Mario Tennis: Ultra Smash - Análise

Amorti.

Um jogo que poderia ter sido muito mais. Ficou a meio, em conteúdos e na melhor exploração do ténis.

Talvez o "party game" da Nintendo para este Natal. Jogado a pares e atendendo à compatibilidade de comandos (Wii Remote, Pro Controller e GamePad), Mario Tennis Ultra Smash pode muito bem reunir e aquecer a família à volta do "court" de ténis nestas noites gélidas, de temperaturas a roçar o negativo. Mario não está só neste desporto e faz-se acompanhar de mais de uma dúzia de personagens do Mushroom Kingdom, a juntar a mais quatro personagens desbloqueáveis. As bancadas do campo de ténis central que acolhe o evento estão repletas de fervorosos apoiantes, entre os quais muitos Shy Guys e Toads, formando uma falange de apoio constante entre diversas coreografias.

É interessante acompanhar as incursões de Super Mario fora do seu habitual terreno das plataformas e acção, tanto em 3D como em 2D. Com ele conduzimos karts velocíssimos, damos tacadas em verdejantes campos de golfe, jogámos mini jogos sobre tabuleiros, desferimos pancadas com uma raqueta de ténis e até já jogámos futebol em Super Mario Strikers. Como quem tira umas férias depois de arriscar a vida e pele a enfrentar Bowser, no final de uma aventura vão todos juntos festejar e comemorar.

A história destas séries que reclamam o protagonista principal de Mushroom Kingdom vem de longe. Desde os tempos da Game Boy e da NES que Super Mario é explorado, como personagem carismática, noutros contextos. Nem sempre dentro do patamar de qualidade exigido ou esperado, por comparação com as suas principais aventuras, mas sem deixar de seguir uma vertente mais arcade e compatível com uma audiência menos "hardcore", sem negar um bom desafio.

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Toad gigante à vista.

Mario Tennis: Ultra Smash e Mario Kart 8 são os dois melhores exemplos desta imprevisibilidade. Mario Kart 8 dispensa apresentações. Um dos melhores jogos arcade do género racer, pejado de pistas incríveis e um modelo de corridas desafiante, da primeira à última curva. Já Mario Tennis, desenvolvido pela Camelot Software Planning (que há muito produz Mario Tennis e Mari Golf), aproxima-se perigosamente de um Wii Sports, a demonstração/ jogo limitado, que a Nintendo publicou juntamente com a Wii de forma a dar a conhecer os revolucionários comandos por movimento.

Praticamente dez anos depois, Mario Tennis: Ultra Smash é compatível com o Wii Remote, mas perdeu o sistema de controlo por movimentos. A única ligação é a escassez de conteúdos. Wii Sports sempre nos pareceu uma demonstração alargada e é pena que Ultra Smash não tire proveito do potencial latente no jogo de ténis. Em pouco mais de uma hora de jogo apercebemo-nos que isto não é mais que uma partida de ténis ligeiramente personalizável. Não há uma progressão arcade notória dentro dos moldes tradicionais e que nos faça sentir em progressão numa espécie de ranking mundial. O "court" de ténis é sempre o mesmo (só mudam os pisos, com algum reflexo na jogabilidade) e os poucos modos adicionais estão longe de nos convencer ou sequer representar uma vertente "single player" minimamente desafiante. Sobra um modo online um pouco mais atractivo por força da imprevisibilidade dos oponentes, embora bastante limitado (pares e singles, a contar para um ranking ou para o divertimento), sempre no mesmo estádio.

Quando temos na mente experiências como Mario Kart 8 e Super Smash Bros, é um desapontamento total verificar que o menu de Ultra Smash se reduz a uma grelha simples, com poucas opções. Não é normal encontrarmos um jogo assim numa consola da Nintendo, a menos que seja proveniente de uma "third party". A Camelot faz parte da Nintendo e noutro jogos habituou-nos a conteúdos extensos, mais desenvolvidos. A nossa dúvida sobre isto instalou-se quando, ao descarregarmos o jogo, foi-nos pedido um espaço no disco de aproximadamente 900 megas. Jogos como Super Mario World 3D, por incrível que pareça, requerem um giga e meio, mas desta vez não há lugar para surpresas.

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Ultra Smash apresenta um grafismo bonito, bom design e boa cadência de fotogramas.

O descontentamento é notório quando nos apercebemos que a jogabilidade até é bastante satisfatória e desafiante, tendo sido incorporados elementos de Mario Power Tennis (Game Cube) e Mario Tennis Open (Nintendo 3DS). Destacando-se pela acessibilidade e estrutura tradicional, não requer grande treino e combinações complicadas. Qualquer pessoa entra facilmente no jogo. Mesmo os menos versados, ao fim de algum tempo começam a sentir-se mais confiantes sobre a melhor posição a ter no "court", contrariando as investidas do adversário. O conceito é por isso na sua maioria bastante familiar para os conhecedores e fãs dos jogos anteriores, e não fecha as portas aos novos utilizadores.

