Mass Effect 3 - Análise • Página 2

O fim é sempre um início.

Mass Effect 2 foi um marco nos videojogos. Introduziu uma narrativa sólida, melhorou imenso o motor de jogo referente ao primeiro jogo e inovou por misturar diversos elementos de jogabilidade. É um shooter extremamente sólido, mas com doses certas de RPG, poderes e linhas táticas. Mass Effect 3 pega no que foi feito no segundo jogo e não é um salto tão grande como foi do primeiro para o segundo. Pelo menos no aspeto gráfico, gameplay e construção dos cenários e desenrolar das missões.

Apesar disso, Mass Effect 3 vive muito pelo seu enredo. Afinal estamos a culminar uma história que começou em 2007, e quem segue o jogo desde então quererá saber como tudo termina. Iremos visitar locais conhecidos embora alterados, como é o caso da Citadel, Thessia e Tuchanka. A própria Normandy está diferente e mais artilhada. Talvez para não cansar o jogador, em Mass Effect 3 se quisermos seguir a história principal iremos andar menos a divagar que nos jogos anteriores. Isso foi deixado para as missões secundárias. Diga-se de passagem que algumas são extremamente chatas e confusas.

Por exemplo, ao passar por um cidadão na Citadel ouvimos rumores sobre um determinado artefacto. Vamos ao nosso diário e não aparece nada sobre o que realmente temos que fazer. Para podermos saber para onde temos que ir, que planeta visitar, temos que sair da Citadel, entrar na Normandy, ir ao mapa da galáxia e pesquisar onde está o artefacto e então viajar para lá. Ou seja, apenas para recebermos uma indicação temos pelo meio três ou quatro loadings. Demasiado para uma pequena missão secundária.

Para cada missão temos que escolher pelo menos dois companheiros. Ao estilo do que já estamos habituados. Cada membro poderá subir de nível de acordo com determinada árvore de características, gastando os pontos de experiência que adquirimos nas missões. Embora possamos melhorar diversas características, dentro de cada uma é quase uma linha recta, não havendo margem para grandes decisões. Referente às armas, temos várias opções de escolha, sendo que podemos modificar pelo menos características de cada arma, aplicando os diversos extras que apanhamos nas missões ou que tenhamos comprado. É claro que nem todas as personagens podem usar todo o armamento encontrado, como por exemplo a Liara, que é extremamente útil para "preparar" a morte, como lhe chamo.

Sobre os nossos recursos, agora recebemos "dinheiro" via a Aliança, ou que tenhamos apanhado pelo caminho. Se em Mass Effect 2 foi abolido o horrível pesquisar nos planetas por minério e outros recursos, e introduzido uma pesquisa por via do espaço apenas enviando "Hubbes" para o planeta em causa, agora em Mass Effect 3 isso foi completamente abolido. Agora não pesquisamos planetas, mas sim sistemas de estrelas. Existe a opção de podermos fazer "Scan" ao sistema de planetas, podendo por vezes chamar atenção das naves dos Reapers, causando uma cómica e estranha perseguição com naves em miniatura. Pessoalmente fiz "Scan" a torto e direito e nunca apanhei nada, a não ser planetas descobertos que apenas permite termos uma descrição sobre eles. Um sistema inútil e sem sentido quando estamos perante uma campanha onde todo o universos está envolvido.

Para além do mapa da galáxia, na Normandy está presente um Terminal de Guerra. Diferente do que parece ser, o terminal funciona como uma biblioteca sobre as diversas divisões das raças e seus exércitos, bem como aponta em que zonas dominam e que conflitos existem entre eles. Para alguém que não esteja dentro de todos os conflitos, poderá perder aqui (para além das diversas informações no "Journal") algum tempo para se inteirar de tudo. Para além disso, não tem qualquer outra utilidade.

As missões em Mass Effect 3 começam em termos de interesse abaixo do esperado. Posso dizer que nas primeiras 5 horas o jogo era uma pequena desilusão, muito devido ao alto padrão deixado por Mass Effect 2. Tudo melhora depois das 10 horas de jogo, parecendo até que os autores viram que tinham que deixar de lado certos clichés, a puxar pela lágrima e situações menos conseguidas. Levar Mass Effect até ao fim será uma tarefa árdua. Algumas missões são um puro pesadelo, isto no bom sentido. Os inimigos são extremamente versáteis e raramente estão em posições desprotegidas. Atuam em conjunto, organizando-se, e tentando a todo o custo flanquear a nossa equipa. Aqui entra a ajuda dos nossos companheiros, que agora apenas se resumem a dois. Temos que estar sempre a dar indicações, pois se o não fizerem, não esperem uma ajuda eficaz. Se os nossos inimigos são providos de uma IA fantástica e extremamente difícil em muitos casos, já os nossos companheiros não são assim tão "educados".

Apesar de já ser um shooter por excelência, Mass Effect 3 peca um pouco pelo sistema de cobertura. Apesar de podemos correr e saltar muros e subir para níveis superiores em modo corrida, nem sempre funciona bem. A maior parte das vezes morri devido a este problema de cobertura. Por exemplo, se estivermos em modo cobertura apenas podemos sair para o lado ou por cima se aparecer uma seta azul no ecrã, não sendo dinâmico e muitas vezes, no calor da ação, torna-se caótico, levando à morte. Não é um sistema mau, longe disso, mas também está longe da perfeição.

Mass Effect 3 introduz também um modo multijogador cooperativo até quatro jogadores. Aqui temos o modo "Galaxy at War", onde teremos que enfrentar vagas de inimigos em sete mapas diferentes. Se acham as vagas das missões do modo de um jogador complicadas, então aqui terão doses de emoções. Aqui podemos misturar as raças, como os Krogans e Turians, embora não com as personagens conhecidas. Cada jogador constrói a sua e escolhe qual a classe que quer jogar, bem como as habilidades onde gastar os XP ganhos.

Mass Effect 3 é um final brilhante, épico e extremamente forte na série. Existem situações de pura beleza narrativa, principalmente nas últimas 10 horas de jogo. Pegando no sucesso de Mass Effect 2, a trilogia termina com chave de ouro. É um produto de topo que vale cada cêntimo gasto nele. Apesar de algumas missões secundárias não serem muito interessantes, temos horas e horas para jogar para além da história principal. Concluindo um pouco a introdução, o arrependimento será algo que poderão sentir em Mass Effect 3. Algumas decisões farão realmente a diferença, e talvez não sejam assim tão óbvias no início. Mas se querem mudar algo que se tenham arrependido, nada melhor que começar de novo. No meu caso, tentarei não aniquilar uma raça inteira a meio do jogo. E aviso já, não são os humanos.

9 /10

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Sobre o Autor

Jorge Soares

Jorge Soares

EG.pt Master of Puppets

Sempre ocupado e cheio de trabalho, é ele quem comanda e gere a Eurogamer Portugal. Queixa-se que raramente arranja tempo para jogar, mas quando está mesmo interessado num jogo, lá consegue arranjar uns minutos. Tem mau perder e arranja sempre alguma desculpa para a sua derrota, mas no fundo, é o que todos fazemos.

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