E3 2019: Jogos favoritos, as maiores surpresas e desilusões

Para o ano há mais!

A E3 2019 termina hoje. Foram três dias intensos (na realidade foram mais devido às conferências que antecedem o evento) com novidades de videojogos e, para os fãs deste tipo de entretenimento, este continua a ser um dos momentos favoritos do ano. É um autêntico frenesim e caos de videojogos, com as companhias a tentarem-se superar umas às outras com anúncios cada vez mais bombásticos.

Na edição de 2019, apesar da ausência de um dos maiores players da indústria - a Sony PlayStation - não faltaram momentos agradáveis e de genuíno entusiasmo. Ainda a ressacar desta bebedeira de novidades, reunimos a equipa do Eurogamer Portugal para decidir quais foram os nossos jogos favoritos, os momentos mais surpreendentes e, não podia faltar, as maiores desilusões.

Jorge Loureiro (Editor)

Jogo favorito: Watch Dogs Legion

A oitava geração de consolas ficou marcada pela expansão do género em mundo aberto. De repente, todos os novos novos jogos tinham que ter um mundo aberto e um infinito número de coisas para fazer, mesmo que essas coisas fossem aborrecidas e em nada contribuíssem para a fortificação da experiência. Quando pensava que já não podia ser surpreendido neste género até à chegada da próxima geração de consolas, eis que a Ubisoft me contraria e apresenta um jogo em mundo aberto com uma mecânica inovadora: vamos poder jogar com qualquer personagem! O primeiro trailer gameplay mostra de forma hilariante como uma senhora idosa se torna numa personagem mortífera em Watch Dogs Legion. Bravo Ubisoft!

A maior surpresa: Keanu Reeves em Cyberpunk 2077

Qual a melhor forma de aumentar ainda mais o entusiasmo para um jogo que já se tornou num dos mais antecipados dos próximos tempos? Anunciar que um dos actores mais famosos do cinema vai dar corpo, voz e aparência a uma das personagens mais importantes (pelo menos na versão RPG de mesa): Johnny Silverhand. No final do trailer apresentado da conferência E3 2019 da Microsoft, quando vimos Keanu Reeves pela primeira vez em Cyberpunk 2077, foi um momento de puro hype, um dos mais eufóricos na história da E3. São momentos como este que os fãs de videojogos acompanham as conferência em directo, seja a que horas for.

A maior desilusão: Pokémon Sword & Shield sem National Dex

Desde que a Nintendo Switch foi anunciada que os fãs de Pokémon sonham com um jogo que aproveite todo o potencial da plataforma da Nintendo, que é muito mais capaz do que qualquer outra consola portátil na história da companhia. Por esta razão é incompreensível que Pokémon Sword & Shield tenha um número de Pokémon inferior aos jogos da Nintendo 3DS. O jogo não terá a National Dex, a Pokédex que agrega todos os Pokémon existentes. Isto significa que certos Pokémon serão excluídos do jogo e que não poderão ser transferidos de versões anteriores. Porquê GameFreak? Isto não faz sentido.

Vítor Alexandre (Redactor)

Jogo Favorito: Cyberpunk 2077

Se na pretérita E3 Cyberpunk 2077 foi a grande surpresa do evento, este ano chegou a confirmação. O jogo da já muito bem posicionada CD Project Red revelou-se em todo o esplendor nesta E3. Vale a pena lembrar que é uma ambiciosa produção oriunda de um estúdio polaco que começou por ganhar pergaminhos à custa da série Witcher, tendo atingido o seu desenvolvimento máximo em Witcher 3. Pelo que pudemos ver esta E3, entre boas sequências de jogabillidade, estamos diante de um trabalho muito diverso desse jogo de fantasia medieval, tanto em termos artísticos como nos elementos jogáveis, e ainda em performance técnica. Não são apenas os visuais foto realistas e a presença de Keanu Reeves que lhe valem um estatuto ao mais alto nível. É toda a imersão, carga narrativa e envolvência que o jogo irá permitir.

Maior Surpresa: Devolver Digital

A produtora Devolver Digital passou por uma evolução ao longo dos anos. Há não muito tempo era quase uma desconhecida do grande público. O seu catálogo é sempre surpreendente, mas no meio de tantos anúncios sempre passou algo despercebido na semana mais frenética do mundo dos videojogos. A diferença é que este ano, à semelhança de outras editoras, não seguiu o tradicional modelo de conferência ao vivo. Apostou no digital, num formato gravado, mas nem por isso perdeu de vista as habituais notas e apontamentos humorísticos. São 21 minutos das vossas vidas que valem a pena.