Numa vertente mais básica, os botões do GamePad podem ser utilizados para desferir pancadas mais ou menos potentes e com diferentes trajectórias. Até aqui tudo normal. Poderão calibrar o serviço deslocando a personagem para um dos dois lados. Se realizarem uma pancada mais forte poderão conseguir o às. Este esquema mais tradicional é bastante acessível e lembra não só jogos como Mario Power Tennis mas também o modelo de Virtua Tennis.

A jogabilidade muda um pouco quando começam a surgir no campo círculos pintados com diferentes cores. Azul, rosa, cinzento, amarelo e vermelho. Se deslocarem a personagem até ao circulo e aplicarem a combinação mostrada, no preciso momento de contacto com a bola, realizam um "chance shot", uma pancada especial que porá mais dificuldades ao adversário. As combinações envolvem normalmente a pressão de um ou dois botões (A-B), (X) ou (Y-Y) combinação que activa um "jump shot". A personagem salta e desfere uma potente pancada de cima para baixo, quase como um disparo à queima roupa, bastante difícil de segurar (quando a personagem trava a bola é empurrada para trás pela força). Estas jogadas dependem do factor sorte, já que os círculos surgem aleatoriamente e nunca sabemos onde vão aparecer.

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A pares o jogo fica mais caótico mas divertido.

Este factor pode tornar as coisas complicadas, quando temos alguma vantagem numérica no "set" e passa um ponto sem que nos seja concedido um "chance shot". Para tornar o resultado ainda mais imprevisível, os Toads à volta das quatro linhas atiram mega cogumelos para dentro do campo. Se formos ao encontro deles, a personagem transforma-se num gigante, ocupando quase por inteiro a sua metade. Fica um pouco mais fácil disputar as bolas ao meio, mas as personagens adquirem um ritmo mais lento e o mais provável é que em breve o adversário passe pelo mesmo processo de transformação. Normalmente o jogador que estiver mais tempo na forma gigante pode ter vantagem. Ainda que muitos "jump shots" sejam difíceis de evitar, pode ser mais complicado quando o adversário decide cancelar o "jump shot" à última hora e fazer um amorti que nos deixa especados. Jogar com os cogumelos no Megabatalha é o único factor diferenciador. Sem progressão, chegámos ao fim do jogo e voltamos a escolher nova personagem.

O desafio K.O é o único modo que oferece sucessivos confrontos, numa espécie de teste de sobrevivência que levará o jogador a defrontar 15 rivais, podendo desbloquear quatro personagens extra. Aqui não se joga pelo "set" mas dentro do "tie break, numa conquista pelos sete pontos. O Ténis Clássico é um desafio para pares ou singulares, sem mega cogumelos e assente num conceito tradicional. No último modo disponível, mega troca de bola, a simplicidade é palavra de ordem. Começamos por jogar com uma bola de proporções gigantescas que vai diminuindo à medida que realizamos "chance shots". Quando a bola estiver nas proporções ideais é mais fácil ganhar ao adversário. O online funciona sem problemas e emparelha imediatamente os jogadores em partidas que podem ir do jogo ocasional até à disputa por um lugar ao sol no ranking.

Uma tarde ou noite chegam para vermos tudo o que o jogo tem para oferecer. Desbloquear os pisos adicionais e personagens também não levará muito tempo. Mais exigente é a obtenção de medalhas, atribuídas por feitos concretos. Mas se não quiserem perder muito tempo com isso podem recorrer ao pecúlio acumulado pelas vitórias e gastar as moedas. Se tiverem personagens Amiibo da série Super Mario poderão usá-las no jogo, treinando-as como parceiros para os jogos a pares. Os Amiibos podem jogar em pares no modo K.O e mega troca de bola, e a sua utilização reflecte-se em termos de aprendizagem, ganhando habilidades e um estilo de jogo equiparável ao nosso. Destaque para a localização para português. Menus, notas informativas e comentários encontram-se na nossa língua, algo que é do agrado dos mais pequenos.

A sensação que fica depois de aprofundarmos o contacto com Mario Tennis: Ultra Smash é de um grande desaproveitamento de potencial. Mais e melhores conteúdos teriam resultado num jogo de ténis capaz de se destacar num momento de estagnação das produções do mesmo género, até porque em termos visuais o jogo é muito cristalino, com cores vivas e uma fluidez impressionante. Valerá para momentos em família e partidas a quatro ou singles com o adversário ao nosso lado, mas também pesa a certeza de um produto inacabado e que não é muito mais do que uma demonstração generosa de uma partida de ténis disputada no Mushroom Kingdom com aquelas personagens carismáticas.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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