Lançado há sensivelmente um ano para a Switch, Splatoon 2 foi uma das grandes apostas da Nintendo para o verão, um título refrescante e irreverente que trouxe continuidade e desenvolvimento às batalhas entre os Inklings e os Octarians, no original lançado para a Wii U em 2015. Splatoon e a sequela ilustram bem o desenvolvimento de conceitos surpreendentes a partir de estruturas definidas. Embora com aproximações ao género "shooter", o conceito de Splatoon assenta na conquista de área relativamente ao adversário, sagrando-se vencedor a equipa com mais área pintada ao cabo de alguns minutos de combate.

Depois há outros elementos, desde mergulhar como uma lula na tinta e nadar até ao limite da área pintada, até à estrutura vertical e horizontal dos mapas. A luta pode ser feroz e para isso teremos acesso a um conjunto de armas a ganhar, assim como equipamento de defesa e outros objectos adequados a melhorar a nossa performance, mas o conceito básico é simples e bastante eficaz.

Uma das lacunas apontadas a Splatoon (Wii U, 2015) foi precisamente a ausência de uma campanha. O jogo possui um significativo tutorial mas é tão breve e acessível que mais se perfila como um treino e preparação para as batalhas "multiplayer", a expressão máxima de Splatoon. Na sequela, a Nintendo melhorou a componente single player, introduzindo uma campanha assente em vários níveis e de apreciável dimensão, no fundo numa resposta às maiores solicitações dos fãs.

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Neste novo labirinto que é o metro de Inkopolis, os Octolings dominam e daí o tom mais sombrio desta jornada.

O resultado foi, novamente, uma assinalável batalha entre Inklings e Octarians, temperada por uma boa curva de aprendizagem e uma multiplicidade de níveis que para lá de proporcionarem mais tempo de jogo, eram condutores para o magnífico design de Splatoon 2, até onde vai a imaginação dos produtores numa articulação entre plataformas, percursos rápidos, muitos tiroteios e lutas contra os bosses.

Quase um ano depois da estreia de Splatoon na Switch, a Nintendo edita um DLC relativo à campanha. Por 19,99 euros adquirem a expansão denominada Splatoon 2: Octo Expansion e acedem a 80 níveis, o que incrementa o tempo de jogo na vertente solitária, com mais desafios, níveis, bosses e um grau de dificuldade a roçar o insano, sobretudo na forma como refaz o design e muitos dos aspectos que julgávamos assentes. Octo Expansion altera algumas mecânicas e incrementa os desafios. É provável que o tempo gasto por cada um possa diferir, pela forma como estão adaptados às habilidades e pela desenvoltura perante os obstáculos, mas passar todos os níveis pode bem chegar às sete ou oito horas, ou até um pouco mais.

Estamos assim perante um conteúdo robusto, que a juntar ao multiplayer de Splatoon 2, com as suas evoluções, forma o maior conjunto da experiência Splatoon. Por outro lado, apesar do seu enquadramento na história, formando uma extensão da campanha, pode ser começado de imediato, embora seja aconselhável terem terminado a anterior campanha, na medida em que o jogo acaba por dar seguimento, com algumas surpresas, à batalha que opõe os Inklings aos diabólicos Octarians.

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Com novas armas e equipamento, depois de terminarem a campanha poderão jogar como Octoling no multiplayer.

Sem revelar todas as surpresas, é conveniente saber que há mudanças significativas no quadro do confronto anterior. Escolhido o sexo (menino ou menina), cor da pele e dos olhos, acordamos depois de um profundo estado amnésico, sob o olhar curioso do velho Cap'n Cuttlefish. A nossa personagem é um Octoling, o agente nº 8. Sem grandes armas ou equipamento, é acompanhado pelo capitão numa primeira fase, que decorre num metro profundamente labiríntico.

Rapidamente descobrimos a magnífica extensão deste novo cenário, através de diferentes linhas (distinguidas por cores). As missões levam-nos a recuperar as memórias, através de um processo de reconstrução gradual que ao mesmo tempo nos leva à recolha de objectos através dos quais podemos encetar uma fuga para o exterior.

Esta viagem pelas profundezas de Inkopolis Square equivale a parar em múltiplas estações, onde terão que cumprir uma grande variedade de desafios. A partir deste ponto, a expansão entra num ritmo incrível, bombardeando o jogador com uma série de provas e níveis tão diversificados como ricos em jogabilidade, proporcionando algumas aproximações a modelos implementados no contexto multiplayer (logo a primeira batalha contra um boss controlado pelo CPU), até derivações encontradas nos jogos de plataformas.

As experiências tendem a divergir bastante à medida que escalamos os 80 níveis. Logo ao começo devemos deslocar uma bola para um ponto específico, atingir alvos, saltar sobre colchões de ar, evitar esguichos de tinta dos adversários. Os desafios são constantes, pondo à prova não só a nossa capacidade de resistência mas a habilidade em executar da melhor forma os movimentos. Por vezes o jogo é quase como uma parada e resposta, perceber primeiro o funcionamento do desafio e partir para a forma de o resolver. Mas cedo vão perceber que os testes não só estão mais interessantes do ponto de vista do design, oferecendo propostas refrescantes e inteligentes, como são mais desafiantes e difíceis (criando por vezes algum desespero).

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Os desafios da Octo Expansion surpreendem e nalguns casos com maior grau de dificuldade.

O ritmo é rápido. Há alvos que desaparecem em fracções de segundo, o que requer destreza a pressionar o gatilho. No entanto, há que ter em conta a diversidade de armas e a escolha da melhor naquele contexto, o que reforça a orientação estratégica e necessidade de conhecer bem as mecânicas. Ainda que seja uma expansão dedicada aos que completaram a campanha e sejam veteranos na série, se só agora chegaram a Splatoon é conveniente começarem a jogar a campanha, saltando de seguida para a expansão, já que apresenta níveis mais complexos e requer uma boa utilização e conhecimento das armas.

Do ponto de vista artístico esta expansão prima por sublimar a estética retro, embora mantenha intocável a arte de Splatoon. Há uma base de cores fortes transversal ao jogo, entre cores contrastantes, quase em tons neon. No entanto, proporciona magníficos momentos audiovisuais e por isso distingue-se um pouco da estrutura algo contrastante do original. Esta expansão assenta em áreas mais escuras e zonas interiores, em consonância com o mundo dos Octolings, um mundo mais frio e escuro, o que proporciona um óptimo contraste com as áreas abertas dos Inklings, diluíndo aquela sensação de mais do mesmo. Destaque para o aparelho CQ-80, um dispositivo holográfico que nos deixa aceder aos mapas, menu, chats, mem cakes, entre outras funcionalidades.

A Octo Expansion revela o compromisso da Nintendo em assegurar a manutenção de Splatoon 2 para lá do ano de existência, uma vez que ainda estão previstos novos conteúdos até ao final do ano. Há um custo a pagar (são vinte euros) pelo extra, mas pela longevidade, desafio e constante injecção de novas ideias, agora na perspectiva dos Octolings, é difícil não nos sentirmos satisfeitos por tão grande conteúdo. Bem maior que a campanha do original, esta expansão refresca ao mudar as agulhas do multiplayer para um ordenamento seguro na experiência individual. Uma transição aguardada mas sobretudo bem conseguida.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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