Ninja Gaiden 3 - Análise • Página 2

O regresso do Dragon Ninja.

O que Ninja Gaiden 3 traz de novo para a jogabilidade é o braço amaldiçoado de Ryu, que quando fica a brilhar, é possível executar um poderoso ataque que elimina cinco inimigos de uma vez só. Este braço amaldiçoado também traz desvantagens, havendo situações em que Ryu perde as forças. Mas são momentos planeados pela Team Ninja (o jogador não os pode controlar ou prever) e os inimigos nada fazem para tirar partido da situação Ryu, apenas ficam a olhar à espera da sua morte.

A câmara usada para dar um ar mais cinemático e que se aproxima de Ryu e inimigos para dar destaque aos ataques mais mortíferos torna-se irritante nos primeiros minutos devido ao seu uso exagerado, e não há opção para desativá-la. Em adição, a câmara normal nem sempre assume os melhores ângulos, embora seja possível controlá-la com o analógico direito.

Pela primeira vez na série, Ryu Hayabusa mostra a sua cara, e ao passo que ganha profundidade sentimental, ao criar laços com uma rapariga com poucos anos de idade, perde a mistério que tinha anteriormente. A problemática é que apesar da Team Ninja querer apostar mais na estória, o resultado deixa a desejar. E há uma contradição em Ryu preocupar-se com a dita rapariga e depois andar a massacrar soldados inimigos mesmo quando estes lhe imploram pela sua vida e dizem que têm uma família para cuidar.

A repetitividade é algo que assola o jogo desde os primeiros níveis. Por muito que se goste do género, Ninja Gaiden 3 acaba por cansar rapidamente devido ao excesso de inimigos que envia contra o jogador e a não haver nos níveis algo para alterar o ritmo. As partes de plataformas são demasiado simples, de resto Ninja Gaiden 3 não oferece muito mais, e como já referido, o que oferece fica aquém do esperado para um franquia estabelecida.

Para o seu bem, Ninja Gaiden 3 não se prolonga muito. Caso se prolongasse, maior seria a sensação de repetitição e aborrecimento, e a estória que o acompanha também não dava para muito mais. Em cerca de 6 ou 7 horas conseguem terminar a campanha (dificuldade normal). Há dificuldades mais elevadas que são desbloqueadas, mas neste Ninja Gaiden 3 não há muito interesse em repetir a experiência.

Os modos multijogador surpreendentemente são mais apelativos que a própria campanha, embora apenas hajam dois: Ninja Trials e Clan Battle. O primeiro é um modo cooperativo (também possível jogar a solo) onde enfrentarão vagas de inimigos ao longo dos variados cenários que visitaram durante a campanha. No fim, o vosso desempenho é avaliado e desbloqueiam novos itens e movimentos para personalizarem o vosso Ninja.

Clan Battle é um modo competitivo com suporte até oito jogadores onde duas equipas se confrontam. Neste modo também vão desbloquear novos itens e começam com um leque de ataques muito limitados. Conforme vão jogando e melhorando a vossa prestação, ataques e combos avançados ficam disponíveis. No canto inferior direito há uma caixa com texto que avisa o jogador para executar determinados golpes para receber pontos bónus, e de vez em quando, a caixa ordena para matarem todos os outros jogadores, incluindo os da vossa equipa. É um twist interessante e que mantém os jogadores sempre desconfiados e atentos.

A nível gráfico a evolução do segundo jogo para Ninja Gaiden 3 é pequena. Há uma ligeira melhoria nas animações e as cores mostram-se mais vivas, não sendo tão esbatidas como antes. Não é por isto que Ninja Gaiden 3 impressione, alias, pelo contrário, é um jogo com sérias limitações a nível técnico. A framerate é fluida, mas ao custo de níveis completamente lineares e com cenários desinteressantes e sem qualquer valor artístico. Ninja Gaiden 2 sofria do mesmo problema, mas agrava-se ainda mais em Ninja Gaiden 3.

Tudo o que a Team Ninja tinha que fazer era pegar na formula de Ninja Gaiden 2 e melhorá-la. Porém, deitou tudo a perder ao descartar os elementos que tornavam a série famosa, e o resultado foi um jogo mutilado e uma sombra dos anteriores. Esta era a oportunidade deste estúdio provar que conseguia obter bons resultados com a ausência de Itagaki, infelizmente foi desperdiçada. Seria uma pena que a série ficasse por aqui, resta esperar que a Team Ninja consiga aprender com os seus erros e tenha uma nova oportunidade para provar o seu valor.

5 /10

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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