferia que Dragon Ball Z: Kakarot fosse um grande mundo aberto em que não houvesse necessidade constante de visitar o mapa para trocar de cenário, mas a solução que a Cyberconnect2 arranjou não é má de todo. Cada cenário que podes visitar neste jogo é uma grande área aberta em que podes dialogar com diferentes personagens do universo de Dragon Ball, apanhar orbs coloridas para evoluir as personagens, encontrar itens, procurar pelas Dragon Balls e claro, completar as quests principais e secundárias. A recriação do mundo é lindíssima e a sensação de poder voar por estes cenários não podia ser melhor. Em certos cenários, como a área em redor da casa do Tartaruga Genial, podes até explorar os cenários debaixo de água.

Será que vale a pena comprar Dragon Ball Z: Kakarot?

A progressão na história principal acontece nestes cenários. No mapa tens sempre marcado para onde deves ir a seguir para progredir na história. Existem simultaneamente quests secundárias que podes completar para ganhar itens, orbs e experiência para subires o nível das personagens, mas não te vou mentir: são na maioria quests extremamente aborrecidas e básicas em que tens de procurar itens e / ou derrotar inimigos. A passar pelos mapas também vais encontrar inimigos que se te avistarem, vão perseguir-te para combater contigo, mas a falta de variedade é gritante: vais combater contra saibamen, soldados do Frieza e robôs do Red Ribon Army e pouco mais. Para um jogo de dura dezenas de horas, era preciso muita mais variedade.

Apanhando as 7 Bolas do Dragão, o que podes fazer em vários momentos ao longo da história, podes desejar que os inimigos que já derrotaste uma vez sejam ressuscitados para que possas combater contra eles novamente. Depois, há actividades como corridas em robôs saltitantes e com os automóveis característicos de Dragon Ball. Apesar da recriação do mundo estar bem feita, fiquei com o desejo que houvessem actividades secundárias mais substanciais e entusiasmantes.

Combates explosivos

Num jogo de Dragon Ball o combate é um dos elementos mais importantes. A manga e o anime foram definidos pelos combates épicos entre personagens que, no final da história, têm poder suficiente para destruir planetas inteiros com um só ataque. O sistema de combate de Dragon Ball Z: Kakarot é reminiscente de títulos 3D como Dragon Ball Tenkaichi. Os controlos são iguais para todas as personagens, mas existem variações nas animações e nos ataques especiais. As personagens jogáveis não são muitas - vais combater apenas com Son Goku, Trunks (adolescente), Piccolo, Vegeta e Son Gohan (que vai crescendo). Poderás jogar também com as fusões Vegito e Gotenks, mas apenas em batalhas específicas. Outras personagens como Krillin, Yamcha, Goten, Trunks (criança) e Tien só estão presentes como personagens de suporte - ou seja, nas as controlas directamente, mas ajudam-te em combate.

"Os controlos são iguais para todas as personagens, mas existem variações nas animações e nos ataques especiais"

O sistema de combate não é tão refinado como o de Dragon Ball FighterZ, mas transmite a sensação de poder e rapidez dos combates da série. Podes encadear longos combos, deslocar-te rapidamente para trás do inimigo depois de te esquivares de um ataque, carregar o teu KI e lançar poderosos ataques de energia icónicos como a Spirit Bomb, Kamehameha, Masenko, Galick Gun e Special Beam Cannon. Os combates deste jogo também implicam uma gestão de uma barra de stun (ficar atordoado). A personagem que controlas pode ficar neste estado, mas também o podes infligir nos oponentes. O que acaba por irritar nos combates é a capacidade de qualquer inimigo de fazer ataques "carregados". Quando isto está prestes a acontecer, os inimigos ficam com uma aura vermelha e não consegues parar a animação, causando situações estranhas em que personagens poderosas não conseguem parar um simples Saibamen.

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Se disparares um ataque ao mesmo tempo que o adversário, ocorre um clash de super-ataques.

Afinal isto é um RPG porquê?

A dimensão RPG de Dragon Ball Z: Kakarot vem dos níveis associados às personagens e da sua evolução ao longo da história. É um jogo em que podes fazer o tradicional grinding para subir de nível, mas os inimigos comuns que encontras no mapa são muito repetitivos e não dão assim tanta experiência. Além disso, a experiência que recebes das quests principais e secundárias é tanta que não existe praticamente necessidade de fazer grinding. Fora isto, podes ensinar novos super ataques às personagens e equipar-lhes novas habilidades para, por exemplo, terem a capacidade de causar mais dano de stun aos adversários. Depois há outras habilidades que te aumentam a percentagem de ataque, mas que te fazem perder vida constantemente. Tu é que tens de escolher aquilo que queres.

Fora dos combates também tens que dedicar atenção às tuas comunidades. Em Dragon Ball Z: Kakarot vais ganhando as medalhas de várias personagens deste universo, que depois podem ser colocadas nas diferentes comunidades. Existem comunidades dedicadas aos combates, à exploração, ao treino, às refeições e à aventura. Quanto maior for o nível destas comunidades, maiores serão os bónus que recebes. Agrupando as medalhas de certa forma, recebes bónus extra - por exemplo se juntares Piccolo com Gohan receberás um determinado bónus. Deves saber ainda que as medalhas das diferentes personagens podem ser evoluídas através de presentes para contribuírem mais para o nível da comunidade e que cada medalha tem diferentes estatísticas em cada comunidade. Há medalhas que são mais indicadas para a comunidade de combate, outras para as refeições ou aventura.

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Uma imagem da comunidade Z Warrior, que te dá bónus para os combates

Dragon Ball Z: Kakarot Review - Apesar das falhas, os fãs vão gostar

O jogo oscila bastante na qualidade. Podes estar assistir a uma cinemática espectacular que te ressuscita todo o entusiasmo que tiveste ao ver a animação, mas no momento seguinte dás de caras com uma textura horrível nos cenários. A mesma situação repete-se no resto do jogo. A recriação da história de Dragon Ball Z está fantástica, mas outros aspectos como as actividades secundárias, sidequests e inimigos comuns são precários. É um jogo bastante longo e como fã de Dragon Ball de longa data, gostei do tempo que passei com ele. Nem todos os momentos foram positivos, mas ultimamente o balanço é positivo.

Como nota final, Dragon Ball Z: Kakarot exibe um sintoma que os jogos anteriores - e já agora também outros jogos de anime - demonstram. Existem boas ideias, o conceito é sólido e a qualidade da produção é aceitável, mas há bastante margem para melhorar. Neste caso em concreto, podiam haver muitas mais personagens jogáveis, actividades secundárias com mais piada e mais diversidade de inimigos. Em suma, um bom jogo de Dragon Ball que vai deixar os fãs contentes, mas um mau RPG. Tal como Veku, Fatenks ou Skinny Tenks, é uma fusão mal feita mas com potencial para algo mais grandioso. Esperemos que numa sequela estes aspectos negativos sejam corrigidos.

Prós: Contras:
  • Uma fiel recriação da história de Dragon Ball
  • Está cheio de momentos nostálgicos para fãs
  • Explorar o mundo de Dragon Ball é fantástico
  • Ritmo acelerado e poderosos ataques nos combates
  • Sidequests muito repetitivas
  • Os inimigos que patrulham o mundo são sempre os mesmos
  • O mundo podia ter actividades mais interessantes
  • O lado RPG do jogo podia ter sido mais explorado

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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