Test Drive Unlimited 2

Como ter carro descapotável e casa em Ibiza pode fascinar.

Test Drive Unlimited é a série que compila numa única edição boa parte das reproduções dos jogos virtuais com automóveis. Revela uma tendência para a modelação porn e ambição de um louco como Yamauchi com Gran Turismo, promove um sistema onde as corridas de automóveis dentro de uma cidade e arredores podem ser tão entusiasmantes como as de um Project Gotham Racing, dedicado também aos SUV's e percursos alternativos de terra batida numa aproximação ao todo-o-terreno e ralis (de fora ficaram as motos), e estimula a competição em rede com um mapa de desafios, bem no encalço de Burnout Paradise. Tudo isto para explorar dentro da ilha de Ibiza, um território denso e povoado de centenas de quilómetros de asfalto, onde os aderentes partilham as mesmas estradas (montanhosas, citadinas e de terra batida) e convivem – será o verbo mais adequado - de acordo com as regras ali previstas e com aquelas por si editadas.

Sem superar e esconder cada um dos segmentos que dão forma ao jogo, TDU 2 , de relance, torna-se num prospecto ideal para um romance automóvel. Deixa-vos extrair mais do que um mero processo de escolhas em favor de uma total liberdade e disponibilidade. Podem levar o carro, a casa e mais alguns bens. Mais do que uma aproximação natural e que se quer mais apaixonante ao mundo automóvel, o que acaba por fazer sentido em TDU 2 é a dimensão social. Uma espécie de second life; a vertente para fãs dos automóveis do sonâmbulo Playstation Home.

É sempre uma viagem agradável e há um encanto especial na forma como se acompanha a transição entre o dia e a noite, sem recurso a paragens ou ajuste de definições. Ao pretender descrever uma progressão ancorada em aspectos sociais e naturais, TDU 2 fica refém de limitações que o impedem de conquistar a pretendida fatia de leão nos contendores do género. A sensação de liberdade total pode traduzir espaços de monotonia, quando são pedidas ligações do ponto A para o sítio B, com bastantes quilómetros para percorrer se tornam num tempo perdido e que mais não é do que uma distância para a próxima competição.

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Sem táxis por perto, nada melhor que dar uma boleia, mas atenção à condução.

Em comparação com outros contendores que pontuam no género do desporto automóvel, TDU2 não os excede. A condução permanece algo arcade e com aspectos menos bem conseguidos (lá iremos). A menor resolução dos cenários e tendência para a repetição das diversas localidades de Ibiza não afasta uma sensação de "dejá vu" ao fim de uma hora, assim como nas zonas urbanas e de maior densidade não alcança o impacte visual de um PGR depois da 2ª versão. Apesar disso, na atenção ao automóvel e correspondente puxar do lustre é um jogo que mostra compromisso e nisso seduz o jogador ao propor um vasto manto de stands representativos das mais diversas produtoras mundiais, encabeçando veículos delirantes como Ferrari, Bugatti, Ruf é o termo de substituição dos Porsche e outras marcas com propostas mais acessíveis.

Mas por muito que pretenda parecer, nesta altura TDU 2 já não oferece a mesma surpresa de há cinco anos, quando abriu e expandiu um novo conceito no universo virtual automóvel; o MMOR. A afectação à vertente social e de admiração pelo automóvel rompeu em 2006 com firmes expectativas e sólidos resultados. Pela primeira vez a franquia Test Drive entrou pelo universo das corridas Online. Valerá a pena recuperar que Burnout Paradise colheu tributos pela influência desta montagem, embora muito do seu sucesso se tenha ficado a dever à adaptação eficaz ao seu espaço, assim como Crazy Taxi pode ser aqui colocado como um exercício que, embora distante e algo deslocado não é assim tão inocente quando se pretende chamar à atenção a exploração do universo do jogo através do automóvel.

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E com o Aston Martin para Casino Royale.

TDU 2 é um produto sequencial e menos imprevisível. Menos dado ao corte do que há cinco anos, mas envelhecido o suficiente para dar sinais de reforço e mexidas no sentido certo. Isso é particularmente notório na exploração da ilha, com novas interfaces através do GPS para pesquisar e percorrer desafios (pretendidos), assim como na adaptação ao multiplayer bastando fazer sinais de luzes para os adversários para logo abrir uma imediata competição. Os clubes em Ibiza e os centros de competição servem de pontos de convívio, lugares onde os avatares contemplam as viaturas, entre matéria "tunning". Depois, há também o arco narrativo embrenhado num compromisso individual. Óptimo para percorrer a ilha descontraidamente e perceber a sua beleza e os locais a visitar. Serão imensos.

Enquanto território a desbravar, a ilha de Ibiza oferece um roteiro fascinante. Com apaixonantes paisagens proporcionadas pelo contacto com o mediterrâneo, o ciclo dia e noite constante dá-lhe nuances e ângulos merecedores de captura fotográfica. Fora das grandes zonas urbanas as áreas tendem a assemelhar-se bastante, apesar das diferentes configurações de estradas. Há pontos de referência, e locais que o jogador terá de visitar e fotografar para progredir. De todo o modo é um território que aqui ganha mais destaque pela imensidão e quantidade de rotas.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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