Mario & Sonic at the Olympic Games Tokyo 2020 Review - Edição 8-bit

O futuro é retro.

Ver Mario e Sonic juntos no mesmo título já não é novidade, só mesmo vê-los na competição pelas medalhas em formato 8 bit.

A poucos meses da chama olímpica chegar por fim a Tokyo, assinalando o começo dos jogos lá por ocasião do verão, em 2020, a Sega e a Nintendo antecipam-se ao lume no caldeirão e voltam a celebrar mais um evento do desporto mundial em forma de videojogo, unindo as personagens de dois universos em renovada e acesa competição. Não deixa de ser curioso que sendo Mario e Sonic duas personagens criadas por autores japonesas, esta seja uma oportunidade para comemorar em casa. É sabido que Mario & Sonic proporciona um conjunto de provas e desafios marcados pela simplicidade e acessibilidade, e para mais a ter lugar numa plataforma de origem japonesa, este é sem dúvida um momento especial.

Embora baseado nos olímpicos, este não é um produto oficial da prova, nem estão todas as modalidades que preenchem a competição ao longo de um mês. Apenas uma parte das mais conhecidas. Do atletismo à natação, vólei, tiro e lançamento do dardo, é possível experimentar um bom conjunto de provas (cerca de 30). A composição é arcade, capaz de evocar a jogabilidade de títulos mais longínquos, como Athlete Kings, quando numa prova de velocidade pressionávamos sistematicamente o mesmo botão, após a partida, até a personagem ganhar ritmo e chegar à meta em primeiro. Noutras modalidades, como o futebol ou o vólei, há mais alguma construção e o controlo da personagem permite até mais alguma autonomia, ainda que as opções de carácter técnico sejam um pouco limitadas, excepto nalgumas provas de habilidades.

No fundo este é um "party game arcade" desportivo, não há que esconder esta evidência. Por detrás deste título em forma de parceria, estão integradas muitas actividades desportivas olímpicas, mas configuradas em jeito de mini desportos, como desafios dotados de regras simples e claras, sem perder de vista o desafio e mesmo nalguns momentos a complexidade necessária de modo a travar o resultado fácil.

Olímpicos japoneses de '64 em 8-bit

É seguramente a maior novidade desta edição a inclusão de um modo história que permite às personagens recuarem no tempo até aos primeiros jogos olímpicos realizados no Japão. Foi no longínquo ano de 1964, ainda antes de existirem as consolas e os videojogos. Mas os produtores optaram por incluir esta vertente retro, desenvolvendo um conjunto de provas no formato 8-bit, sinónimo de alguma nostalgia e dedicação.

Como seria de esperar, o argumento não serve outro propósito que não seja percorrer a aldeia olímpica, o estádio e outros locais onde decorrem as provas. Eggman e Bowser foram sugados para uma consola, arrastando com eles Mario e Sonic, assim como os restantes elementos da comitiva. Neste recuo no tempo, todo o espaço, personagem e jogos estão desenhados como se tratasse de um jogo editado para uma consola 8-bit. Até a música e a sonoridade são bastante similares.

O ponto interessante deste recuo no tempo é a mudança de aspecto dos jogos. Do 3D passaram para um 2D retro e carregado de nostalgia. Na prática é quase a mesma coisa, apenas com uma perspectiva mais abrangente. Os efeitos das personagens e sprites são em quase tudo similares aos dos jogos 8 bit. O Sonic fica sempre com aquele aspecto de velocidade nos 100 metros, enquanto que o tiro ao prato é capaz de trazer à memória o tempo passado a jogar Duck Hunt.

"É seguramente a maior novidade desta edição a inclusão de um modo história que permite às personagens recuarem no tempo até aos primeiros jogos olímpicos realizados no Japão"

O que vale neste modo é que todo ele está feito como se de um jogo 8-bit se tratasse. Até os diálogos possuem aquele "lettering" típico, acompanhado por sons e movimentos das personagens. Não esperem chegar a grandes conclusões sobre a história. Ela serve algo mais, que é a competição e a evolução pelos eventos, uma vez que terão de cumprir determinados objectivos jogando com personagens seleccionadas pelo computador.

Os comandos são simples e a dificuldade em termos de desafio não é muito grande. Basta alguma perícia e concentração para avançarem sem sobressaltos. Em alternativa, estes eventos desportivos do modo história podem ser jogados de forma livre e autónoma, com recurso à via multiplayer numa secção inteiramente dedicada. Como novidade, esta adição dos jogos em formato 8-bit acrescenta um bom tónico ao desafio original, mas importa referir que não foge ao conceito "party game", ao formato minijogo, veiculando uma ideia de adaptação de um formato existente.

A sós ou com mais jogadores

No que respeita aos jogos em formato 3D, não há grandes novidades a acrescentar relativamente às edições anteriores. A nota dominante passa pela inclusão de 4 novas modalidades que farão estreia nos Jogos 2020. Destas o Karaté e o Surf garantem mais profundidade, estando ainda bem concebidos em termos visuais. A escalada inscreve um desafio de luta contra o tempo, enquanto que o Skateboard é todo um jogo de acrobacias. Também aqui os movimentos são simples. Refira-se que existem três vias de interacção para cada jogo. Através dos botões, por via de um comando apenas e a opção dois comandos em simultâneo. Apesar da diferente configuração do sistema interactivo, as operações são simples.

Se tiveram oportunidade de jogar algum dos títulos anteriores vão reencontrar modalidades. É o maior conjunto, a herança. Do futebol ao tiro com arco, passando pelo lançamento com dardo, mantém-se a luta por um lugar no pódio. Luta essa que pode passar por vários jogadores por via do multiplayer, tanto local como online. De regresso estão ainda os Dream Events, provas de maior envergadura, assentes em arenas e espaços acolhedores de um maior número de participantes. É um modo especialmente dirigido ao multiplayer. Destacam-se os Dream Racing, Shooting e Karate, que pela sua dimensão expansiva podem até proporcionar momentos mais interessantes por comparação com os desafios regulares.

O destaque e ponto de maior apelo desta experiência acaba por ser, sem dúvida, a composição 8-bit de um conjunto de modalidades apresentadas na forma de uma história. De resto é o "party game" ou sequência de minijogos a que já nos habituamos por ocasião dos olímpicos de verão ou de inverno. A apresentação é razoável, sóbria, e sobretudo há uma grande acessibilidade na introdução de cada uma das provas. É interessante o acrescento do formato 8-bit da competição, mas a evolução deste Mario & Sonic é discreta e traz poucas novidades de monta.

Prós: Contras:
  • Modalidades olímpicas em 8 bit
  • Party game desportivo
  • Acessibilidade e vários sistemas interactivos
  • O conteúdo não difere muito das edições anteriores
  • Evolução discreta
  • Escassa longevidade

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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