Maior Desilusão: ausência da Sony PlayStation

Não entendam como uma crítica à companhia, mas uma E3 sem a Sony CE não é a mesma coisa. Esse vazio, essa vaga por preencher, constituiu uma sensação de desilusão e desapontamento, senti isso. Por mais alterações que venham a acontecer no futuro, a E3 ainda é um evento aglutinador de múltiplos catálogos que provam a diversidade de produções no âmbito dos videojogos. A SCE terá grandes coisas para nos revelar, e por isso terá decidido seguir o seu caminho, concentrando em si o foco noticioso. Mas uma E3 sem a Sony não é o mesmo, uma presença há mais de vinte anos e à qual nos habituamos pelas novidades e anúncios, como o da primeira PlayStation.

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Jorge Salgado (Mestre dos Guias)

Jogo Favorito - Watch Dogs Legion

Fiquei surpreendido com o gameplay de Watch Dogs - especialmente com o facto de poderes jogar com qualquer personagem. Quando tiver o jogo nas mãos, vou logo jogar com a velhinha. Aproveito também para deixar um obrigado à Nintendo por ter mostrado gameplay de Luigi's Mansion 3 - se bem que não me tinha importado nada com mais imagens de Bayonetta 3!

Maior Surpresa - Keanu Reeves em Cyberpunk 2077

Esta E3 teve ainda momentos bem bombásticos. Não tantos quanto gostaria mas melhor do que nada. Em primeiro lugar, a entrada apoteótica de Keanu Reeves (um segredo que, felizmente, não vazou antes do tempo). Quem diria que o próprio John Wick iria marcar presença na conferência da Microsoft? Para além de ter anunciado o trailer que revelou a data de lançamento de Cyberpunk, o mesmo protagoniza ainda o meme do momento - YOU'RE BREATHTAKING!

Para além disso, tivemos ainda gameplay brutal de Final Fantasy VII Remake, o ponto alto da conferência da Square Enix. Admito que não sou grande fã da saga, mas ao ver os trailers do jogo fiquei com água na boca!

Maior Desilusão - A invasão dos trailers CGI / o horrível público da Bethesda

Tive dois grandes problemas com o evento deste ano: em primeiro lugar, a quantidade megalómana de trailers CGI e sem gameplay concreto que as diversas companhias apresentaram. Percebo que muitos jogos devem estar em fases ainda embrionárias mas seria interessante ver algo mais concreto e não apenas um mini-filme altamente produzido. Elden Ring, GhostWire, Deathloop, Gods & Monsters, Marvel's Avengers, Outriders, Halo Infinite, Breath of the Wild 2, entre outros, foram algumas das propriedades que receberam este tratamento e gostaria de ter visto estes jogos em acção.

Em segundo lugar, a reacção da audiência - com particular ênfase para aquilo que aconteceu na conferência da Bethesda. Percebo que os fãs dos videojogos vibram com a E3 mas aquilo que aconteceu na conferência da Bethesda foi particularmente estranho, com o público a aplaudir veementemente sempre que algo era dito em palco. Literalmente.

Destaco ainda o anúncio da nova Xbox, se bem que posso ter sido traído pelo meu hype - estava a contar ver a consola e saber todos os detalhes sobre ela, se bem que nada disso aconteceu.

Bruno Galvão (Editor das Notícias)

Jogo Favorito - Bleeding Edge

Bleeding Edge representa tudo aquilo que elogio na indústria - é uma nova propriedade intelectual que mostra um consagrado estúdio a sair da zona de conforto. Apoiado pela Microsoft, esta é a concretização de um projecto de longa data da Ninja Theory e promete satisfazer a comichão por brawlers estilo anos 90 (Anarchy Reigns da Platinum Games em 2012 foi a mais recente tentativa). Além disso, é colorido e com visuais espectaculares, prometendo transportar o gameplay de DmC: Devil May Cry e Heavenly Sword para uma experiência competitiva multi-jogador. Poderá ser ideal para jogar de forma descomprometida e entre outros jogos longos.

Maior Surpresa - The Legend of Zelda: Breath of the Wild 2

Numa E3 que ficará certamente marcada pela fuga de informações, Zelda: Breath of the Wild 2 foi verdadeiramente surpreendente. Quando parecia que já tinhas visto tudo, mesmo antes de ser revelado, a Nintendo surpreendeu tudo e todos ao anunciar o oficialmente Zelda: Breath of the Wild 2 - apesar de já sabermos que o jogo estava em desenvolvimento. Além disso, é uma sequela directa, algo que nesta série é raro.

Maior Desilusão - Ausência completa dos fighting games

Os fighting games passaram completamente ao lado da E3 2019 e numa altura em que vários estão activos como se fossem jogos vivos, isso é uma pena. O evento de Los Angeles poderia ter sido usado para anunciar uma nova temporada de Street Fighter 5, um novo Persona 5 Arena, um possível relançamento de Marvel vs Capcom Infinite ao estilo de uma versão Ultimate, ou até algo menos rebuscado como anunciar Janemba em Dragon Ball FighterZ e revelar gameplay de Gogeta SS Blue e Broly Full Power. Passaram completamente ao lado. Tal como os jogos de corridas.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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