Há sensivelmente um ano, antes do lançamento de Yakuza 6: The Song of Life, recebemos Yakuza Kiwami, a remasterização do primeiro jogo da série, lançado em 2005, no Japão, para o sistema PlayStation 2. No passado dia 28 de Agosto, a Sega lançou Yakuza Kiwami 2, a versão remasterizada do segundo jogo da série (2006, Japão).

Por entre Yakuza 6: The Song of Life e versões remasterizadas, a Sega continua a brindar os fãs com uma franquia que deriva de uma espécie de cruzamento entre os filmes da Yakuza japonesa, Shenmue e Virtua Fighter 2. Com estas remasterizações o legado de Kazuma Kiryu não está longe de ficar completo na PS4.

Em Yakuza Kiwami a Sega melhorou a resolução, texturas e framerate do original. Agora, a produtora voltou a fazer uma remasterização impecável, servindo-se do notável Dragon Engine, o mesmo motor gráfico usado para desenvolver Yakuza 6. Importa lembrar que em Yakuza Kiwami 2, as cenas, os diálogos e as personagens continuam fieis ao original. As diferenças, ressalvando o grafismo, e alguns ajustes narrativos, passam pela adaptação de algumas mecânicas, nomeadamente de combate, e pela inclusão de novos minijogos.

Se jogaram Yakuza Kiwami e prosseguiram em Yakuza 6, logo aí descortinaram uma grande evolução. Mas neste regresso ao passado da série, nem por isso se deixa de assinalar uma evolução significativa depois do primeiro episódio. Ao beneficiar do Dragon Engine, os rostos das personagens são mais vivos e detalhados. As animações estão mais suaves, bem como uma melhor caracterização do ambiente, embora alguns espaços estejam menos produzidos e se apresentem com um minimalismo normal para uma produção original com mais de dez anos.

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Muitos objectos e armas podem ser usados para ferir os adversários. Kizuma é perito na utilização mais eficaz.

Em termos narrativos, Yakuza Kiwami 2 promove um novo confronto. As reviravoltas são frequentes, com imensas situações inesperadas, começando desde logo na primeira cena - um pouco chocante e bastando um disparo para acabar com a paz. Os acontecimentos têm lugar sensivelmente um ano depois dos eventos do primeiro jogo, com o Tojo Clan enfraquecido. Kazuma Kiryu procurou afastar-se das lides criminosas, mas é novamente arrastado pela onda de violência e sangue derramado pela aliança Omi, liderada pelo terrível Ryuji Goda, também conhecido como "Dragon of Kansai". Este é o grande antagonista, que entra em cena para acabar com Kazuma e o Tojo clan.

A conexão ao primeiro jogo acontece quando Kazuma visita Nishiki e Shintaro Kazama no cemitério. Nesse momento podemos recuperar, por assim dizer, as memórias de uma série de eventos que ocorreram há um ano. Para quem como eu ainda não teve oportunidade de o jogar, este segmento demonstra a sua utilidade em nos colocar no ponto de evolução da narrativa. São ainda largos momentos de cinematográficas e uma exposição prolongada, da autoria do próprio herói.

Procurando repor a ordem no Tojo Clan depois do assassinato do seu chefe, Yukio Terada, Kazuma regressa inevitavelmente a Kamurocho. É um lugar revisitado, um sítio especial, erguido naquele jogo de luzes neon, por entre arranha-céus, onde curiosamente nos sentimos em casa. Há todo um conjunto de ligações e deslocações a fazer, não faltando os rúfias que nos abordam para mais um confronto. Contudo, uma figura cresce nesta escalada de eventos, que é Ryuji Goda, um rival difícil, capaz de ombrear com Kazuma e com o qual manterá um desafio permanente, de intensidade crescente. No entanto, existem outras personagens relevantes, como a agente Kaoru Sayama. Encontramos também Haruka, ainda uma criança.

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Mad Dog of Shimano não é pêra doce. Não sobe de nível mas a sua arte de combate permanece intacta.

Osaka é outra cidade a revisitar, em Kiwami 2, com os seus restaurantes, lojas e mini jogos, onde facilmente fugimos da jornada principal e nos perdemos em actividades paralelas e opcionais, algumas bastante cómicas, como a estreia de Kazuma enquanto modelo. Mas a partir do quinto capítulo da campanha abre-se uma narrativa autónoma, protagonizada por Goro Majima, apostado em subir de posição no Tojo Clan. Trata-se de uma história paralela que tem lugar dois meses depois dos eventos do primeiro jogo, embora ligada ao Tojo Clan e ao plano gizado por Yukio Terada em trazer estabilidade financeira. Nas ruas é uma personagem não só algo hilariante pelo seu aspecto como muito hábil a lutar, o que lhe confere um estatuto especial, mas não sobe de nível como sucede com Kazuma.

É impossível de resto desfrutar de Yakuza Kiwami 2 sem tirar partido do seu grande conjunto de missões. Ligadas à história ou secundárias, não andam longe da centena de objectivos a cumprir. Se a isso somarmos toda uma exploração daquele notável parque temático, desde ida a restaurantes, máquinas de venda rápida, clubes e as famosas arcadas, é facil perdermo-nos nas múltiplas distracções ou espaços onde facilmente gastamos o dinheiro arrecadado a lutar e a vergar os mauzões. Do karaoke, ao casino e mahjong, os vícios continuam presentes (o clube de cabaré de Yakuza 0 está disponível), não faltando arcadas como Virtual On e Virtua Fighter 2, ou mesmo a Sexy Photoshop para uma galeria de imagens depravadas. Destaca-se ainda a reintrodução do criador de clans. Um mini jogo de estratégia, tipo tower defense, em que o objectivo consiste em defender o material e equipamento usado pela Majima Construction na zona alta de Kamurocho. Para isso terão que chamar ao serviço alguns trabalhadores que farão a defesa do espaço. Os inimigos são às dezenas, pelo que as suas habilidades serão testadas. É um mini jogo que contempla até uma opção online para mais desafios e recompensas.

A estrutura de combate permanece familiar aos restantes jogos da série, embora as mecânicas tenham recebido alguns ajustes. Entre golpes leves e pesados, Kazuma movimenta-se com a sua agilidade superior diante dos primeiros antagonistas. O sistema está um pouco mais simplificado, o que não quer dizer menos desafiante. Depois das primeiras batalhas, quase em jeito de aquecimento, começa o combate a sério e aí o herói terá que socorrer-se dos golpes especiais, esquivando-se com sucesso dos golpes do adversário e usando em seu proveito aquilo que encontrar no cenário, nomeadamente objectos cortantes e armas de fogo. Há um incentivo maior em prol da sua utilização.

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Sotenbori, em Osaka. Ambiente típico para mais altercações.

Atingindo um ponto óptimo de socos, uma série de golpes bem sucedidos permite a Kazuma aplicar um poderoso ataque, capaz de deixar o adversário sem reflexos, numa espécie de fatalidade em câmara lenta. Num estado de fúria, Kazuma como que ceifa ampla vida aos adversários e ainda se serve de elementos do cenário para acabar com a vida dos adversários mais depressa. O sistema de evolução da personagem permite alojar pontos de experiência em áreas distintas, uma trajectória indispensável para aceder a mais habilidades.

Desenvolvido a partir do Dragon Engine, Yakuza Kiwami 2 é mais um bom serviço da Sega em prol dos fãs de Yakuza. Uma peça do passado que muitos porventura desconhecerão e que se apresenta na melhor forma em alta definição. Um jogo não tão ambicioso como Yakuza 6, já que parte de uma produção original com mais de 10 anos, mas ainda assim abundante em conteúdo, proporcionando uma história valiosa e imensas distrações, tanto em Kamurocho como Osaka. O sistema de combate, mesmo não sendo o mais inovador, proporciona um óptimo desafio e sobretudo revela-se altamente fluido. Podendo embora reintroduzir elementos que experimentámos noutros jogos da série, Kiwami 2, assegura uma história interessante, um bom sistema de combate e sobretudo imenso conteúdo, entre missões principais, actividades secundárias e mini jogos.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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